25 de agosto de 2009

JÁ NAS LIVRARIAS : "DOSSIÊ GABEIRA : O FILME QUE NUNCA FOI FEITO" - UM BALANÇO COMPLETO SOBRE A TRAJETÓRIA DA GERAÇÃO QUE TENTOU MUDAR O BRASIL

10 de agosto de 2009

PROCURA-SE! QUEM FOI O GÊNIO QUE ESCREVEU O ANÚNCIO DE UMA LOJA CHAMADA "ÓTICAS CAROL" ?

Parece mentira, mas, horas depois de publicar o post anterior, sobre publicitários analfabetos, eis que o Sopa de Tamanco leva um tapa nos olhos e nos ouvidos: inadvertidamente, nosso olheiro testemunhou, na TV, a exibição de outro anúncio que fala em "o óculos" - assim,no singular. "O" óculos!

O anúncio é de uma ótica chamada Carol. "O" óculos é um soco nos ouvidos.

A velha pergunta volta a ser feita: quanto será que a agência de publicidade autora do anúncio ( qual será ?) cobrou do cliente para cometer erro tão primário de concordância ?

Não há meio termo: a palavra "óculos" exige artigo no plural.

Como já lembrou o Sopa de Tamanco, escrever "o óculos" é como escrever "a casas" e "o carros".

O inacreditável é que um anúncio assim é aprovado por alguém.

Pior: alguém pagou por ele!!

Conclusão definitiva: a cada minuto, nasce um otário na terra.

Assim é, assim foi - e assim será, por séculos e séculos.

8 de agosto de 2009

É SÉRIO: POR QUE O BRASIL TEM OS PUBLICITÁRIOS MAIS ANALFABETOS DO MUNDO

O Sopa de Tamanco já listou, aqui, casos de anúncios que dizem "um óculos". Já berrou contra o anúncio televisivo de um suco em que a atriz dizia "sombrancelha". Já vomitou contra um anúncio de um carro em que o texto falava em "encarar de frente".

Agora, para fechar a lista de horrores, a TV exibe a toda hora um anúncio de carro - pretensamente chique - em que o personagem pergunta a outro: o que você vai estar fazendo "daqui cinco anos" ? ( ou vinte anos, não me darei ao trabalho de me lembrar...)

O pior é que são anúncios caros, produzidos para produtos supostamente de qualidade. "Um óculos" é de um anúncio da Photoptica: uma promoção que prometia óculos de sol. "Sombrancelha" é de uma fábrica chamada Gula Fruts. "Encarar de frente" é de um anúncio da Toyota publicado nas revistas. "Daqui cinco anos" é da Ford.

É uma verdade límpida, pura, cristalina e incontestável: gente que diz ou escreve "um óculos", "sombrancelha", "encarar de frente" e "daqui cinco anos" é analfabeta. Ponto.

Conclusão: a publicidade brasileira pode ser não a pior, mas, com toda certeza, é a mais analfabeta do mundo.

Uma pergunta pende no ar: quantos mil dólares um publicitariozinho desses cobra para escrever tais aberrações ?

De repente, as coisas começam a fazer sentido. Era tão óbvio, mas só agora notei: um país que conta com publicitários desse tipo teria de ter, no senado, figuras como Renan Calheiros e, na TV,
débeis mentais se esgoelando em reality shows.

O círculo se fechou. Agora, finalmente, entendi tudo.

9 de julho de 2009

MISTER TALESE, O SENHOR PODE ASSINAR MINHA BÍBLIA, POR FAVOR ? ( UM RELATO SOBRE O GURU DO NOVO JORNALISMO)


Do site http://www.geneton.com.br/ :


“A humanidade só será feliz no dia em que o último editor for enforcado nas tripas do penúltimo” foi a sentença que o meu demônio-da-guarda me soprou, nítida e clara, ao pé do meu ouvido esquerdo, no exato instante em que ouvi o cultuadíssimo jornalista Gay Talese fazer uma confissão sobre os bastidores do jornalismo.

A confissão: uma reportagem que ele fez, nos anos setenta, sobre o encontro de Fidel Castro com Cassius Clay, em Cuba, foi descartada por nada menos de dez publicações diferentes. Dez!

É possível imaginar a cena: uma dezena de editores entediados deve ter passado os olhos sobre o relato escrito por Talese antes de vomitar uma desculpa qualquer para justificar a recusa.
Editores açougueiros cometem atrocidades todos os dias em todas as redações do planeta. Mas o caso da reportagem escrita em Cuba é uma daquelas aberrações que fariam um recém-formado desistir imediatamente da profissão.

Não é para menos. Tratava-se de uma reportagem escrita por um dos maiores nomes do jornalismo do Século XX sobre duas figuras míticas: o boxeador que entrou para a história por ter nocauteado um punhado de adversários imbatíveis e o comandante de uma ilhota que cutucava com vara curta a superpotência americana. Gay Talese, Cassius Clay e Fidel Castro. A camarilha de editores deu o veredito: não.

Um dos argumentos que usaram: o texto estava grande. Precisava ser reduzido. Talese disse que não. Não poderia reduzir. Os burocratas da profissão são exatamente assim: passam a vida inteira querendo provar que o público leitor detesta ler. Assim, todo e qualquer texto deve ser imediatamente trucidado. Ah, como são pateticamente pretensiosos...

Depois de três décadas e meia de observação, posso declarar diante do tribunal a única certeza que adquiri nesta profissão: o maior inimigo do Jornalismo é o jornalista. Não existe outro. Ponto. Parágrafo.

O resultado da investida do exército de editores burocratas foi este: o relato da expedição cubana de Gay Talese só chegou às mãos do público quando foi incluída num livro, anos depois.
Talese – um jornalista quase sexagenário na época da recusa – confessou, candidamente, que sentiu uma lufada de humilhação agitar suas florestas interiores ao ser brindado pelos editores com dez pontapés no traseiro.

Pergunta-se: quem é capaz de recordar o nome de um desses texticidas (assassinos de textos) que jogaram a reportagem de Talese no lixo ? Ninguém. Foram engolidos, um por um, pelo esquecimento.

Já Gay Talese sobreviveu.

Ei-lo agora, tanto depois, narrando suas desventuras numa noite tecnicamente cálida deste inverno na Cidade do Rio de Janeiro.

A confissão de Talese sobre o pesadelo que sofreu na mão de editores foi feita diante de uma fauna de tietes, curiosos, estudantes, aspirantes e dinossauros do jornalismo, reunida numa sala de cinema que fazia as vezes de palco de conferência no Instituto Moreira Salles, na Gávea, Rio de Janeiro. O jornalista Arthur Dapieve cumpriu com garbo o papel de mestre de cerimônia.

Quem conseguiu uma vaga na platéia ouviu um dos pais do New Journalism dizer que, lá no início da carreira, nos anos cinqüenta e sessenta, dava predileção a personagens anônimos, ao invés de cortejar os famosos.

Não por acaso, uma das primeiras reportagens que escreveu tinha como personagem central o redator de obituários do New York Times, um jornalista que vivia esquecido, numa mesa no canto da redação, ocupado em ruminar seus mortos.

Talese não teve dúvida em transformar um jornalista em notícia, o que quebrava um dos mandamentos da profissão (“jornalista só é notícia quando morre”). Não é verdade. Ao retratar o redator de obituários, Talese mostrou que jornalista que escreve sobre morte pode ser notícia, sim. Basta que tenha a sorte de atrair a atenção de um repórter inspiradíssimo, como ele.

A reportagem de Talese sobre um redator de obituários chamado Alden Whitman é um clássico imbatível do jornalismo. Pode ser lida no livro “Fama e Anonimato”, relançado no Brasil pela Companhia das Letras.

Estudantes, amadores, profissionais, correi: o que estão esperando antes de devorar o texto de Talese sobre o “mister Bad News”?

Um repórter burocrata diria que não, um mero redator de obituários não “rende matéria”. Talese dá uma lição perene: personagens anônimos podem ser,sim, fascinantes, extraordinários, comoventes. É uma regra universal. Tudo depende – única e exclusivamente - da sensibilidade do repórter.

Ao falar sobre a gênese da célebre reportagem sobre Frank Sinatra, igualmente clássica, Talese fez outra confissão: disse que nunca se sentiu atraído a escrever sobre gente famosa. Preferia lançar seus faróis sobre gente anônima, o que parecia uma “contradição”. Afinal, o jornalismo se alimenta da fama.

Não por acaso, quando recebeu de um editor a tarefa de escrever sobre Frank Sinatra, Talese teve a tentação de recusar a encomenda. Imaginou: que pergunta Frank Sinatra já não tinha respondido um milhão de vezes?

(Neste exato momento da fala de Talese, meu demônio-da-guarda entra em cena novamente, para sussurrar uma confissão ao pé do meu ouvido direito. Diz que, se tivesse a chance de interpor uma ressalva às palavras de Talese, declararia, solenemente: “Ah, não,oh guru do Novo Jornalismo, permita-me um momento de petulância: ao contrário do que Vossa Excelência diz, haverá sempre uma maneira de perguntar o que não tinha sido perguntado. Não há celebridade que não possa ser confrontada. Mas... quem sou eu para discrepar?”. Feito este exercício de autocrítica, meu demônio-da-guarda recolhe-se a um silêncio reverente).

Hoje, Talese pode dizer que, por sorte, Frank Sinatra não quis lhe dar uma entrevista. Assim, o caminho ficou livre para que o repórter transferisse todas suas atenções para o entourage de anônimos que cercavam o ídolo dos palcos.

O homem que fazia o papel de double de Frank Sinatra – um personagem chamado Johnny Delgado – parecia, aos olhos de Talese, tão fascinante quanto o original. Talese descreve a cena em que viu se aproximar um vulto que ele jurava ser Sinatra em pessoa. Não era. Quem se aproximada era o dublê.

É bola na rede, gol de Talese: sem que tenha sido a chance de interrogar o objeto principal da reportagem, Talese produziu uma reportagem definitiva sobre mister Sinatra. Bingo.

Talese faria outra confissão – que arrancaria suspiros de espanto da platéia: não usa a internet como instrumento de trabalho. Diz que a “tecnologia” da internet pode ser usada, por exemplo, para confirmar uma data. Mas não pode substituir, nunca, o contato “olho no olho” com a realidade.Repórter deve ir para a rua.Não pode passar o dia contemplando o retângulo luminoso de um monitor.

Neste instante, lembrei-me de uma máxima de Joel Silveira, grande repórter da linhagem de Talese: a “víbora” Joel dizia que não existe nada mais triste do que ver um repórter contemplando o teclado de uma máquina de escrever na redação, enquanto os assuntos, todos, estavam lá fora, na rua, à espera de quem pudesse descobrí-los.

Por princípio, Talese diz que, ao retratar seus personagens, não gravava nem fazia anotações : preferia observa-los com toda a atenção. De volta ao hotel, à noite, redigia o que tinha visto.

Ao fazer este relato, lanço da mão da “técnica Talese”: não estou recorrendo a gravações nem anotações. Tento reproduzir – de memória – o que acabei de ouvir. Já se disse que a memória guarda o que interessa. O resto some no abismo do esquecimento. Guardei – de memória - estas lições do guru do New Journalism.Há outras. Prometo: voltarei ao assunto, em breve ( Em nome de São Gutemberg: que outra coisa pode fazer um repórter, além de passar adiante o que viu e ouviu?).

Terminado o pronunciamento, mister Talese se dispôs a assinar autógrafos .
(Pausa para um registro bibliográfico: raríssimamente peço um livro emprestado. Dos pouquíssimos que pedi, o único que não tive a chance de devolver ao proprietário foi justamente um título de Talese: a primeira edição de “Fama e Anonimato”, lançada no Brasil nos anos setenta, pela editora Expressão e Cultura, com o título de “Aos olhos da Multidão”. Era a Bíblia de quem cultuava as pérolas de papel que Talese produziu, como o perfil do redator de obituários ou a reportagem sobre Frank Sinatra. Um colega jornalista, chamado Luiz Edmundo Monteiro, me emprestou o exemplar, no final dos anos oitenta. Depois, se mudou para o Paraguai. Jamais tive a chance de reencontrar o dono do exemplar – que ficou comigo esses anos todos. Hoje, ao me dirigir para o Instituto Moreira Salles, levei o livro que um dia, antes de ser relançado, era tratado como relíquia. A capa, frágil, ameaça se romper).

Sentado numa mesa, com os óculos na ponta do nariz, Talese veste-se como um dândi (sempre fez questão de cultuar paletós, jaquetas,sobretudos, sapatos, meias e lenços elegantes). Simpático, estende a mão para pegar o exemplar em ruínas.

Digo a ele:
- O senhor pode assinar a minha Bíblia?
Talese ri:
- É sua Bíblia ? Mas parece meio velha.... ( agora, ele manuseia capa puída).
- É velha, mas funciona...

O guru ri de novo, assina, agradece.

Termina o rapidíssimo diálogo sobre o meu devastado exemplar de "Aos Olhos da Multidão" , minha Bíblia jornalística, meu Evangelho Para Repórteres Segundo Gay Talese.

Eu poderia ter dito a ele que acendo uma vela para "Aos Olhos da Multidão" e outra para uma entidade inventada por Kurt Vonnegut : Nossa Senhora do Perpétuo Espanto.

Se tivesse tido tempo de se manifestar, meu anjo-da-guarda teria levantado a voz para finalmente interferir no diálogo, como se fosse um estudante ingênuo num comício de DCE: "Ah, com licença, oh guru do New Journalism, eu me arrisco a acrescentar que, se o Vaticano estivesse preocupado em combater as calamidades jornalísticas, deveria nomear Nossa Senhora do Perpétuo Espanto padroeira universal e plenipotenciária dos jornalistas. Porque só são dignos de povoar as redações os jornalistas que fazem da profissão um culto diário à Nossa Senhora do Perpétuo Espanto: são aqueles que tentam a todo custo não perder a capacidade de olhar a vida - e os personagens que a povoam - como se estivessem vendo tudo pela primeira vez. Em resumo: os que se recusam a perder a capacidade de se espantar. Somente assim, poderão narrar - da maneira mais atraente possível - a marcha dos fatos e dos personagens, anônimos ou famosos, que movem a máquina do mundo. Os que não são tocados por este espanto pertencem à triste linhagem dos que jogaram no lixo o que o senhor, Mister Talese, escreveu sobre Cassius Clay em Cuba. Já os que cultuam Nossa Senhora do Perpétuo Espanto serão sempre capazes de descobrir, em personagens como o redator de obituários, histórias que, claro, merecem ser contadas. Sempre mereceram !".

Mas não, não houve tempo de falar com Gay Talese sobre velas, redações, obituários e espantos nem de ouvir as perorações de anjos e demônios da guarda.

A fila dos que buscavam um autógrafo se estendia pelo pátio do Instituto. São dez e meia da noite. Hora de pegar a Bíblia e bater em retirada.


12 de junho de 2009

CHATONILDOS DA SILVA XAVIER: A PRIMEIRA LISTA

Se houvesse um torneio mundial da chatice, quem seriam os candidatos ao título máximo ?

Eis nossa lista de ouro:

a) aquelas exibições insuportáveis do Cirque do Soleil: um bando de idiotas multicoloridos escalando paredes e requebrando sobre plataformas voadoras, como se estas fossem habilidades dos deuses. Não são. Pior: há sempre uma velhinha ou velhinho que se integram à troupe para provar que ah, a vida é bela, a "terceira idade" não é limite para nada. Patéticos: o circo, os idiotas, os velhinhos e os que se dão ao trabalho de preencher a platéia.

b) aquelas notícias de tv que são dadas como se fossem conversa de comadre: "fulaninho, o que aconteceu aí ?"; "ah,fulaninha, uma coisa importante....". E assim por diante ( ver post anterior sobre o imenso, o incontrolável, o imbatível, o enorme, o avassalador tédio televisivo ). Quando os comadres e compadres terminam a notícia conversada, o pobre do telespectador já desabou, faz séculos, nos braços de Morfeu. Dormir, dormir, dormir: eis o resultado.

c) pseudo-estrelas falando dos filhinhos em revistas de celebridades. A partir de uma análise quadro a quadro do filme do assassinato do presidente Kennedy, especialistas fizeram a leitura labial da "primeira dama" Jaqueline Kennedy. O que ela disse naqueles segundos em que viu a cabeça do marido explodir ? "Oh,no!". Se os especialistas entrassem em campo para traduzir o que é que o leitor diz diante de uma anta célebre falando dos filhotes, chegariam à conclusão idêntica: "oh,no!", "oh,no!", "oh,no!". É o que faço diante das bancas e das telas.
"Oh,no!","oh,no!","oh,no!".

d) gente dançando forró ao som de sanfonas. o cúmulo dos cúmulos: uma viagem a bordo do tal do "trem do forró". Onde fica a saída, pelo amor de Deus ?

e) um grande show num "centro de tradições gaúchas". paspalhos de chimarrão lotam a platéia, enquanto um sanfoneiro canta músicas intoleráveis com um sotaque insuportável. "Oh, no".

f) professores de literatura, escritores, leitores e curiosos em geral relinchando em congressos literários."oh,no"


Novas informações a qualquer momento.

PERGUNTA FEITA AOS CÉUS

Uma dúvida: os senadores continuam soltos ?

31 de maio de 2009

UM ENCONTRO COM MILVINA DEAN, SOBREVIVENTE DO TITANIC

O Titanic virou, literalmente, história neste domingo.

Dos passageiros e tripulantes que conseguiram sair com vida do naufrágio em 1912, só uma estava viva em 2009: Milvina Dean, uma inglesa que, quando embarcou no transatlântico, era bebê.

A mulher que, nos últimos anos, carregou o título de "última sobrevivente do Titanic" morreu no início da manhã de hoje, aos noventa e sete anos de idade, em Southampton, Inglaterra.

Aqui, um relato sobre o dia em que o locutor-que-vos-fala teve um encontro com Milvina Dean, no exato local em que o Titanic iniciou a viagem que, como se sabe, terminou em tragédia:

http://www.geneton.com.br/archives/000116.html

29 de maio de 2009

CUIDADO COM A STT, A SÍNDROME DO TÉDIO TELEVISIVO: UMA DOENÇA QUE ATACA OS OLHOS E OUVIDOS!


Oh, tu, que navegas por blogs vagabundos e agonizantes como este, o que dizes da nova praga dos telejornais ? ( São aquelas conversas de comadre que ocupam um tempo que, na verdade, deveria ser preenchido por notícias - e enchem de tédio a alma dos pobres dos telespectadores... )

O Telejornalismo Conversado daria assim a notícia sobre o 11 de Setembro:

- Boa noite, Fulano, o que aconteceu hoje em Nova Iorque ?

- Boa noite, Beltrano.

- Boa noite.

- Beltrano, um avião foi visto nos céus de Manhattan...

- Ah,é, Fulano ? E o que aconteceu ?

- Ah, Beltrano, ele estava se dirigindo ao World Trade Center. Parecia desgovernado...
- Ok, Fulano ? E o que ocorreu, então ?

- Berltrano, o avião se chocou com uma das torres...

- Entendido, Fulano. E depois ?

- Beltrano, logo depois outro avião se chocou com outra torre. Nunca houve nada parecido na história...

- Ok, Fulano. Obrigado.

A essa altura, o telespectador dorme profundamente na poltrona. Um baba espessa escorre-lhe pelo canto da boca. As crianças da vizinhança apontam, sorrindo, para a cena patética: aquele feixe disforme de ossos e músculos dormitando diante de um aparelho de TV.

Ao fundo, ouve-se o som do aparelho.

A ladainha continua :

- Fulano, já se sabe o número de vítimas ?

- Não, Beltrano

- Ok, Fulano. Voltaremos já.

De imediato, as crianças que, inadvertidamente, olharam para a TV começam a cair no chão, uma por uma, adormecidas. Diagnóstico: foram fuminadas por uma praga chamada STT (Síndrome do Tédio Televisivo).

Surpreendentemente, as pestanas do cachorro da casa - que olhava, boquiaberto, para a TV - também desabam, indefesas diante do poder avassalador da STT.

O gato - que, estacionado em cima do muro, olhava de soslaio para a tela de TV - tomba no chão, igualmente adormecido.

Todos - o telespectador, o gato, as crianças, o cachorro - repousam no colo de Morfeu. A onda de tédio expelida pela tela de TV foi tão avassaladora que é impossível acordá-los.

Mas, a TV continua falando sozinha:

- Beltrano, você estava falando sobre o que aconteceu em Nova Iorque....

-Sim, Fulano, um porta-voz da Casa Branca informou que o número de mortos pode chegar a três mil...

-Ok, Beltrano. E, gente, adivinhe só o que vem aí: a previsão do tempo...Mariazinha, como estará o tempo em Rondônia ?

Adormecidos, os telespectadores, gatos e cachorros atingidos pela STT emitem, a essa altura, um ronco que se espalha pela cidade: só perde, em intensidade, para o chatíssimo, o insuportável, o inaudível, o interminável blá-blá-blá do TC (Telejornalismo Conversado).

A STT é incurável. Mas, como há males que vêm para o bem, ela tem uma grande vantagem: acaba de uma vez por todas com toda e qualquer crise de insônia.

É GRAVE A CRISE

A literatura brasileira ficou irrelevante, com as exceções de praxe. Uma literatura que produz uma média de dois livros imperdíveis por ano caminha, célere, para conquistar um lugar de honra no Salão dos Vexames.

A música brasileira ficou irrelevante, com as exceções de praxe. Nem faz tanto tempo, os senhores ouvintes contavam os meses para degustar o novo disco (!) de um Caetano Veloso, um Paulinho da Viola, um Jorge Ben, um Gilberto Gil, um Chico Buarque & Cia.

Façam as contas: qual foi a última música "assoviável" que um desses rapazes produziu ?

Faz tempo, faz anos, faz décadas.

As musas entraram em greve por tempo indeterminado.

QUE FALTA FAZ UM CONSELHEIRO NA HORA CERTA....

Que falta imensa faz um conselheiro que fosse capaz de :

a)avisar a Roberto Carlos que, pelo amor de Deus, aquelas ombreiras são o artefato mais patético já exibido por um ser bípede num palco do planeta Terra;

b)dizer àquela atrizinha grosseiríssima chamada Suzana Vieira que ,para o bem de nossos olhos e ouvidos, ela deveria, urgentemente, alugar um bom canil no Retiro dos Artistas e ficar lá por todo o sempre,amém, ocupada em fazer tricô; não em nos chocar com demonstrações de estupidez,falta de educação e pretensão descabida;

e assim por diante.

15 de abril de 2009

"REPRESENTÁVAMOS EM CIDADES ONDE HOJE EU RECUSARIA SER ENTERRADO, MESMO QUE O FUNERAL FOSSE DE GRAÇA E ELES OFERECESSEM UMA LÁPIDE COMO BÔNUS"


FESTIVAL GROUCHO MARX - 5
"Bem, voltemos ao show business. Representávamos em cidades onde hoje eu recusaria ser enterrado, mesmo se o funeral fosse de graça e eles oferecessem uma lápide como bônus.Quase todos os atores do grupo eram relativamente amigos - a menos, claro, que um dos atos tivesse um sucesso muito grande. Depois das matinês, geralmente íamos jantar juntos. Todos, exceto Tiger Smith. Uma vez lhe perguntei por que não ia conosco:- Groucho, você acha que sou louco? Se você acha que vou pagar um dólar só para comer um jantar, está ruim da cabeça! Comida é comida - e certamente não vou desperdiçar eu dinheiro numa coisa tão idiota quanto essa.Como na lanchonete mais barata que posso encontrar e minha comida nunca custa mais do que alguns trocados.-Mas, Tiger, você não acha que pode adoecer com esse tipo grude ?-Nunca fiquei doente na vida !-E como você faz ? Você tem alguma fórmula secreta ?-Bom,assim que termino de comer - confidenciou - não importa se estou enjoado ou não, tomo duas colheres de bicarbonato de sódio. Depois disso, fico novinho em folha !Depois de nossa turnê, perdi contato com ele. Alguns anos mais tarde, li seu obituário no Variety. Dizia que Tiger Smith tinha morrido de pedras nos rins causadas por excesso de bicarbonato de sódio"


FESTIVAL GROUCHO MARX - 4
"Muitos médicos recomendam dormir no chão se você chega em casa tarde e meio pifado ou, em termos médicos, "com o fogo aceso". Eu,na verdade, aconselho você a se esquecer dos médicos e a dormir no chão quando estiver sóbrio. Muitas coisas recomendam isso. Para começar, você elimina o custo de uma cama. O dinheiro que você economiza assim pode ser usado para ficar bêbado outra vez. Além disso, se você dorme no chão, não há perigo de cair - a menos que você esteja dormindo perto de um buraco"


FESTIVAL GROUCHO MARX - 3
"O show business é a única profissão existente em que um homem pode ganhar uma razoável fortuna apenas por ficar dentro da pele de um gorila"


FESTIVAL GOUCHO MARX - 2
"Já tentei ser o alegre membro de algum bom clube, mas, depois de um mês e pouco, minha boca sempre começa a doer pela pressão dos meus dentes num sorriso falso. A pseudo-amizade, os apertos de mão moles e os extra-fortes ( ambos deveriam ser abolidos pelo Ministério da Saúde) não são para mim. Isso também é valido para o caloroso tapinha nas costas e a cascata generalizada à qual você é submetido por todos os chatos da América dos quais você fugiria imediatamente se não estivesse preso na sede do clube"(Idem)


FESTIVAL GROUCHO MARX - 1
"Acho que se os críticos de Nova York empacotassem suas máquinas de escrever e se mudassem para a Mongólia e lá ficassem por uns dez anos, o teatro floresceria outra vez, como floresceu no começo do século - apesar da concorrência da televisão,cinema,salões de boliche e sexo"("Groucho & Eu")


5 de abril de 2009

AVISO A LEITORES INOCENTES : NÃO CAIAM NO GOLPE DE UM PICARETA LITERÁRIO CHAMADO BERNARDO CARVALHO! O LIVRO "O FILHO DA MÃE" É UMA EMPULHAÇÃO!

A pedidos, o Sopa de Tamanco republica um post que serve como resenha coletiva de nove livros, todos de autoria daquele que,sem qualquer exagero, pode ser apontado como a maior fraude literária das últimas décadas no Brasil: o sub-escritor Bernardo Carvalho.

Agora que um novo título do sub-escritor chega às prateleiras das livrarias ( "Filho da Mãe"),
a resenha há de servir como aviso a leitores incautos: não gastem dinheiro com esta empulhação sem precedentes na história da literatura brasileira.

O motivos são explicados abaixo.

Resenha dos livros Onze (romance); Os Bêbados e os Sonâmbulos (romance); Teatro (romance); As Iniciais (romance); Medo de Sade (romance); Nove Noites (romance); Mongólia (romance) ; O Sol se Põe em São Paulo (romance) e O Filho da Mãe (romance):

PROTESTO! DICIONÁRIO DO AURÉLIO COMETE FALHA NO VERBETE "LIXO". FALTOU UM NOME LÁ!

Atenção, editora do Dicionário do Aurélio, o Pai dos Burros ( ou seja :nosso pai) : há uma falha grave na edição de papel! Tomara que o deslize seja corrigido na próxima edição.O Dicionário dá como sinônimos de lixo "entulho ; tudo o que não presta e se joga fora; sujidade, sujeira, imundície; coisa ou coisas sem valor". Faltou concisão ao autor do verbete. Poderia ter resumido a palavra a lixo com uma apenas uma frase,claríssima : lixo = o mesmo que livro de Bernardo Carvalho.Todo mundo entenderia.

Porque lixo que é lixo fede de tão ruim. Livro de Bernardo Carvalho fede. Lixo que é lixo não pode ser manuseado, porque provoca náusea. Livro de Bernardo Carvalho provoca náusea. Lixo que é lixo dá vontade de vomitar. Livro de Bernardo Carvalho dá vontade de vomitar. Ninguém me contou: eu vi, porque manuseei um. Em resumo: livro de Bernardo Carvalho é o sinônimo perfeito para a palavra lixo, mas o dicionarista preferiu complicar a explicação.

Justiça se faça : não é que o tal livro seja podre. Papel não fede. A podridão é literária. Ou seja: o fedor de lixo emana do conteúdo. Livro de Bernardo Carvalho é - apenas - inapelavelmente ruim, pretensiosíssimo, entediante, chatíssimo, soporífero, estupefaciente, vomitivo, ilegível, horroroso.

O simples fato de livro tão ruim chegar à prateleira das livrarias, com a chancela de uma grande editora, é um atestado da indefensável mediocridade de nossa paisagem cultural. Há pecados que até se perdoam num candidato a escritor. Mas a pretensão descabida é pecado mortal.

Sério: um candidato a escritor precisa, obrigatoriamente, avaliar o próprio tamanho, antes de teclar a primeira frase. Se um jornalista tiver a plena consciência de que, em última instância, não passa de um aplicado coletor de declarações alheias, terá - por exemplo - grandes chances de produzir boas peças jornalísticas. Tudo se resume a não querer enganar a platéia dando um passo maior do que as pernas.

Já pensou se um desqualificado como Bernardo Carvalho tivesse a pretensão de escrever como, por exemplo, Camus? Mas ele tem. O desastre mora aí ( neste momento, a platéia solta, em uníssono, um suspiro de desalento: "Meu Deus, ele tem....").

Se um picareta literário, cego pela pretensão descabida, comete o gravíssimo pecado de se julgar um romancista de recursos, a estrada para o desastre estará aberta. É o que acontece com livro de Bernardo Carvalho, um picareta literário que se julga perfeitamente qualificado a cobrar dinheiro para ser lido...(afinal, o que faz um autor que publica livros? Cobra dinheiro para ser lido. O problema é de qualidade. Cassandra Rios, autora quinhentas vezes superior a Bernardo Carvalho, porque não cometia o pecado mortal da pretensão descabida, poderia perfeitamente cobrar para ser lida. José Mauro Vasconcelos, autor com zero grau de pretensão descabida, e, portanto, seiscentas vezes superior a Bernardo Carvalho, poderia cobrar para ser lido. Bernardo Carvalho não pode cobrar, porque os seus livros são empulhações indefensáveis para ludibriar leitores. Livro de Bernardo Carvalho deveria ser distribuído de graça para as empresas de lixo).

Imagine um débil mental habitante de um paiseco subdesenvolvido desfilando de cachecol por bares como se estivesse na Paris do século XVIII e arrotando draminhas existenciais ( a platéia se contorce de riso diante de tal cena: quá-quá-quá-quá) . Se uma criatura com este perfil se sentasse diante de um teclado para escrever, o que sairia ? Um livro de Bernardo Carvalho.

Nem quero teclar o nome do livro que inspirou estas reflexões sobre o sentido da palavra lixo. Quero evitar que outros incautos, movidos pela curiosidade, cometam a estupidez que cometi: joguei fora um dinheiro que poderia ter sido gasto com um bom sanduíche acompanhado de um milk-shake. Bem feito! Dinheiro jogado lixo! Quem mandou comprar lixo disfarçado de livro?


postado por Geneton Moraes Neto # 6/30/2007 12:07:00 PM

18 de março de 2009

ETA, ETA, ETA ! É SANGUE DE... IBOPE


Leio no Globo que tentam ressuscitar o América Futebol Clube. Acho que não vai dar em nada. Com otimismo, é possível que a iniciativa chegue a alguma praia...
O América deve ter começado a morrer quando inventaram que era a segunda equipe de todo carioca. Ora, desde Nelson se sabe: a única segunda que dá ibope é a amante.

17 de março de 2009

ANTRO


Fosse só o túnel... O problema são os fantasmas.

15 de março de 2009

UM INFORME SOBRE O LIVRO "ELZA, A GAROTA". OU : O DIA EM QUE O LOCUTOR-QUE-VOS-FALA FEZ UM FAVOR À LITERATURA BRASILEIRA

Aos fatos: o editor Alberto Schprejer me procurou no ano passado porque queria fazer um convite. Que tal escrever um livro-reportagem sobre um caso que sempre foi tabu na história do Partido Comunista Brasileiro - o "justiçamento" de uma menina de dezesseis anos de idade chamada Elza, no já remotíssimo ano de 1936 ? Suspeita de traição, ela foi executada num rito sumário, por ordens da direção do Partido. Método: estrangulamento.

Não é um tema fácil, porque pode se prestar a todo tipo de manipulação ideológica. Elza é, literalmente, um esqueleto no armário da esquerda brasileira.

Diante do convite, o meu detector de matérias emitiu, na hora, um ruído característico que, discretamente, invade os meus tímpanos em situações semelhantes : um clique inconfundível, exatamente igual ao disparado por aqueles equipamentos que os técnicos usam para detectar sinais de radiação. Habemus matéria!

A pauta renderia, claro, uma bela reportagem, estritamente factual, sem qualquer contaminação ideológica.

(Sou repórter, não sou militante. Como personagem jornalístico, George Walker Bush me interessa tanto quanto - por exemplo - Vladimir Ílitch Uliánov, o popular Lênin. Eu daria tudo pela chance de entrevistar um ou outro, desde que Lênin fosse capaz de se levantar do velório que já dura oitenta e tantos anos no mausoléu da Praça Vermelha - e George Bush tivesse a idéia luminosa de me convidar para uma rodada de gravações exclusivas no rancho onde se enclausurou, no Texas. Os dois dariam excelente matéria-prima jornalística. Quem quiser fazer militância política que se inscreva num partido. Ponto. Parágrafo).

Ocupado com outros projetos, agradeci ao editor a lembrança do meu nome como possível autor do livro-reportagem. Entre uma e outra garfada num prato modernoso que, a bem da verdade, não deixou sinais de saudade no meu paladar, indiquei, informalmente, os nomes de dois jornalistas que poderiam dar conta da tarefa: Sérgio Rodrigues e Fernando Molica.

Não estou cometendo qualquer indiscrição ao citar esta cena (banal) dos bastidores da nossa paisagem editorial.

Sérgio Rodrigues levou adiante a empreitada.

É aí que a porca torce o rabo. Porque quero fazer uma confissão: ao recusar, por absoluta falta de tempo, o convite para fazer o livro-reportagem, terminei prestando, sem saber, um grande favor à literatura brasileira.

Neste momento, uma mão se ergue lá no fundo da sala: "Desembucha! O que foi que houve? Quer contar logo o que foi que aconteceu ?".

Quero: se eu tivesse feito o livro sobre Elza, teria produzido, apenas e tão somente, uma reportagem - ou uma série de entrevistas. É a única coisa que sei fazer. Um livro estritamente jornalístico sobre a garota Elza poderia, por sinal, ficar bom. Por que não ?

Mas Sérgio Rodrigues deu um passo adiante.

Diante da escassez de material jornalístico sobre o assunto, partiu para uma empreitada ousada: resolveu escrever um livro em que intercala o estritamente factual com páginas de ficção descarada.

Fez um golaço, porque a mistura entre fato e ficção foi felicíssima. Declaro, portanto, diante deste tribunal, que prestei um grande favor à literatura brasileira : ao recusar o convite para tocar o projeto, deixei, casualmente, o caminho "livre" para que um autor inspirado entrasse em cena e produzisse, a partir da história da garota Elza, uma mistura empolgante de ficção com verdade histórica, algo que eu jamais faria, por incapacidade técnica.

Dizei-nos, Paulo Coelho: a vida pode ou não pode ser uma miríade de acasos ?

O que interessa é que o livro "ELZA, A GAROTA", recém-lançado pela Editora Nova Fronteira, é arrebatador. Sérgio Rodrigues criou dois belos e apaixonantes personagens: Molina - um jornalista de quarenta e seis anos que já se deixara envenenar por uma mistura de "tédio e cansaço" - bate na porta de um apartamento de dois quartos, no bairro do Flamengo, à procura de um tal de Xerxes, um nonagenário que publicara um anúncio esquisito nas páginas de classificados de um jornal. Queria alguém que pudesse ajudá-lo a escrever suas memórias.

Um trecho:

"A primeira coisa que lhe chamou a atenção foi que o velho falava como se escrevesse, vírgulas e tudo. Tamanho poder de articulação era coisa de um outro tempo, e foi só então que a idade quase impossível do homem - noventa e quatro, estava no jornal - desabou na sala diante dele como um rochedo, um totem, uma pirâmide".

A partir daí, as 236 páginas passam voando.

Em uma frase: "ELZA, A GAROTA" é um dos melhores livros brasileiros lançados nos últimos tempos.

Feita esta declaração, o autor-que-foi-sem-nunca-ter-sido desliga o terminal de computador, apaga a luz, fecha a porta e, como na letra daquela música antiga de Paulinho da Viola, desaparece na "poeira das ruas", não sem antes recomendar aos navegantes : correi para as livrarias.

13 de março de 2009

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO



9 de março de 2009

ANTES DO FIM

Antonio Canova, Eros et Psyché, 1792

O MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO DECIDIU PRORROGAR ATÉ 22 DE MARÇO A EXPOSIÇÃO DO ARTISTA PLÁSTICO VIK MUNIZ. DIANTE DISSO, O SOPA DE TAMANCO RESOLVE PUBLICAR PÁGINA DO DIÁRIO DE VIAGEM DO PINTOR RONALDO DO REGO MACEDO. A IMAGEM QUE ILUSTRA O POST É SUGESTÃO DO PINTOR.



O que é o poder da mídia, a força do mercado nesses tempos de descaminho!

Estive no MAM, onde fui ver a exposição de Vik Muniz. O museu estava cheio como poucas vezes acontece; o público, encantado, excitado por identificar os detalhes das obras. Mas a exposição é tremendamente monótona, enfadonha mesmo. Uma grande hipérbole fotográfica, uma piada que se repete, que se repete, se repete.

A construção das imagens, a produção das cenas são explicadas em detalhes: aqui, um desenho do Drácula de chocolate serve de modelo; ao lado, uma Marilyn de diamantes é o modelo da foto. Tudo é simulacro: o real esvaziou-se de realidade, passou a ser editado fotograficamente. Hipereditado, no Cybachrome da Kodak. O real foi completamente excluído. Ao mesmo tempo, todas as imagens fotográficas são facilmente reconhecidas: uma catedral de Monet, sua Japonesa, a Medusa de Caravaggio, uma paisagem de Nova Iorque, outra do Rio, trabalhadores num lixão para dar o tom social, retratos de Liz Taylor, Frankenstein, Santo Antônio, essas coisas.

É uma exposição espetacular. E fácil. Rasa. Lisa como uma folha de plástico, onde o artista passa ao lugar de diretor de arte competentíssimo e estratégico. O público, que inclui escolares, adora. Senhoras distintas que conhecem Louvres, MOMAs e Beaubourgs deliram com fina discrição. Tudo é facilmente reconhecido, perversamente vazio, sem alma, perfeitamente pós-moderno.

Vale a pena. Se você, prezado leitor, ainda não viu, não perca. Corra; a exposição está nos últimos dias. Depois, você nunca mais vai precisar ver de novo. Nunca mais.

11 de fevereiro de 2009

O DRAMA DE MORAR DIANTE DE UMA IGREJA: "O VERSO MAIS INTELIGÍVEL QUE ESCUTEI ATÉ AGORA FOI CANTADO EM ZÉ-RAMALHÊS ARCAICO"

Do blog de Marconi Leal (http://www.marconileal.com) :


Senhor meu Deus e meu Pai, Espírito Santo, Jesus, Criador Onipotente, Divino, Altíssimo, Maior de Todos, Fura-Bolo e Cata-Piolho, digo logo todas as vossas patentes, ó Deus, que é pra prece não ter erro e não vir ‘message delivery failure’, Senhor, que eu tampouco entenderia, ó Eterno, pois não domino o latim. Até bem pouco tempo atrás, meu Jesus, o mais próximo que chegava da eternidade era tentando acessar o site do Banco do Brasil, ó Deus. É bem verdade que passaria por experiência metafísica mais profunda, Criador, se depois de acessada a página do banco, esperasse ali até que surgisse algum dinheiro na minha conta, ó Senhor Meu Deus e Teu Pai, digo, ó Seu Deus e Meu Senhor, bem, ó Meu Seu Deus Senhor, ah, ó Uma Das Duas Coisas. Mas peço que desconsidere esta última carência de esperança, meu Batman Divino, porque para explicá-la teria de usar conceitos quânticos, Grande Luz, e meus conhecimentos na área só vão até a lei da gravidade, e mesmo assim quando estou deitado, ó Holy Cow. Fora isso, chegava muito perto da transcendência mística quando provava um pastel de Santa Clara, Cristo-Jesus, e já tive epifania uma vez com alho-poró frito ao molho de alcaparras, Santo Deus. Em suma, meu Delfim Netto do Ar, ainda que desconheça testemunho de fé maior que torcer pelo Sport, Jesus, a verdade é que nunca fora um homem religioso, Maomé. Analogia que nem bem se sustenta, porque todos sabem que o Sport disputa a Primeira Divisão há alguns anos e o Senhor, perdoando a franqueza e pedindo que não jogue um raio na minha cabeça como é de vosso santo costume, ó Generosíssimo, há pelo menos dois séculos que está na Segundona, Criador dos Céus, da Terra e da Julianne Moore. Admiro a fé do brasileiro e até acho, ao contrário de muitos, que faremos um papa um dia, Stephen King do Bem. Basta para isso que a estupidez ou a idiotia virem religião, Onisciente meu. Mas a verdade é que, em matéria de pátria espiritual, bem sabeis, Segunda do Plural, nasci dentro de um filme sueco, ó Bob Pai. Porém, há alguns meses moro diante de uma igreja neopentecostal, meu Pastor E Nada Me Faltará. E devo dizer que é inacreditável o poder que essas instituições têm de converter infiéis a Ti, ó Glória Aleluia Eparrê Três Toques Na Madeira. Fui convertido pela música, ó Abstração Antropomórfica. Imagine Vossa Transcendentíssima que a instituição, caridosa que é, conta com um coro de Gagos Traqueostômicos com Parkinson que é das coisas mais belas que apareceram no Hemisfério desde a gripe espanhola, ó Cristo. Faz lembrar Beethoven, ó Zana. Sobretudo pela vontade de ficar surdo que a gente tem ao ouvi-lo, ó meu Niemeyer Mais Novo. Se alguém duvida do Pentecostes, precisa vir aqui aos domingos, Pai. O verso mais inteligível que escutei até agora foi cantado em zé-ramalhês arcaico, ó meu Platão Para as Massas. E posso até estar enganado, mas acho que os cânticos deles, dada a clareza, são traduzidos pela ferramenta de idiomas do Google, Criador Meu. Em suma, ó Deus, quero dizer que me converti a Vossa Humilde Pessoa Infinita e Onipotente graças a esses abnegados cristãos, e agora me ajoelho aqui humildemente, ó Salgador da Mulher de Lott, pedindo que volteis, meu Cristinho Querido. Ó Nazareno, vós que morrestes na cruz, bem sabeis o que é a tortura, e olha que naquela época nem existia o horário nobre da TV. Senhor meu Deus e meu Pai, volta logo, meu Deus, para que não tenha que ouvir ganidos às dez da noite, e possa ter paz, ó Antonomásia Maior. Que venha o Vosso Reino, Jesus, e a gente aqui em casa não caia em tentação e acabe arrancando os tímpanos com um alicate de unha. Que seja feita minha vontade, aqui na sala como no quarto, e prometo até parar de ler Voltaire e escutar um disco inteiro de Frejat, ó Pai. Aleluia Deus, Amém, Para Sempre Seja Louvado, Te Deum Laudamus, De Rerum Natura, Santo, Santo, Santo, o Jipe do Padre Fez um Furo no Pneu, sem mais subscrevemo-nos etc., ect.

8 de fevereiro de 2009

O LAMENTO DE NÉLSON RODRIGUES: FALTA APELO DRAMÁTICO À NOSSA REALIDADE. POR QUE SERÁ QUE NINGUÉM HOJE QUER MORRER, NINGUÉM HOJE QUER SE SUICIDAR ?

Nelson Rodrigues (entrevista completa em http://www.geneton.com.br/archives/000012.html):

"Agora, a nossa realidade está realmente muito pobre, muito vazia, sem um certo apelo dramático. Ninguém hoje quer morrer, ninguém quer se suicidar !"

"A ALEGRIA DOS BRASILEIROS NUNCA PASSOU DA MAIOR LENDA URBANA DO MUNDO"

Ivan Lessa em http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/090128_ivanlessa.shtml :

A verdade é que eu sempre acreditei que a alegria dos brasileiros, seja por suas gentes rebolando no carnaval e nas praias, nunca passou da maior lenda urbana do mundo.
Lenda urbana sem óleo de bronzear e com lança-perfume.
Somos fundamentalmente tristes. O produto de três raças tristes. Na frase célebre e discutida frase de Paulo Prado.
Só o fato de discuti-la me parece de uma tristeza infinita.

Cansei, pois, de nossas tristezas. Em busca de uma certa sobriedade, um devido meio-termo, nos anos 30 de minha existência, vim para Londres.
Tudo bem. O corretivo funcionou. Parece que até demais, fico sabendo agora.

"POR FAVOR, TENTEM DAR UM SOQUIHO NA MINHA BARRIGA. OUVIRAM UM SOM ESTRANHO? É QUE HÁ UM REI DENTRO DELA"

Do blog de Alexandre Soares Silva: ( texto completo em http://www.apostos.com/soaressilva/2003/08/eu_odeio_gentecomoagente.html ):

Às vezes sinto o impulso de confessar algo vergonhoso, como por exemplo – e é verdade – que gosto de filmes com Julia Roberts e Sandra Bullock – não, que amo esses filmes - e que gostei de As Panteras II – como não gostar de Cameron Diaz dançando e tropeçando? Sério que não sei como -, mas daí sei que corro o risco de parecer gente como a gente, ou pior ainda, de parecer que estou querendo parecer com gente como a gente – como essas pessoas que sempre repetem que estão acima de discussões políticas porque estão mais interessados nos seios da mulher da padaria, ou qualquer outra coisa vulgar assim que essa gente adora. E tenho nojo de gente como a gente. Por favor tentem dar um soquinho na minha barriga – ouviram um som estranho? É que há um rei dentro dela.

O DIA EM QUE MINHA JAQUETA DE COURO IMAGINÁRIA DESAPARECEU PARA DAR LUGAR A UMA TÚNICA BRANCA

Do blog do multitalento Fernando Ceylão:
( texto completo em http://bloglog.globo.com/fernandoceylao )


Sexualmente nula, foi assim a minha primeira vez. Conversamos por trinta e sete minutos. E ao final, ela disse que eu era muito educado. Esse elogio fez a minha jaqueta de couro imaginária desaparecer e dar lugar a uma túnica branca. Ouvir alguém dizer que você é educado depois de fazer sexo é péssimo. Voltei pra casa me sentindo uma dama. Eu demoraria pra entender que a vitalidade de primeira é pra poucos.

Eu nunca consegui fazer sexo sem pensar naquela lente de contato colorida. Sempre, sempre lembro dela. Da cor. Do efeito que ela causava, dando um caráter velado e sem brilho pro olhar da prostituta tijucana. Naquela noite eu e a linda virgem combinamos o programa que nos era permitido pela mãe castradora, ir ao cinema. “Como água para Chocolate” havia saído de cartaz. Fomos ver “Perfume de Mulher”. E eu não perdi um só minuto do filme do Al Pacino cego e ganhador do Oscar. Eu não precisava mais abandonar o amor pelos filmes na batalha pelo amor proibido. Ao sair do cinema, imitava um dos meus maiores ídolos de todos os tempos.

- Whoo-ah.

E eu era feliz.

7 de fevereiro de 2009

ATENÇÃO! UM LEVE ABALO SÍSMICO ATINGE A ABADIA DE WESTMINSTER. É LAWRENCE OLIVIER SE REVIRANDO NO TÚMULO A CADA VEZ QUE UM ATOR CANASTRÃO ABRE A BOCA

O blog de Nelson Vasconcelos (http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/nelson/) já iniciou os trabalhos para eleger o ator mais canastrão do Brasil. O vencedor será agraciado com o Troféu Alberto Roberto. O populacho já começou a se manifestar no espaço destinado aos comentários.

O Sopa de Tamanco abre o voto: José Wilker. É absolutamente improvável que, nos próximos decênios, surja em algum ponto do planeta terra um ator tão canastrão.


Deus do céu: o que são aqueles olhos que sempre ficam semicerrados em cena, como se estivessem tentando enxergar uma agulha no chão? Se tal movimento das pálpebras foi concebido para dar expressão e profundidade às falas, devo dizer que a tentativa não funcionou. Não poderia funcionar.

(Uma informação sísmica: a cada vez que tais trejeitos aparecem na tela, há um leve tremor de terra nos arredores da Abadia de Westminster, em Londres. É Lawrence Olivier se revirando no túmulo, abismado com a profundidade do poço em que a arte de representar foi jogada nestes confins da América. Tais abalos sísmicos se repetem com notável frequência a cada vez que sumidades como Victor Fasano, Humberto Martins, Vera Fischer ou José de Abreu - pateticamente embrulhado numa túnica branca na novela da oito - abrem a boca ou se movem em cena. O governo inglês já pensa em enviar uma carta formal de protesto à embaixada brasileira em Londres. De tão repetidos, os abalos já começam a comprometer as estruturas da portentosa edificação).

Quanto ao voto do Sopa de Tamanco para o ator JW: o que dizer da coleção de óculos? E o gestual ? E a entonação ? E a pretensão? O Canal Brasil exibiu o filme "O Maior Amor do Mundo". A atuação do rapaz é um monumento audiovisual completo, definitivo e insuperável à canastrice. Não há nada igual. Nunca houve. Jamais haverá.

PS: A bem da verdade, há, sim. Podem convocar uma junta formada por luminares agraciados com nobéis de Química, Física,Literatura e Medicina. Nenhum dos gênios seria capaz de decifrar o significado oculto da expressão de eterna catatonia que Vera Fischer exibe, há anos, nos vídeos e nas telas. Se ficassem confinados num quarto contemplando vídeos das atuações de VF, cedo ou tarde os luminares seriam obrigados a dar por encerrados os trabalhos, porque chegariam à conclusão de que a Ciência simplesmente ainda não dispõe de meios confiáveis para explicar o que se passa no espaço entre a testa e o queixo da atriz quando ela começa a representar. O mistério permaneceria intocado. Em compensação, as pedras de Westminster balançariam dia e noite.

A TV FALA AO TELESPECTADOR COMO SE O TELESPECTADOR FOSSE UM BEBÊ DEITADO NUM CARRINHO: "GUGU-DADÁ-NANA-NENÉM"

Com a autoridade de quem nunca pôs os pés numa emissora de televisão, mas é um telespectador razoavelmente assíduo, um amigo fez uma observação certeira:

"Você por acaso já notou que, em noventa por cento dos casos, a TV, especialmente a aberta, se dirige ao telespectador como se ele fosse um débil mental ou, na melhor das hipóteses, uma criança de um ano e cinco meses incompletos ?".

Depois de treze segundos e meio de profunda reflexão, fui obrigado a concordar.

O amigo deu exemplos "a mancheias".

Arrematou:

"Pode ver que, na grandessíssima maioria dos casos, a TV fala ao telespectador como se o telespectador fosse um bebê deitado num carrinho. O adulto se debruça e começa a produzir sons absolutamente ridículos, sem qualquer sentido, para tentar uma comunicação com o pobre coitado. O bebê contempla a cena patética. Se pudesse falar, diria: "Que grandessíssimo idiota é esse?". Como não fala, acompanha, em silêncio, aquele espetáculo deprimente de frases capengas, caretas, trejeitos. É exatamente o que acontece com a TV! Já notou que, até na hora de dar boa-noite, a TV trata o telespectador como se o telespectador fosse um debilóide? São sempre aquelas frases tatibitates, pronunciadas em tom pretensamente simpático... Só faltam nos dizer: "Agora, o bebezinho vai memê o jantar pra depois ir mimi...". Em duas palavras: não dá".

Concordei em silêncio, como se fosse o bebê. Mas não imaginei nenhum insulto ao meu amigo, pela simples razão de que ele estava certo, certíssimo, absolutamente certo no que dizia.

O FIM DA CIVILIZAÇÃO: CHAMARAM IVETE SANGALO PARA FALAR DE MACHADO DE ASSIS NA TV!

Do blog de Marconi Leal: (http://www.marconileal.com) :

VISITANDO MACHADO DE ASSIS NO INFERNO

Já contei sobre o que me ocorreu no dia do centenário de morte de Machado de Assis? Se contei, repito, porque a memória de vocês é péssima. O que muito certamente decorre do hábito de lamber papel de seda. Segundo pesquisas recentes, o contato da saliva com o papel de seda é a segunda maior causa de perda de memória em todo o mundo. A primeira, claro, é eleger-se para cargo público.

Digo, portanto, o que me ocorreu. E é simples: nasci, como vocês, na República Federativa do Clichê. Ora, países erguem monumentos a seus artistas maiores ou constroem museus em sua homenagem. Já aglomerados de mestiços com certa tendência a batucar em caixas de fósforo e alguma propensão ao roubo, como o nosso, fazem algo mais cordial: para homenagear o único gênio que conseguiram produzir - certamente graças ao reumatismo de algum cegonha que evitava climas frios -, assassinam suas criações em minisséries ou põem especialistas em literatura como Ivete Sangalo em seu principal telejornal para falar sobre como Machado era jóia, meu nego, oxente, lindo, n’era não?

Vi aquilo e, meia hora depois, quando com a ajuda de minha mulher e de um pé-de-cabra consegui repor o queixo no lugar, resolvi fazer a única coisa que me restava, já que tenho terrível alergia a alojar balas nas têmporas: visitar o Velho e saber dele se tinha visto o que vi e o que achava de tudo aquilo.

Ora, vocês que além de desmemoriados são de uma ignorância de apresentadora de TV, não sabem. Mas o Aqueronte é um dos afluentes do Tietê e, como tal, leva ao inferno (não me refiro, óbvio, à Marginal). Logo, coloquei minha roupa de Teseu, que deixo preparada especialmente para essas ocasiões, peguei o ônibus 875M e, saltando, desci até o ponto exato em que o rio se abre para dar passagem a seres mitológicos e obras do metrô (não revelo a localização para que amanhã não apareça por ali uma série de sujeitos vendendo churrasquinho, tocando axé music e gritando: “Inferno é dez real! Tá acabando, bora! Inferno é dez real!”) e prossegui em minha peregrinação para o reino de Hades, eu e mais três cocôs que conheci no caminho.
Para encurtar: ao final de uma longo trajeto me vi diante de duas placas - à esquerda, Inferno Cristão; à direita, Hades. A entrada do inferno cristão era toda revestida de mármore italiano, contava com porteiros de libré e ar-condicionado central. A do Hades era uma picada coberta de sapos e até o Lasciate ogni speranza voi que entrate estava com as letras apagadas. Vejam vocês o que dois mil anos de cristianismo não fazem com a cultura.

Passei por Cérbero, que apenas miou, desdentado, e segui para a margem do rio, onde Caronte recolhia os mortos. Aproximei-me do velho barqueiro e lhe entreguei duas moedas de cruzados novos. Então percebi que o homem na verdade era Borges, o que me deixou alegre com a ironia, por um lado, e preocupado com a viagem, por outro, pois o barco seria obviamente guiado por um cego. Por via das dúvidas, roubei uma das moedas de volta.(CONTINUA)

2 de fevereiro de 2009

FESTIVAL MAX NUNES - 5

"Novo dispositivo interno para moralizar a Câmara: nenhum deputado poderá sair antes de chegar."

FESTIVAL MAX NUNES - 4

"Com os métodos modernos de rejuvenescimento, as pessoas estão morrendo cada vez mais jovens."

FESTIVAL MAX NUNES - 3

"Como é que essa gente que não faz nada durante o expediente pode saber quando acaba o serviço?"

FESTIVAL MAX NUNES - 2

"Segundo a Bíblia, Deus fez o mundo em seis dias – mas não ficou grande coisa."

FESTIVAL MAX NUNES - 1

"Por que tantas mesas-redondas são ocupadas por bestas quadradas?"

29 de janeiro de 2009

ERA LEGÍTIMO?

Não é costume nosso, mas, depois de deliberar em bem dosado simpósio, a redação do Sopa de Tamanco resolveu dar uma forcinha a uma concorrente que não anda lá muito bem das pernas. Por favor, confiram.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/01/090127_sofahomem_ac.shtml

27 de janeiro de 2009

ORTOGRAFIA


Reforma. Na fachada.

CORREÇÃO





O Sopa de Tamanco noticiou no mês passado, e em primeira mão, que a estátua de Drummond em Copacabana passaria a usar lentes de contato. A informação estava errada.

O poeta preferiu continuar com seu já tradicional óculo. Consta que para evitar constrangimento. As autoridades agradecem a compreensão.

Mas há quem garanta: Drummond está usando lente, sim. Uma só.

26 de janeiro de 2009

DUAS HORAS SEM RESPIRAR! AH, QUEM DERA....

Ah, as delícias da cultura inútil: o Discovery Channel acaba de informar que os crocodilos de água salgada são capazes de passar duas horas sem respirar quando estão submersos.

Fecham os olhos, param de respirar : quem olha pensa que estão mortos.

Duas horas sem respirar ! E de olhos fechados!

Confesso que morro de inveja dos crocodilos de água salgada.

Porque, se pudesse, eu também passaria duas horas de olhos fechados e sem respirar assim que começasse o Big Brother Brasil na TV.

Quando eu voltasse à tona, com certeza seria um ser humano melhor.

25 de janeiro de 2009

SAMBALÊLÊ

O post anterior reclama das abomináveis marchinhas de carnaval.

Apoiado!

....Mas o que dizer dos "sambas de enredo" ?

Pergunto-me: o engenho humano será, algum dia, capaz de produzir algo tão chato quanto ?

Duvido. São versos sem pé, sem cabeça e sem beleza, repetidos incessantemente por uma hora e meia, duas horas.

De vinte em vinte anos, um refrão se salva. Façam as contas. Não estou exagerando.

É por essas e outras que pretendo passar o carnaval numa cela desativada de Guantánamo.

É dez vezes mais divertido.

SOCORRO! HELP! VÊM AÍ AS MARCHINHAS DE CARNAVAL!

Cidadãos da República: é hora de rogar, com toda urgência, pela proteção dos céus.

Porque vêm aí aqueles temidos concursos de marchinhas de carnaval: um lastimável desfile de melodias primárias e letras paupérrimas, em geral embaladas por trocadilhos infames e piadinhas machistas.

Marchinha de carnaval: coisa típica de sessentões de cabelo pintado, barriga proeminente e senso de ridículo nulo.

Deus, protegei nossos ouvidos.

Tais concursos podem sem listados, sem margem de erro, entre as mais baixas manifestações da "cultura" brasileira.

Mas é claro que há horrores piores.

Ontem à noite, ao zapear pelo lixo televisivo, o olheiro do Sopa de Tamanco viu, no canal 17, uma cena inenarrável: um sujeito de bandana cantava animadamente aquela música que diz "meu-iá-iá-meu-iô-iô".

Detalhe: o elemento requebrava os quadris. Com certeza, julgava-se "sexy".

Imaginem, por um instante, o resultado da conjunção entre melodia, bandana e letra. O resultado: o horror, o horror, o horror.

O grande e único problema da humanidade é que estes bípedes se alistam entre
os que, desde a mais tenra idade, se mostram incapazes de praticar um exercício que lhes garantiria pelo menos um instante de clarividência e iluminação.

É assim: primeiro, deveriam se postar diante de um espelho. Em seguida, com voz pausada, com cuidado para pronunciar cada sílaba com a devida clareza, deveriam recitar o mantra:

"Senhor dos céus: um dia, nasci. Respondei: por quê ? Para quê ? Em nome de quê?".

O silêncio da resposta se derramaria sobre todas as bandadas - e se estenderia por todos os séculos.

23 de janeiro de 2009

JUMENTO CONFESSO

Minha orientação espacial é tal que o único empecilho teológico a minha conversão ao Islã, segundo vejo, é a obrigação de rezar cinco vezes por dia voltado para Meca. Dificuldade que não seria menor se em vez da cidade de Maomé o alvo das preces fosse a esquina aqui de casa.
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No colégio, era sempre expulso das aulas de Geografia graças a certo anacronismo que me faz considerar a Terra atual como se estivéssemos à época da Pangéia. E isso me causava enormes transtornos, sendo o primeiro deles não encontrar a porta de saída da sala.
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Um mapa-múndi produzido por mim seria o único a mostrar com clareza o movimento constante dos continentes, ainda que de forma mais acelerada. Sua comercialização, antevejo, traria inúmeras vantagens para as comunidades humanas, a saber: a Bolívia teria saída para o mar, a Irlanda se separaria da Inglaterra, o Piauí deixaria de existir e os políticos não saberiam a localização exata das Ilhas Cayman.
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Mas talvez provocasse algumas confusões: depois de inúmeros perigos e dias de travessia no deserto, os mexicanos cruzariam sedentos e faminos a fronteira com os EUA e perceberiam, decepcionados, ter entrado no Zimbábue.
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É bem verdade que minha desorientação é amadorística e nada comparável ao nível de excelência alcançado pelos paulistanos, que acham que a Geografia é uma ciência de esquerda, único motivo plausível que encontro para sua acirrada campanha contra ela. Para se ter uma idéia, jogando War outro dia com um amigo paulistano, ele venceu a partida ao conquistar Saturno. (Leia o resto do texto aqui)

22 de janeiro de 2009

PERGUNTA DO DIA: O SABOTADOR QUE CONCEBEU O CHAPÉU USADO POR ARETHA FRANKLIN NA POSSE DE OBAMA CONTINUA SOLTO ?


ERRO DE DIGITAÇÃO ACONTECE NAS MELHORES FAMÍLIAS E NOS PIORES BLOGS: "SOU INOCENTE", GRITA O REDATOR, ENQUANTO É LEVADO PARA O CADAFALSO

Uma leitora do blog de Nelson Vasconcelos no Globo on Line aponta um erro cometido num post do Sopa de Tamanco que listava, justamente, jumentalidades cometidas por jornalistas ignorantes.

Ou seja: parecia ser o caso de sujo falando de mal lavado.

Mas não!

Dessa vez, o que aconteceu foi puramente um erro de digitação.

É facílimo checar: em posts anteriores, a palavra tinha sido escrita corretamente inúmeras vezes. O Sopa de Tamanco não seria capaz de confundir "vos" com "voz".

Se confundisse, a redação desabaria. O autor do absurdo seria expulso do ambiente a chicotadas, sob aplausos. Nosso chefe imaginário aparecia na porta com um cinturão de balas pendurado nos dentes, duas bombas na mão esquerda e uma metralhadora giratória na direita.

Fuzilaria, sem piedade, o autor de tal absurdo, se o absurdo tivesse sido cometido. Mas não foi.

Tudo não passou de um tropeço involuntário - apenas um "z" digitado no lugar do "s" - na longa, árdua, terrível, acidentada e infinita batalha contra o Festival de Jumentalidades que Assola o País.

Aqui, ninguém diz "sombrancelha" nem "o óculos".

O último que disse foi imolado diante dos colegas: teve de engolir, página por página, um exemplar inteiro do Dicionário Houaiss, até tombar, inerte, vítima de indigestão tipográfica.

Quando nosso chefe descobriu que a vítima do castigo não fazia parte do exército de combatentes do Sopa de Tamanco (era apenas um contínuo que veio perguntar se alguém queria comprar "um óculos de sol"), era tarde. O castigo já tinha sido, injustamente, aplicado. Como consolo, o chefe providenciou uma cremação de luxo para o contínuo. A solenidade foi abrilhantada por um idiota tocando músicas de Roberto Carlos ao piano. Inesquecível.

O sacrifício de um inocente é sempre motivo de justa lamentação. Mas, como nem tudo se perde, a redação do Sopa de Tamanco guardará, por toda a eternidade, a lição e o exemplo: é assim que nosso chefe trata os que tratam o idioma pátrio a pontapés.

Nossa redação aprendeu, ali, que um país se faz com homens e livros - pouco importa que sejam homens inocentes devorando livros indigestos como castigo.

Assim, a atenta leitora do blog do nosso colega Vasconcelos pode ficar tranquila: tudo não passou de um lamentável - se bem que banal e compreensível - erro de digitação.

Como disse um javali dez segundos antes de ser devorado por um tigre gigantesco num daqueles documentários do National Geographic : a luta continua.

UM TIMAÇO DE ENTREVISTADOS ENTRA EM CAMPO!

AQUI, A MAIOR GALERIA DE ENTREVISTAS DA INTERNET BRASILEIRA:

ENTREVISTA COMPLETAS COM NELSON RODRIGUES, CHICO BUARQUE, IVAN LESSA, PAULO FRANCIS, CARL BERNSTEIN ( O REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS), JOÃO SALDANHA, PELÉ, FRANCISCO JULIÃO ( O LÍDER DAS LIGAS CAMPONESAS DOS ANOS SESSENTA), LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA ( AINDA SINDICALISTA), JOSÉ SARAMAGO ETC.ETC.ETC.

O MAPA DA MINA:

http://www.geneton.com.br

E MAIS:

*A VERDADE SOBRE COMO BRIZOLA SAIU DO BRASIL EM 1964: A PALAVRA DA ÚNICA TESTEMUNHA OCULAR DA CENA!
*A CONFISSÃO FINAL DE JÂNIO QUADROS SOBRE A RENÚNCIA: DOENTE, NUMA CAMA DE HOSPITAL, ELE REVELA TUDO AO NETO
*A INCRÍVEL HISTÓRIA DO ÚNICO BRASILEIRO QUE VIVEU A GLÓRIA DE MARCAR UM GOL NUMA FINAL DE COPA DO MUNDO DIANTE DO MARACANÃ LOTADO. DEPOIS DE PERDER A COPA, ELE TEVE UMA CRISE DE AMNÉSIA"

JOGADOR NÃO PRECISA NECESSARIAMENTE FALAR INGLÊS. PRECISA JOGAR. MAS.....

NÃO TERIA SIDO MAIS SIMPLES E MAIS FÁCIL SIMPLESMENTE PROVIDENCIAR UM TRADUTOR E DEIXAR O JOGADOR FALAR EM PORTUGUÊS ?

MAS NÃO.

O ELEMENTO FALOU EM INGLÊS.

JUMENTALIDADE!

PEQUENA PAUSA NA CAMPANHA CONTRA A JUMENTALIDADE : UM DESPACHO DO CAMPO DE BATALHA NA GUERRA CONTRA.....MOSQUITOS!

O Sopa de Tamanco faz uma pequena pausa na Campanha Contra a Jumentalidade para publicar o relato do tamanqueiro Marconi Leal sobre a saga que vem enfrentando desde que virou alvo preferencial de mosquitos enlouquecidos em São Paulo ( outras marconiadas podem ser acessadas no site http://www.marconileal.com/ ):


Aqui em Santa Cecília a natureza é fértil e abundante: acordamos com o trinar bucólico dos ônibus, vamos dormir com o melodioso piar da banda Kalypso no bar da esquina e ao cair da tarde temos epifanias escutando o afável gorjear dos vendedores de ovo e laranja.

Não raro, um carro equipado com Car System se perde do bando e nos embala com seu doce chilrar, característico das aves canoras, que se prolonga infinitamente até que a gravação fique rouca ou comesse a tossir.

De madrugada, somos despertados pelo suave farfalhar dos travestis e seu coro harmônico, insultando os clientes em lúdicos concertos de palavrões. No horário do almoço, a fagueira horda de passantes invariavelmente solta seus guinchos graciosos, repletando nosso espírito ao som de: “Assalto! Pega! Ladrão!”

Também temos nossos quadrúpedes, como o dono da oficina aqui do lado e seu salutar costume de testar motores à meia-noite. Além de nosso vizinho de cima, que pelos agradáveis barulhos que produz deduzimos trabalhar com adestramento de elefantes.

Logo se vê, portanto, que sou pessoa acostumada a conviver com animais, tendo inclusive o hábito de visitar meu cunhado nos finais de semana. Contudo, talvez por ter nascido pouco depois do paleolítico, desconhecia as dificuldades de socialização com criaturas pré-históricas, caso dos pernilongos de nosso bairro.

Comecei a achar que os pernilongos de Santa Cecília não eram mosquitos como quaisquer outros quando, certo dia, passei repelente para me proteger e um deles morreu. De rir. Com o hábito, descobri que os bichinhos não só comem o produto, como dão preferência aos da Johnson.

Para terem uma idéia da gravidade do problema, digo tão-somente que toda vez que essas afáveis criaturas aparecem por aqui, escuta-se a trilha sonora dos Gremlins. Quando fazem vôos de reconhecimento, trauteiam a Cavalgada das Valquírias. E outro dia pequei uma lendo o meu Petrônio.

Já tentei de tudo para mantê-las afastadas. Dentre outras coisas, distribuí dezenas de incensos pela casa, mas fui vítima de um terrível efeito colateral — comecei a cantar Hare Hare, Hare Krishna — e parei. Procurei usar então aqueles aparelhinhos com pastilhas e descobri que 35 enfiados em todas as tomadas e benjamins nossos, mais dois ou três do vizinho, resolviam. Porém, desenvolvi intensa alergia às contas de luz. Como último recurso, coloquei o disco natalino da Simone. Elas gostaram.

De maneira que desde que o verão começou venho distribuindo meu tempo entre coçar a pele, ver bolhas vermelhas crescerem e ler e reler o Gênesis, xingando de trás para frente, na versão católica e na luterana, toda a genealogia de Noé.

Especialmente ontem, tenho certeza de que os insetos vieram aqui para casa depois de fumar maconha, porque estavam obviamente de larica. Notei que haviam ultrapassado todos os limites ao ver um deles com turbante e camisa do Bin Laden, e resolvi ligar para a portaria:

— Antonio, você por acaso não teria aí um revólver?

— Vixe Maria, seu Marcônio, tá brigando com o pessoal da igreja de novo? — perguntou o porteiro, um rapaz muito prestativo, recém-chegado de Marte e, ao que parece, sofrendo ainda com o jet lag.

— Revólver, eu disse, não bazuca. É pros mosquitos. Tem ou não tem? Fala logo que desde Antonio até bazuca já engoli dois.

— Muriçoca? Ah, seu Marcônio, mas isso de muriçoca é só a gente não dar atenção.

Eis aí, gente esnobe, quanto vale a ciência popular. Graças às palavras desse ente evoluído, venho me dedicando à grata tarefa de fingir que não vejo os mosquitos ou de desviar o assunto para política quando me mordem: “Bem, como dizia Hobbes, o homem é o mosquito do homem” etc.

E desde que passei a empregar o artifício, a situação melhorou bastante. As picadas continuam as mesmas, é verdade, mas já consegui que os bichinhos, em crise de consciência, devolvessem minha mulher e a geladeira.

UM CLÁSSICO DA JUMENTALIDADE : A INCRÍVEL RESPOSTA DA CANDIDATA EM BUSCA DE UM PRÊMIO

Um clássico da jumentalidade!

O apresentador pergunta:

"Que órgãos humanos ficam alojados em cavidades ósseas chamadas órbitas ?"

A candidata responde:

"Astronautas!"

Aconteceu. Não é lenda.

O SOPA DE TAMANCO RECEBE A ADESÃO DO BLOG DE NELSON VASCONCELOS NA CAMPANHA NACIONAL CONTRA A JUMENTALIDADE ! JOVEM, ALISTE-SE NESTAS FILEIRAS!

Pela enésima vez, o Sopa de Tamanco é premiado com uma citação no blog do caríssimo Nelson Vasconcelos, no site Globo On Line.

O endereço:

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/nelson/

Sério: toda vez que o blog de Nelson faz uma citação dessas, o número de acessos do moribundo Sopa de Tamanco dá um salto.

Como se diz lá em Caruaru, "thank you very much, my friend!".

Quando nossa assembléia de acionistas se reunir no fim do ano para tratar da distribuição de lucros, o nome do patrono Nelson Vasconcelos será lembrado:
um panetone em boas condições de uso será devidamente despachado para a redação do Globo.

Nelson também ficou vivamente impressionado com a comovente demonstração de jumentalidade feita por uma atendente do serviço telefônico do Banco do Brasil:
a sumidade encerrou o atendimento porque um dado fornecido pelo cliente durante os "procedimentos de segurança" estava em contradição com os registros do banco.

(ver post abaixo: atendimento telefônico do Banco do Brasil bate recorde mundial de jumentalidade)

O cliente teve de ir pessoalmente à agência para esclarecer a situação.

O gerente acessou o sistema.

Os dois - o cliente e o gerente - arregalaram os olhos, espantados, ao descobrirem que, no registro do atendimento, a moça informara o motivo da interrupção:

o cliente informara que nascera "no Recife". Mas a ficha dizia que ele tinha nascido "em Pernambuco".

Em resumo: a moça achava que Pernambuco era o nome de outra cidade - que nada tinha a ver com o Recife....

A jumentalidade triunfa de novo.

Um dos leitores do blog de Nelson Vasconcelos faz uma interessantíssima divagação sobre jumentalidade, cavalice, asnice e coisas do gênero.

Não percam.

É hora de deflagrar uma campanha nacional contra as demonstrações de jumentalidade.

O Sopa deTamanco não foge à luta: nestes últimos dias, nosso bravo site denunciou o anúncio de Gula Fruts em que a atriz Carolina Dieckmann pronuncia, com toda clareza, uma palavra que jamais existiu: "sombrancelha!".

Dá pena: como é possível que não tenha aparecido uma alma caridosa para dizer, ao diretor do comercial, à atriz, à equipe, que o certo é "sobrancelha" ?

Mas a jumentalidade vai ao ar, em horário nobre!

Quem terá sido capaz de produzir um anúncio em que se pronuncia tal absurdo?

Igualmente, o Sopa de Tamanco denunciou um site que publicou, na manchete,
uma aberração: "o óculos".

O guerrilheiro do Sopa de Tamanco ligou para o site! A moça que atendeu pronunciou a frase que entrou para os anais do jornalismo virtual brasileiro:
"Mas aqui a gente usa assim: "o" óculos!".

Ou seja: a sumidade não fazia idéia de que dizer "o óculos" é, como bem lembrou outro post aqui do Sopa, a mesmíssima coisa que dizer "a casas".

Jumentalidade em estado bruto!

Mas o erro foi corrigido.

Volaremos a informar, a qualquer momento ou em edição extraordinária.

Sim, também cometemos nossas jumentalidades.

Mas nossos exércitos esfarrapados lutarão até o último homem contra a jumentalidade, a asnice, a cavalice e a toupeirice que consomem o Brasil como se fossem ervas daninhas!

"Sombrancelha" não! "O" óculos não! Dizer que Recife não é Pernambuco não!

Nossos canhões entrarão em ação em resposta a agressões infames como estas!

Não passarão!





PARECE QUE FOI HONTEM

Retomando a saga...
"A suppressão das lettras geminadas e nullas é uma reforma facilmente acceita."

21 de janeiro de 2009

DE ACCÔRDO


Está registrado, não é invenção: " (...) o Brasil é a unica nação civilisada que não sabe escrever o proprio nome (...)".
Acompanhe aqui no Sopa os próximos capítulos da saga. Temos até 2012 para tratar do assunto.

SOBRE CETÁCEOS (E ALGUMAS CADEIRAS)




Dizem que baleias se comunicam. Não com a gente (ainda bem), mas entre si, o que seria, de acordo com os especialistas, sinal, quando não prova cabal, de inteligência. Tolice, claro. Nem se sabe ao certo o que conversam. Vai que passem horas abissais comentando o que passa na tevê...

Abro parêntese. Além disso, conversar entre si não pode ser sinal de inteligência. Do contrário, as cadeiras seriam até mais inteligentes que as baleias. Afinal, todos sabemos que também as cadeiras conversam umas com as outras. E em segredo, em registro sonoro inaudível para nós. Ou se valendo, quem sabe, de sinais que nossos instrumentos não captam. São tão argutas por isso?! Ora, é sabido que as cadeira passam a vida levando na cabeça, que todo o mundo se enconta nelas. Reagem? Continuam de quatro. Insurgem-se? Alguém já ouviu falar de que alguma revolução das cadeiras? Quando muito, rola (róla) a dança delas – mas não motu proprio. Mobilizam-se contra isso? Nada. O único movimento de cadeiras pra valer é aquele que faz o marmanjo olhar para trás, destroncando o próprio pescoço, se for preciso. Fecho parêntese.

As baleias são o que são. Pauta para ambientalistas. E baleeiros. Inteligentes, as baleias? Não. Agora, falar mal dos golfinhos... Aí não. Ninguém pode duvidar da inteligência de quem cria, em prol da humanidade, uma estrovenga como a que se vê na imagem que ilustra este post.

E, ainda por cima, assina a obra-prima.

ANIMAR PASPALHOS NA DISNEY É SINAL DE INTELIGÊNCIA SUPERIOR OU DE ESTUPIDEZ INCURÁVEL ?

A sala de espera de um laboratório exibe, ad infinitum, um documentário sobre animais marinhos.

O locutor informa que os golfinhos são "muito inteligentes".

Imediatamente, uma dúvida devastadora sacode meus mares interiores:

quais são, afinal, os tão falados sinais de inteligência dos golfinhos ? Passar a vida se movimentando pra lá e pra cá no fundo do mar, sem destino certo, é sintoma de inteligência refinada ?

Pior: que tal ficar divertindo platéias de paspalhos na Disney ?

É o que os golfinhos fazem, há décadas, sem reclamar.

Cabe a pergunta: tais atitudes não seriam indícios claríssimos de estupidez ?

Eu cravaria, sem dúvida nenhuma: são, sim.

ATENDIMENTO TELEFÔNICO DO BANCO DO BRASIL BATE RECORDE MUNDIAL DE JUMENTALIDADE : "CLIENTE NASCEU NO RECIFE, NÃO EM PERNAMBUCO!"

O Sopa de Tamanco corre o risco de se transformar num grande muro das lamentações sobre a estupidez alheia.

(aliás, por que não ?)

O abaixo assinado acaba de ser vítima do mais espetacular caso de ignorância já registrado num atendimento telefônico de um banco.

A atendente do Banco Brasil faz as perguntas de praxe, em nome da "segurança" do cliente.

Lá pelas tantas, interrompe o atendimento. Diz que tenho de ir à agência. "Há um dado que não coincide com o cadastro".

Uma dúvida assola este pobre cliente: que erro tão absurdo eu terei cometido ? Terei me esquecido do meu nome ? Terei dado o número de telefone errado ? Terei confundido o nome da minha mãe ?

Peço que a atendente me informe qual foi o meu erro. Mas ela insiste: terei de "comparecer pessoalmente" a uma agência.

Compareço. Perco uma hora do meu tempo.

O gerente acessa o registro do atendimento feito por telefone.

E eis que se materializa diante de nossos olhos incrédulos um dos mais formidáveis casos de jumentalidade(*) já cometidos por uma atendente:

lá, ela informa que o atendimento tinha sido interrompido porque eu informei que tinha nascido "do Recife". Mas, no cadastro, consta que eu tinha nascido "em Pernambuco".

Ou seja: a distinta anta acha que existe uma cidade chamada Recife e outra chamada Pernambuco.

Nem desconfia de que quem nasce no Recife nasce, "automaticamente", em Pernambuco!

Célere, ela interrompeu o atendimento.

Não pude fazer a operação bancária por telefone simplesmente porque a cavalgadura acha que Recife é uma coisa; Pernambuco é outra, completamente diferente.

A bem da verdade, devo dizer que notei uma sombra de constrangimento no olhar do gerente que me atendeu pessoalmente: ele também ficou espantado ao descobrir que um atendimento telefônico fora interrompido porque uma funcionária achou que "Pernambuco" era o nome de uma cidade e "Recife" de outra.

Agora, quando precisar do atendimento telefônico, passarei a relinchar assim que ouvir o "alô" do outro lado.

Somente assim serei perfeitamente compreendido.

---------
(*) Aos não familiarizados com o reino animal: "jumentalidade" é uma gradação da "cavalice". A diferença é que a cavalice em geral vem acompanhada de maus modos.
Já a jumentalidade é uma demonstração escandalosa de ignorância: pode ser exercida da maneira mais suave possível, como é o caso da atendente que tomou providências urgentes porque achava que Recife não fica em Pernambuco.

20 de janeiro de 2009

JORNALISTA É AQUELE BICHO QUE ESCREVE (OU DIZ) "O ÓCULOS", FAZ TROCADILHOS INQUALIFICÁVEIS - E SE ACHA O MÁXIMO....A PLATÉIA PEDE LICENÇA PARA RIR

O abaixo assinado vem oferecer solidariedade irrestrita à campanha do Sopa de Tamanco contra a ignorância de jornalistas que escrevem "um óculos", "o óculos, "meu óculos" (e outros absurdos parecidos).

De tão repetido, o erro terminará entronizado, com toda justiça, no já lotadíssimo Grande Panteão da Ignorância.

Já vi repórter cobrindo evento internacional dizendo "o óculos" ao vivo.

Descobri faz séculos. Hoje, tenho certeza absoluta: não existe, na face da terra, profissão que reúna gente tão pretensiosa.

Se jornalistas pretensiosos oferecessem ao coitado do público um trabalho de alto nível, se fossem capazes de construir frases realmente legíveis, se tivessem o poder de exercer uma mínima originalidade, se conseguissem articular uma pergunta decente a um entrevistado, eu me calaria por todos os séculos & séculos.

Mas, não. Jornalismo é uma profissão habitada por gente que diz e escreve "o óculos" ou, em momentos de intensa inspiração, faz trocadilhos inqualificáveis. E se acha o máximo!

Em duas palavras: não dá.

Como diria o confrade Tom Carneiro, "quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá".

Resta-nos rir desbragadamente.

Não há outra saída.

Faço uma confissão íntima e inútil: deixei de voltar a um oculista que disse "o óculos" durante uma consulta.

Pensei com meus esfarrapados botões: como confiar meus olhos a um médico que não sabe usar o plural ?

Não voltei.

Eu me lembrei de uma antiga entrevista que fiz com o escritor Autran Dourado. Lá pelas tantas, ele dizia que não confiava num médico ou num engenheiro que não
soubesse manusear a língua com um mínimo de habilidade.

O escritor argumentava : se um profissional supostamente qualificado - como um médico - não sabe como usar as palavras, não saberá manusear um bisturi, por exemplo.

A dúvida é legítima.

Uma vez, numa longa entrevista que me concedeu, o jornalista Evandro Carlos de Andrade fez uma confissão interessante: disse-me que parava imediatamente de ler uma notícia de jornal quando o redator (ou repórter) cometia algum absurdo.

O raciocínio do experientíssimo jornalista: se o autor daquele texto é incapaz de respeitar as regras básicas da escrita, não é confiável como fonte de informação. Ponto.

Corretíssimo.

19 de janeiro de 2009

A CAMPANHA NACIONAL DO SOPA DE TAMANCO CONTRA A IGNORÂNCIA DOS JORNALISTAS - LOGO ELES, QUE VIVEM RECLAMANDO DE LEITORES IGNORANTES....

A cena ocorreu sábado. Há testemunhas. Um grande site jornalístico publicou, com todo destaque, no alto da capa, uma manchete que trazia o erro infame: "um óculos".

( Abre parêntese. O Sopa de Tamanco vem, há tempos, fazendo uma inútil campanha contra a disseminação deste erro crasso: quem escreve "um óculos" simplesmente não sabe o que é plural ou singular. Porque escrever "um óculos" é a mesmíssima coisa de escrever "uma casas" ou "um carros".

Tais demonstrações de ignorância, típicas de quem habita o já superpovoado território da Burrolândia, soariam engraçadas se saídas da boca inocente de uma criança de dois anos e meio. Mas, cometidas por jornalistas, são de fazer chorar.

Como um profissional pago para zelar pela língua ( sim! é esta uma das funções de quem fala e escreve em público!) pode ignorar que uma das palavras mais usadas do idioma exige o artigo no plural ? Fecha parêntese).

Pois bem: a Patrulha da Sopa de Tamanco teve a imensa pachorra de telefonar para o plantão do site para dizer que o redator tinha cometido um erro colossal na manchete.

Uma voz de mulher atende. O patrulheiro do Sopa diz: pega mal, malíssimo um site tão visitado expor, na manchete, tal barbaridade: "um óculos!".

A moça faz um silêncio do outro lado da linha. Devia estar pensando: "Que leitor ignorante!".

De repente, pronuncia a frase que pode ser tomada, desde já, como o epitáfio do jornalismo virtual do Cone Sul da América:

- Mas aqui a gente usa assim: é "o" óculos....

Fuzilado pela resposta, o patrulheiro do Sopa de Tamanco escapa por pouco de ter um enfarte fulminante mas ainda encontra, em suas florestas interiores, fôlego para argumentar com a moça: dizer coisas como "um óculos", "o óculos", "meu óculos" não é errado: é erradíssimo! Pegue um dicionário para ver!

A moça agradece. Desliga o telefone.

Com toda certeza, deve ter ido consultar o dicionário ou, quem sabe, teve a modéstia de perguntar a um vizinho de mesa.

Cinco minutos depois, o título foi consertado. O site baniu o "um óculos" da manchete. Um novo título, com o artigo no plural diante da palavra óculos, foi prontamente parido no plantão de sábado.

A guerra do Sopa de Tamanco contra a GMI, a Grande Marcha da Ignorância que avança, célere, pelas redações, é inglória.

Mas não custa nada soltar tiros - ainda que de festim - de vez em quando.

O locutor que vos fala já viu gente que ocupava cargos de chefia em redações dizer, com todas as letras, coisas como "traz aqui o texto pra mim ver".

Ah, jornalistas....Como já se disse em outro artigo: que gentinha pretensiosa....

Gente que diz "o óculos" e "pra mim ver" deveria,para o bem do Brasil, estar vendendo abacaxi na beira das rodovias.

Jamais, nunca, never, sob hipótese alguma, deveria estar falando ou escrevendo em público. Porque tudo o que estas cavalgaduras fazem é jogar estrume em quantidades industriais em nossas retinas ou canais auditivos jã tão fatigados.

15 de janeiro de 2009

PELO AMOR DE DEUS, QUEM É ISABELI FONTANA ? QUEM É MAURÍCIO PARANHOS ? O QUE FAZ UM SER HUMANO PISAR NUM EVENTO CHAMADO FASHION RIO ?

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

FAZ OITO HORAS QUE O LOCUTOR QUE VOS FALA RI DESCONTROLADAMENTE.

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

O MOTIVO : UMA CENA DESCRITA NO SEGUNDO CADERNO DA EDIÇÃO DE HOJE DE O GLOBO ( 15 DE JANEIRO DO ANO DA GRAÇA DE 2009).

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

UMA NOTA INFORMA QUE A SUMIDADE INTELECTUAL CHAMADA ISABELI FONTANA
(UM DAQUELES SERES BÍPEDES QUE DESFILAM DESENGOÇADOS EM PASSARELAS, SOB OLHARES DE GENTE DESOCUPADA) MANDOU AVISAR, ANTES DE UM DESFILE, QUE NÃO, NÃO FALARIA AOS JORNALISTAS.

OU MELHOR: SÓ RECEBERIA "TRÊS IMPRENSAS POR CINCO MINUTOS" NO CAMARIM.

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

"TRÊS IMPRENSAS" !

O JORNAL INFORMA QUE UM LEÃO DE CHÁCARA IDENTIFICADO COMO MAURÍCIO PARANHOS AVISOU QUE CADA JORNALISTA SÓ TERIA DIREITO A FICAR TRINTA SEGUNDOS DIANTE DA SUMIDADE.

"TRINTA SEGUNDOS, HEIN! NEM UM MILÉSIMO A MAIS!", É O QUE ELE DISSE, SEGUNDO REGISTRA A COLUNA "GENTE BOA".

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

NÃO TENHO A MENOR DÚVIDA: EIS UM INDÍCIO CLARÍSSIMO DO FIM DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL, TAL COMO SE CONHECIA ATÉ HOJE.

PERGUNTA-SE: EM NOME DE TODOS OS SANTOS, QUEM É ISABELI FONTANA ?

DUVIDO QUE EXISTA, EM TODA A FACE DA TERRA, UM MÍSERO HABITANTE QUE JÁ TENHA OUVIDO UMA DECLARAÇÃO INTERESSANTE OU UMA FRASE ORIGINAL PRONUNCIADA PELA MODELO ( POR UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA, DIGA-SE QUE A INANIÇÃO INTELECTUAL É EXTENSIVA A SEUS PARES).

UM JORNALISTA NÃO PRECISARIA PASSAR TRINTA SEGUNDOS DIANTE DA INTELECTUAL FONTANI: AINDA QUE PASSASSE SESSENTA HORAS OUVINDO A ENTIDADE DISCURSAR SOBRE TUDO E SOBRE TODOS, DIFICILMENTE VOLTARIA PARA A REDAÇÃO COM UMA FRASE APROVEITÁVEL.

UM ASSESSOR INFORMAVA QUE A SRA. FONTANA ANDA ARREDIA DESDE QUE SE SEPAROU.

JURO POR SANTA BÁRBARA QUE EU JAMAIS SOUBE QUE ELA UM DIA ESTEVE CASADA - SEJA LÁ COM QUEM FOR.

A BEM DA VERDADE, DEVE-SE PERGUNTAR: QUEM VERDADEIRAMENTE ESTARIA INTERESSADO EM SABER DO ESTADO CIVIL DA SENHORA MODELO ?

MAS, COMO NEM TUDO SE PERDE NESTE CIRCO DE HORRORES, RESTA O HUMOR INVOLUNTÁRIO PRODUZIDO PELOS PERSONAGENS: AS CENAS PROTAGONIZADAS PELA MODELO E PELO LEÃO-DE-CHÁCARA SÃO IMPAGÁVEIS.

"TRINTA SEGUNDOS! NEM UM MILÉSIMO A MAIS!".

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

SE A PERSONALIDADE A SER OUVIDA SE CHAMASSE ALBERT ENSTEIN, OS REPÓRTERES PODERIAM, ATÉ, SE SUJEITAR AO DESCALABRO.

MAS.....FICAR DIANTE DE UMA MODELO POR TRINTA SEGUNDOS NA ESPERANÇA DE OUVIR ALGO DE INTERESSANTE (OU DE ORIGINAL OU DE MEMORÁVEL) É TÃO INÚTIL, TÃO RIDÍCULO E TÃO PATÉTICO QUANTO ENXUGAR GELO.

É UMA CURIOSIDADE QUE CULTIVO HÁ DÉCADAS: QUE TIPO DE GENTE SERÁ ESSA ? DE QUE MATERIAL É FEITO O CÉREBRO DESSAS SUB-CELEBRIDADES E SEUS LEÕES-DE-CHÁCARA ?

UM DIA, DESCOBRIREI.

ENQUANTO O MISTÉRIO NÃO SE RESOLVE, RESTA RIR A BANDEIRAS DESPREGADAS.

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

"TRÊS IMPRENSAS!"

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

"TRINTA SEGUNDOS! NEM UM MILÉSIMO A MAIS!"

QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.

IN MEMORIAM

Planta baixa do Estádio do Maracanã, com todos os caminhos – invisíveis alguns –que levavam ao gol de Barbosa.


Horas depois do jogo, Obdulio Varela correu a noite carioca. Envergando um terno sóbrio (na época não existia o verbo "vestir"), tropeçava aqui e acolá num bêbedo (ainda não tinham inventado o bêbado) que lambia o meio-fio. Parou no Bar Brasil. O bar estava cheio. O bar estava vazio. Mas havia quem vagasse entre as cadeiras como quem procurasse um relógio ainda não inventado. E sem atinar o porquê da busca.

Como recebera o bicho adiantado, el gran capitán pagou uma rodada para todos. Não sem antes pedir licença – para evitar qualquer mal-entendido. Não houve brinde, não houve briga, não houve... O que houve? Não se sabe. Mas consta um garçom, patrício del negro jefe, ter ouvido o que Obdulio balbuciou ao deixar a casa: "Mundo perro." Teria derramado uma lágrima que lhe correu o peito por dentro. Mas sorriu. E um céu cor de tecido se abriu para ele na noite da Lapa.




14 de janeiro de 2009

O ACORDO

Quem conta é o livreiro e editor Alberto Abreu.

O linguista, filólogo e historiador da "inculta e bela" Serafim da Silva Neto tinha uma opinião que gostava de repetir quando o assunto era uniformização ortográfica:

– Não me importa se 'gato' se escreve com x ou com n.
– Mas Serafim, 'gato' é com g!
– Ah é?

POR QUE O BIG BROTHER NÃO OFERECE UM PRÊMIO DE UM MILHÃO DE NEURÔNIOS PARA AQUELES CÉREBROS DESABITADOS ?

Aviso à praça que entrarei em período de hibernação.

Credores, saiam do caminho. Terráqueos, respeitem meu silêncio.

Daqui a quatro meses, quando o Big Brother Brasil tiver terminado, me acordem, por favor.

Por ora, desacordado, estarei livre de ter os tímpanos maltratados pelos gritos de "uh! uh!", pronunciados por aquele aglomerado de sumidades que buscam o prêmio de um milhão de reais.

Uma dúvida embalará meu sono, durante o período de devoção absoluta ao Deus Ócio : um prêmio de um milhão de neurônios não seria mais útil para aqueles cérebros desabitados ?

Com um milhão de neurônios injetados em seus cérebros, os Big Brotheres poderiam, aí sim, fazer alguma coisa de útil à humanidade, aqui fora. Quem sabe, um dia amealhariam um milhão de reais.

Mas rendo-me à força avassaladora dos fatos. O mundo não é assim, oh boy.

Apago a luz, desligo a TV para sempre, desconecto-me.
É hora de recolhimento.

Caminho, cabisbaixo, em direção aos meus aposentos.
Enquanto movo meu aglomerado disforme de ossos,músculos e tédios em direção à cama, pronuncio grunhidos ininteligíveis. Nem eu consigo decifrá-los.

Jogar ao ar imprecações balbuciadas em tom de voz inaudível faz parte do show que há décadas enceno para um único e lastimável espectador : eu mesmo.

Nesta caminhada de vinte e cinco passos, minha única companhia é minha ingenuidade, que há séculos puxo por uma coleira imaginária.

Os dois - eu e minha triste ingenuidade - dormiremos, a partir de agora, um sono profundo, intocado pelos bigs, pelos brothers e pelo Brasil.

Não há felicidade maior.

A PARTE MAIS BELA E COMOVENTE DO LIVRO "O JOGO DA AMARELINHA" É A FRASE FINAL: "COMPOSTO E IMPRESSO NAS OFICINAS DA NOVA FRONTEIRA S/A"

Do blog de Marconi Leal ( http://marconileal.opensadorselvagem.org/ ):



Lucano foi a primeira personalidade propriamente literária de que se tem notícia e o precursor do que conhecemos hoje como mundo artístico. Prova disso é que foi capaz de vender a própria mãe.
***
Tenho um amigo que começa O Jogo da Amarelinha na página três, pula para o prefácio, lê as orelhas, vai à quarta capa e daí por diante. Segundo ele, a parte mais bela e comovente da obra é a frase ao final: “Composto e impresso nas oficinas da Nova Fronteira S/A”
***
O problema da edição de bolso de Guerra e Paz é que para carregá-la você precisa colocar o bolso dentro de um carrinho de mão.
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Tentaram fazer uma edição de bolso de A Montanha Mágica, mas o máximo que conseguiram foi uma edição de alforje.
***
O livro mais complexo que li até hoje foi o manual do motorista do meu carro.
***
O que mais admiro em Machado é o domínio da língua. Coisa tanto mais admirável quando se sabe que tinha epilepsia.
***
No que dependesse do meu amor a Joyce, o Bloomsday seria comemorado no mesmo dia do Halloween.
***
Dizem que as edições dos livros de Paulo Coelho em búlgaro e esloveno são perfeitas: não se entende nada do que está escrito.
***
O título de obra literária mais descritivo que conheço é Em Busca do Tempo Perdido. Há anos, pelo menos, tento recuperar o tempo que perdi ao lê-la.
***
Meus livros de cabeceira são o Houaiss, o Aurélio e o Vocabulário Ortográfico. Sobre eles coloco o abajur, um copo d’água e os livros que leio antes de dormir.

13 de janeiro de 2009

MUNDO PERRO



Jogávamos pelo empate. Saímos na frente. Veio o segundo tempo; veio o que veio. Mundo cão.

O complexo de vira-latas (Nelson Rodrigues dixit) seria superado oito anos depois. Mas para alguns ainda é impossível falar daquele 16 de julho no Maracanã. Pouco importa se nem viviam à época.

(Na imagem, Friaça abre o score na final da Copa do Mundo de 50.)

12 de janeiro de 2009

FRIAÇA : A PALAVRA DO ÚNICO BRASILEIRO QUE CONSEGUIU MARCAR UM GOL PELO BRASIL NUMA FINAL DE COPA DO MUNDO NO MARACANÃ ! UM SONHO !

O site www.geneton.com.br traz a íntegra do depoimento de Friaça ao repórter Geneton Moraes Neto:

O DEPOIMENTO COMPLETO DO ÚNICO BRASILEIRO QUE REALIZOU O SONHO DE MARCAR UM GOL NUMA FINAL DE COPA DO MUNDO NO MARACANÃ. A INCRÍVEL HISTÓRIA DO ARTILHEIRO QUE TEVE UMA CRISE DE AMNÉSIA DEPOIS DE PERDER UM TÍTULO QUE PARECIA CERTO. QUANDO ELE "VOLTO A SI", ESTAVA EMBAIXO DE UMA ÁRVORE, NUMA CIDADE DO INTERIOR"

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Friaça podia bater no peito: era o único brasileiro que realizou o sonho de todo jogador de futebol: marcar um gol pelo Brasil, numa final de Copa do Mundo, no Maracanã.
O autor da façanha morreu hoje, doze de janeiro de 2009, aos 84 anos.
Tive a chance de entrevistá-lo duas vezes.
Eis o que ouvi do jogador que entrou para a história do futebol graças a um gol inesquecível.

O depoimento completo de Friaça foi publicado no nosso livro "DOSSIÊ 50', lançado em 2000 pela Editora Objetiva. É a única reportagem que traz a palavra de todos os jogadores que entraram em campo para enfrentar o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950. Esgotado, o livro virou "raridade". Mas pode ser encontrado em sebos.

Aqui, o capítulo dedicado a Friaça:


“FIZ UM A ZERO NA FINAL DA COPA.ALI NÓS JÁ ÉRAMOS DEUSES”

Albino Friaça Cardoso tinha vinte e cinco anos, oito meses e vinte e seis dias quando realizou o sonho máximo de todos os jogadores brasileiros de todas as épocas: fazer um gol numa final de Copa do Mundo dentro do Maracanã superlotado. O gol sai logo no primeiro minuto do segundo tempo. O Maracanã enlouquece. Friaça também. “A emoção foi tão grande que só me lembro de uma pessoa que veio me abraçar: César de Alencar, o locutor. Quando a bola estava lá dentro, ele gritou: “Friaça, você fez o gol!”. Naquela confusão, ele entrou em campo e me abraçou. Nós dois caímos dentro da grande área”. Louco de alegria, Friaça só se lembra com clareza do rosto de César de Alencar. “Passei uns trinta minutos fora de mim. Eu não acreditava que tinha feito o gol. Eu tinha potencial, mas estava ao lado de craques como Zizinho, Ademir e Jair. E logo eu é que fiz o gol”. Se o Brasil precisava apenas de um empate, então o jogo estava liquidado: a seleção ia ser campeã do mundo. “Ali, nós já éramos deuses”.

Friaça só não poderia imaginar que outras cenas inacreditáveis iriam acontecer ali – além da queda com César de Alencar dentro da grande área, numa explosão de alegria. Consumada a tragédia brasileira, diante da maior platéia até hoje reunida para um jogo de futebol, a dor da derrota desnorteou o autor do gol do Brasil.

“O trauma foi enorme. Vim para o Vasco. Fiquei, em companhia de outros jogadores, andando de noite em volta do campo, ali na pista. O assunto era um só: como é que a gente foi perder com um gol daqueles ?”.

Depois das voltas inúteis em torno do campo do Vasco na noite de domingo, Friaça pirou. “Só me lembro de que a gente subiu para o dormitório. Eram umas onze da noite. Troquei de roupa e me deitei. Não me lembro de nada do que aconteceu depois. Quando dei por mim, por incrível que pareça, eu estava em Teresópolis, no meu carro. Passei pela barreira, fui para um hotel. Quando me perguntaram: “Friaça, o que é que você quer?” Eu simplesmente não sabia onde estava. Só sabia que estava debaixo de uma jaqueira, no terreno do hotel. Não sei como é que saí com meu carro da concentração. Não sei como é que fui bater em Teresópolis. Um médico que era prefeito de Teresópolis é que me deu uma injeção. Comecei a saber onde é que estava uns dois dias depois. A a minha família,em Porciúncula,estava atrás de mim, sem saber onde é que eu estava. O pior é que eu também não sabia. De 64 quilos eu passei para 59”.

Quem tivesse a sorte de fazer gol pelo Brasil ganharia um terreno – era um dos prêmios aos futuros campeões do mundo. O artilheiro da finalíssima contra o Uruguai mereceria um prêmio extra – uma televisão, na época, um luxo para privilegiados. Quando finalmente descobriu em que país estava, depois do trauma da vitória do Uruguai, Friaça tentou receber o terreno e a televisão.
“A resposta que me deram foi: só se o Brasil tivesse vencido o jogo...”.

“Eu tinha confiança : a gente ganharia do Uruguai com facilidade.Cheguei a imaginar um placar de 2 ou 3 a 0 para o Brasil,pelo time que nós tínhamos e pelo time que o Uruguai tinha.A gente pode dizer que o Uruguai tinha um grande time,mas o Brasil era uma potência,uma força.O Brasil não pensava nem no empate.A gente não daria essa chance ao Uruguai.A verdade é que nós,os jogadores,estávamos tranquilos.A gente sabia que,se o time jogasse o que vinha jogando,dificilmente perderia.Se o tempo pudesse voltar,se o Brasil pudesse jogar dez vezes contra o Uruguai,ganharia nove.A seleção de cinquenta foi uma das maiores que o Brasil já teve.
A maior vingança que experimentei em minha carreira esportiva aconteceu um ano depois de nossa derrota na final da Copa de 50.O Vasco da Gama foi ao Uruguai jogar contra o Penarol. Ganhamos do Penarol – que tinha onze jogadores de seleção – dentro do Estádio Centenário.Repetimos a dose em outro jogo,aqui no Brasil.

Em 1950,nós estávamos engatinhando. Não estávamos preparados para ter um impacto tão grande quanto o que sofremos.O nosso time tinha um potencial muito maior do que o do time do Uruguai. O gol de empate do Uruguai,marcado por Schiaffino,teve um impacto grande sobre nosso time.Porque,até então,o jogo mais duro que tivemos tinha sido contra a Iugoslávia.Vencemos por 2 a 1,um jogo duro.
Diante dos outros,o Brasil jogava quase que a toque de música,como,depois,a seleção de 70.Era um time homogêneo.Quando o Uruguai fêz o gol de empate,sentimos um impacto.Há quem fale em Bigode.Mas fomos todos nós.

Não houve falha na armação tática do time.Ainda ouço até hoje que Obdulio Varela deu um tapa em Bigode. Não deu.Eu estava lá ! Pude sentir todo o problema.Bigode –é verdade- tinha dado uma entrada violenta.Aliás,violenta,não : uma entrada dura.Houve o impacto do juiz.Neste momento,Obdulio entrou em cena para separar. Mas não houve nada.

O que aconteceu,no gol,adiante,é que Bigode foi batido numa jogada,porque Ghiggia era um jogador de alta velocidade. Se Bigode foi batido pela alta velocidade de Ghiggia,então teria de contar com a cobertura de outro jogador. Não posso ficar falando.Não é o caso de a gente crucificar A, B ou C.Mas não houve cobertura.Como não houve cobertura,veio aquele impacto. Schiaffino,no lance do primeiro gol do Uruguai,foi muito feliz,como Ghiggia.Basta ver que o próprio Ghiggia diz que pegou a bola mal no pé.Fêz o gol no contra-pé de Barbosa,o nosso goleiro.Pegou a bola quase que com o bico da chuteira.Resultado : a bola entrou entre a trave e a perna esquerda de Barbosa.

O que eu acho é que não houve uma cobertura certa no lance, já que se sabia que Ghiggia era um jogador de grande velocidade. Tinha pouco domínio de bola,mas era veloz.
Não acredito em falha técnica do treinador. Porque,desde o primeiro jogo,entramos da mesma maneira.Mas aconteceu o lance : Ghiggia recebia a bola e partia para cima de Bigode.Como era de alta velocidade,Ghiggia dava um chute lá pra frente e partia.Então,a cobertura era essencial.
Não estou crucificando ninguém.Mas estou dizendo o que faria : punha um jogador fazendo a cobertura.

Gravei bem o lance do meu gol contra o Uruguai,porque este é o tipo de coisa que a gente guarda.Eu tinha potência na perna direita,graças a Deus.Quando vi,Máspoli,o goleiro do Uruguai,tinha saído.Bati forte na entrada da área - do lado direito para o lado esquerdo.A bola entrou.O lance tinha nascido de uma combinação minha com Bauer.Assim : Bauer tocou para mim, eu toquei para o Zizinho – que tocou,na frente,para mim. Antes de entrar na área,bati na bola.Tive a felicidade de marcar !

Eu só tinha um pensamento : fiz o gol ! A única coisa que eu vi foi César de Alencar me abraçando.Caímos dentro da área.Passei uns trinta minutos fora de mim.Eu não acreditava: nós tínhamos craques como Zizinho,Ademir e Jair.Mas eu é que tinha feito o gol ! Em toda a vida,eu sempre fui muito frio, nunca tive medo de ninguém : eu era igual a todos. É uma das das vantagens que eu tinha -e tenho até hoje.

Quanto à recomendação que o nosso técnico fêz antes do jogo,é bom que se diga o seguinte : o que Flávio Costa não admitia a covardia,mas aceitava entradas firmes e duras,desde que fossem leais.Há uma diferença entre as duas coisas.Deslealdade é uma coisa,jogada dura é outra.
Se alguém pensou em tirar de campo um jogador como Obdulio Varela,foi bobagem.Porque Obdulio era um jogador vivo e manhoso : não ia cair numa dessas.Eu mesmo já passei por uma situação dessas. Gostava de jogo duro.Não cheguei a jogar quatro vezes no Vasco na mesma posição : ora era center-foward,ora ponta-esquerda,ora ponta-direita.ter four, ponta esquerda, ponta direita e gostava. Depois da Copa,joguei contra o Uruguai,como center-foward.Matias Gonzalez me disse : “Vou te botar pra fora da área !”.Eu disse : “Você me conhece ! Sou do estado do Rio ! Já joguei 4 vezes contra você.Vamos brigar até o fim do jogo.Você sabe que eu não corro do pau !”.

Antes do jogo,aquele assédio atrapalhou o descanso dos jogadores.Como era ano de eleiçãO,teve jogador que foi levado para passear.A seleção,então,não teve sossego,tranqüilidade.É por razões que eu digo que a seleção estava engatinhando,em 1950,porque não tinha uma vivência.Um exemplo: passamos quarenta e cinco dias em Araxá,sem comunicação alguma com nossas famílias. Depois que Paulo Machado de Carvalho e o falecido Geraldo José de Almeida foram para é que começamos a Ter contato.Acontecia o seguinte : nossas famílias não recebiam as cartas que a gente escrevia.

Não culpo Flávio Costa de jeito nenhum, porque ele era sozinho.Era Flávio Costa e Vicente Feola para tomar conta de vinte e cinco jogadores. Depois,ficaram vinte e dois.Hoje,existe uma comissão técnica.Mas quem fazia treinamento era Flávio Costa – tudo ele.A equipe era o roupeiro,dois massagistas,dois médicos e Vicente Feola,para ajudar.

Eu me lembro de lances que poderiam ter mudado a história do jogo.Eu era um jogador que tinha noção dos passes,principalmente os de perna direita. Houve um lance em que fiz um passe certeiro,para Ademir entrar de cabeça.Eu,naquele estado de nervos,tinha certeza de que Ademir,com a facilidade que tinha para jogar,faria o gol.Mas Ademir praticamente devolveu a bola para mim. A bola voltou na mesma direção ! Por aí,dá para ver o estado em que os jogadores do Brasil se encontravam,naquele momento,a dez,quinze minutos do fim da partida.Naquela altura,era tudo na base do “valha-me Deus”,porque ninguém entendia nada.

A gente tinha saído da concentração para o Maracanã às onze e quarenta e cinco.Chegamos ao estádio em torno de uma hora da tarde.Quando chegamos ao vestiário,encontramos colchão para todo mundo se deitar no chão.
Antes,quando a seleção estava concentrada no Joá,antes da mudança para São Januário,várias vezes tivemos de empurrar,em dia de treino,uma camionete enguiçada da Polícia Militar,uma daquelas que tinha a madeira pintada de amarelo e a lateria pintada de azul.

Durante a Copa,jogadores receberam camisa, corte de terno,relógios e lustres.Da Sexta para o sábado e do sábado para o domingo,dentro do bar do Vasco da Gama,na concentração em São Januário,eu assinei autógrafos como “capeão do mundo”.Assinei !
Tinha até comerciante envolvido.Hoje,jogador de futebol não faz um negócio desse se não receber uma importância. Mas eu assinei bolas,faixas,fotos,todo tipo de coisa.Já nem sei onde assinei...Quem fizesse o primeiro gol receberia um terreno,perto do Leblon.Quem fizesse o primeiro gol do Brasil contra o Uruguai iria ganhar uma televisão,uma novidade,na época.Fiz o gol.Nunca vi esse prêmio.Não ganhei terreno.Corri atrás,mas não adiantou nada.Quem ia dar os prêmios disse que não podia,porque o Brasil tinha perdido a Copa.A televisão ia ser prêmio de uma loja chamada A Exposição. Meu cunhado foi à loja,para saber do prêmio.Disseram : “Ah,não ! Só se o Brasil tivesse ganhado o jogo...”.
Logo em seguida,comprei uma televisão.

Durante a Copa,houve uma reunião entre os jogadores,para discutir a divisão de prêmios que eram oferecidos à seleção.Decidiu-se que ia se fazer um leilão dos objetos.Pelo seguinte : havia no grupo jogadores que não tinham condições físicas ou técnicas de jogar.Como não jogavam,corriam o risco de não receber prêmios.Então,combinou-se com nossa “diretoria”,formada por Augusto,Nílton Santos,Castilho e Noronha,o seguinte : tudo o que cada um recebesse seria leiloado.Houve,então,uma pequena desavença sobre como é que se ia dividir um lustre de cristal,oferecido por uma loja.Flávio Costa entrou na discussão para acalmar o pessoal.

Mas o pior,para mim,veio quando o jogo acabou.Vim para o Vasco. Ficamos eu,Bauer, Rui e o Noronha andando em volta do campo,na pista do do Vasco. : é a momento mais duro que tive em minha vida.Dali,subimos para o dormitório. O assunto era um só : como é que nós fomos perder com um gol daqueles ? Ficou aquela “conversa de bêbado”,sem fim nem começo.
Só sei que subi para o dormitório ás onze horas.Não me lembro de mais nada,não sei de mais nada. Quando eu dei por mim,estava em Teresópolis ! Uma pessoa do hotel me perguntava: “Friaça, o que é que você quer?” E eu nem sabia onde estava !.Só sei que estava debaixo de uma jaqueira,num hotel...Fui sozinho para lá.Não como é que pedi ao porteiro para sair,não sei como é que cheguei a Teresópolis.De manhã,o porteiro do hotel foi chamar o prefeito de Teresópolis – que eu conhecia.Tomei injeção,passei uns dois dias com ele. Honestamente,não sei o que eu tomei,mas fiquei apagado. Depois é que me refiz,comecei a saber onde é que eu estava e o que é que tinha feito.A minha família estava me procurando no Rio e em São Paulo,porque não sabia onde é que eu estava.Mas eu mesmo também não sabia ! Depois de chegar finalmente a Porciúncula,terra da minha família,eu me comuniquei com o Rio e com São Paulo.Eu tinha 64 quilos.Passei para 59.

Devo ter ido para Teresópolis porque sempre que tinha uma folga gostava de ficar quieto lá.Nunca gostei de confusão.Eu queria era tranquilidade.
O que vi no vestiário do Brasil,assim que acabou o jogo,foi só choro.Não se via outra coisa,a não ser gente se abraçando,chorando,lamentando.Os mais frios sofrem mais.Quem desabafa sente um alívio.quem não desabafa fica sofrendo.Nosso vestiário - desculpe a expressão – virou um cemitério.Era só gente se lastimando,como num velório.
Quando acabou tudo,eu pedia muito a Deus que eu jogasse outra vez contra o Uruguai.Terminei jogando – e ganhando,pelo Vasco : 3 a 1 em Montevidéu,2 a 0 aqui.
Não adiantava querer sonhar.Eu queria ir à forra.O Vasco chegou debaixo de cavalaria,mas ganhou.
Jogadores da seleção brasileira de 50 - que tinham condições de crescer na carreira - só regrediram depois da Copa.Antes,éramos deuses.
Nós,os jogadores,sofremos em todos os cantos,porque para onde a gente ia,ouvia só duas palavras : Obdulio,Uruguai "

8 de janeiro de 2009

PAUSA PARA UM REFRESCO: AS AVENTURAS DO COVER DE NELSON NED PELOS SERTÕES DO BRASIL

Há um novo blog na praça:

http://poeirasemaltomar.blogspot.com

É o bilionésimo blog a dar sinal de vida no Planeta Internet. Chegará o dia em que haverá um blog para cada leitor. Porque nenhum leitor é capaz de dar conta de tantos blogs.

O Poeiras é assinado pelos ex-tamanqueiros Amin Stepple e Roberto Borges.

"O COVER DE NELSON NED" é da lavra de Stepple. Divirtam-se:



Pachula sempre viveu no circo. Na verdade, a troupe o adotou aos sete anos de idade, quando o encontrou escondido num trailer, numa das temporadas pelo sertão baiano. A infância se passou no trato dos animais e no picadeiro, a única escola desse artista nato. Com o tempo, Pachula aprendeu todos os truques que o transformaram numa das atrações do Circo Babilônia. Com o talento compactado em um metro e oito centímetros de altura, era o único anão do divertido grupo de palhaços. As piadas e os pastelões arrancavam gargalhadas e garantiam a bilheteria. A caravana do Babilônia cansou de contar quantas vezes percorreu o mapa empoeirado do Brasil. Mas, um dia, o público sumiu de vez, aprisionado pela luz azulada das novelas.

--- Cansei da vida na lona.

Repetia Pachula, a iludir a si mesmo, sem admitir que o espetáculo acabara. Às vezes o anão cedia à nostalgia. Lembrava do circo indo de cidade em cidade, dos tempos impermanentes da vida nômade. Sacrificada, diga-se, mas refúgio seguro contra o tédio. Os aplausos da distinta platéia recompensavam a falta de conforto, os riscos e até os amores abandonados.

--- O público sabe reconhecer o verdadeiro artista.Disso Pachula não tinha dúvida, nada de queixas. Amores abandonados? Sim, lona que se arma e desarma num terreno baldio. Ao contrário dele, a grande paixão de Pachula não tinha medo de altura: a trapezista Denise. Loura de um metro e oitenta, sorriso aberto, confiante de quem jamais teme a morte. Artista perfeita, de gestos precisos, impulsos matemáticos.

E mais: quentíssima na cama.Confidenciava o amante Pachula. Aliás, as aptidões de Denise nos lances do trapézio sexual quase causam uma tragédia. Certa noite, entusiasmada, a trapezista, com suas coxas grossas e firmes acostumadas aos desafios das alturas, deu uma prolongada “chave de pernas” em Pachula. O anão por pouco, muito pouco, não morreu asfixiado entre as pernas da namorada.

___Cheguei a ficar roxo!Com o fim das jornadas circenses, Denise conquistou para si um destino de folhetim: desapareceu na estrada com um caixeiro-viajante. Pachula, dono de voz bonita e potente, decidiu sobreviver como cover do cantor Nelson Ned. As apresentações nos bares davam uns trocados e algumas refeições. Numa noite, ele foi apresentado a um empresário de shows. De lábia sedutora, Mário Aciolly convenceu Pachula de que ele era um produto artístico fácil de vender. O que faltava?

--Ninguém imita com tanta perfeição Nelson Ned. Ao ouvi-lo pela primeira vez, confesso que pensei que era o próprio Nelson. Além do mais, você é a cara dele e do mesmo tamanho. A partir de agora, você é o Nelson Ned.

Em pouco tempo, o esperto Mário Aciolly agendou vários espetáculos em cidades do interior. O show tinha forte apelo publicitário: “A VOLTA DE NELSON NED”. Casa sempre cheia, Pachula arrasava na interpretação dos sucessos de Nelson Ned.

___Vamos ficar ricos, milionários.É o que se lia no olho grande e gordo do empresário, eufórico por ter fechado mais uma longa turnê, agora pelo interior da Paraíba.Em Zabelê, terceira cidade programada do show “A VOLTA DE NELSON NED”, logo todos os ingressos foram vendidos. O empresário descobriu que até fã-clube o pequeno grande cantor brasileiro tinha em Zabelê. Gripado e febril, Pachula não estava na melhor forma. Tentou adiar a apresentação, mas Aciolly, receoso do prejuízo com a devolução dos ingresso, não concordou.­­­

___ Vai cantar de qualquer jeito.Iniciado o show, Pachula esqueceu algumas das letras do repertório, provocando risos e piadas na platéia. A situação se complicou ao desafinar quando começou a cantar “eu hoje estou tão triste, eu precisava tanto conversar com Deus...”, um clássico que sempre levava o público às lágrimas. Um gaiato não se conteve e gritou:

___ Esse anão não é Nelson Ned, porra nenhuma. Nelson Ned é menor do que ele uns quinze centímetros.Logo, outro, de chapéu de couro, berrou:

---Sai daí, toco de gente. Vai enrolar tua mãe.Do fundo do salão lotado, uma mulher, de cabelo oxigenado, vestida com pouquíssima roupa, esbravejou:

___Esse anão não canta nada. É do Paraguai, é do Paraguai!Era a senha que faltava para a massa avançar, enfurecida, sobre o palco, à caça do anão.Na delegacia de Zabelê, Pachula passou duas semanas detido. Tempo suficiente para se recuperar dos hematomas e voltar a exercitar a voz. Ajudaram-no as longas serenatas incentivadas pelos outros presos e pela lua imaginária das canções populares. Nem os meganhas escondiam a emoção quando ouviam a voz aveludada de Pachula clamar, entre as grades enferrujadas, que “precisava tanto conversar com Deus...”Na manhã em que foi solto, o anão recebeu como consolo um dos maiores elogios de sua curta carreira. Elogio sincero, sincero, do comissário de plantão:­­­­­

__Você, Pachula, canta bem melhor do que Nelson Ned.

2 de janeiro de 2009

DE ACORDO


O emprego em 2009. Eis o que mais preocupa nossos legisladores. Os legisladores do idioma, entenda-se. E o emprego de que se fala é o do hífen, está claro.

(Do hífen – até quando este acento agudo? Ate quando?)

Enquanto se aguardam outros decretos, enquanto observamos legislarem em causa própria, acordemos: não vamos economizar em dicionarios da lingua, vocabularios ortograficos e lexicos do portugues. Nao.



Na imagem, flagrante do "imperador da língua portuguesa" tomado por dúvida paralisante no instante em que firmaria um sermãozinho: "E agora? Com acento agudo ou circunflexo? Raios! E pitombas! Mas o sobrenome vai com ipsilone, num quero nem sabê!"

30 de dezembro de 2008

TESTE PARA SELEÇÃO DE JORNALISTAS

Uma sugestão aos responsáveis pelos departamentos de pessoal das empresas jornalísticas: depois de pesquisas que se arrastaram por meses, os especialistas do Sopa de Tamanco conseguiram montar um teste infalível para seleção de candidatos a vagas nas redações.

O candidato ao emprego deve ficar imóvel durante três minutos, diante um fiscal da empresa.

Se, ao final deste prazo, o candidato não latir nem relinchar deve ser sumariamente eliminado, porque não serve para a profissão jornalística.

Se, no entanto, o candidato emitir latidos e relinchos terá provado que é jornalista legítimo. Deve ser imediatamente contratado.

Porque mostrou estar preparado para ingressar nas redações brasileiras e produzir os jornais, revistas e programas de TV mais chatos do mundo.

15 PONTOS BÁSICOS PARA ENTENDER POR QUE DEUS NÃO É BRASILEIRO E PROVAVELMENTE NÃO TORCE PELO FLAMENGO

1. Se Deus fosse brasileiro, para começo de conversa, o sol não nasceria para todos, apenas para quem tivesse assinatura mensal, cujo preço seria o equivalente ao valor do sol pela cotação islandesa, multiplicado pela massa de Júpiter e dividido em prestações de acordo com o ano lunar.

Isso, caso você assinasse o pacote premium, que garantiria o direito a ver cinco cores, bronzear dois braços e uma perna, colocar seis cuecas no varal para secar (varal não incluído no preço) e fazer fotossíntese à vontade (promoção por tempo limitado). Outras propriedades e funções da luz poderiam ser compradas em raios individuais pelo sistema de pay-per-sun, que funcionaria ou não, a depender da sua fé nas atendentes de telemarketing.
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O pacote básico permitiria apenas fritar um ovo no cimento e queimar uma resma de papel com uma lupa. Porém, misericordioso, Deus pensaria nos mais humildes e encarregaria uma falange de anjos de vender baratinho o gato solar, gambiarra que, reaproveitando a luz da lua, incluiria também os serviços de segurança, fornecimento de gás natural e comércio de maná e espadas flamejantes.

2. Se Deus fosse brasileiro, as catástrofes naturais não atingiriam a todos indiscriminadamente. Com algum dinheiro por fora, avisaria os eleitos, com antecedência, da chegada de um furacão, de uma tempestade, de uma nevasca ou de uma sogra. Abriria um instituto de meteorologia através de um laranja, ficaria milionário e acabaria numa CPI, graças a denúncias do Espírito Santo, inconformado por não ter se envolvido na negociata. Subitamente elevado à categoria de herói nacional, o Espírito Santo posaria nu para a G Magazine e Deus fugiria para a Europa.
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3. Se Deus fosse brasileiro, as estações seriam 37, mas alguns juristas defenderiam a existência de 42; outros, de 29; outros, ainda, de 76; enquanto a OAB fecharia o caso em 11 ou 315, a depender da comissão. O que não significaria muito, porque, no final, só duas seriam observadas na prática: o Verão 1 e o Verão 2, não se sabendo exatamente sua ordem, data de início ou tempo de duração.
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CHUCK NORRIS É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ, EXCETO TALVEZ UM OU DOIS DENTES

No princípio destruiu Chuck os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia, porque Chuck dera um golpe de kick boxing nela e com uma cotovelada mandara as trevas para longe, arrastando o pobre Espírito de Deus, que pairava sobre a face das águas. E Chuck estapeou a face das águas e afogou o Espírito de Deus no abismo, para ele deixar de ser besta.

E disse Chuck: “Faça-se a luz, motherfucker”, e a luz, que é ajuizada, se fez. E viu Chuck que a luz era boa para levar umas porradas, e saiu desferindo cascudos em fótons, prótons, elétrons e demais partículas subatômicas que apareciam pela frente. E com um coice apartou a luz das trevas; e Chuck chamou à luz Fucking Dia, e às trevas Fucking Noite.
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(Texto completo, aqui)

COM A MORTE DE DEUS, PSDB PERDE UM FILIADO

Mataram Deus no século XIX com dois ou três sofismas na cabeça e seis silogismos à queima-roupa. O episódio foi semelhante ao do assassinato de César, com a diferença fundamental de que Deus não estava no Senado e, que saiba, não sofria de epilepsia. O ponto de contato é que ambos tinham a mesma mania de grandeza, apesar de o divino Júlio deter obviamente mais poder.

O Senhor passeava tranqüilo sobre a face das águas quando Nietzsche, que tinha entrado no Paraíso à socapa, com a intenção de matar Sócrates, deparou-se com Platão, banhando-se num lago de águas cristalinas e pensando: “Se o lago do mundo ideal é assim, imagina o lago do mundo ideal do mundo ideal!”
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(Texto completo, aqui)

29 de dezembro de 2008

CAMPANHA CONTRA O ANÚNCIO "SOMBRANCELHA"

Venho, através desta, declarar meu sincero e inútil apoio à campanha do Sopa de Tamanco contra os anúncios que, veiculados em horário nobre, trazem absurdos como "sombrancelha".

O Sopa já tinha chamado a atenção dos caros internautas para outros absurdos, como o texto de um anúncio de carro, em página nobre da Veja, que trazia a pérola "encarar de frente".

Quem escreve "encarar de frente" deveria sair algemado da agência de publicidade.

Mas, não.

Deve ter cobrado uma nota para escrever tal preciosidade....

Não é má vontade com publicitários em geral, não.

Mas aposto uma boiada:

os gênios que criaram o anúncio "sombrancelha"....

a) consideram-se mal pagos. Devem achar que merecem um salário muitíssimo maior
b) é provável que usem gel no cabelo
c) contrabandeiam uma palavra ou expressão em inglês a cada duas frases que pronunciam
d) acham sinceramente geniais os belos anúncios que concebem

Faço estas suposições porque um dia um de nossos confrades do Sopa teve a chance de ver uma cena inesquecível numa faculdade de jornalismo: um publicitário, com blusinha preta bem justa e gel no cabelo, exibiu, como se fosse uma obra de arte digna do teto da Capela Sistina, o anúncio de uma cerveja em que uma tartaruga fazia umas embaixadas com uma lata. O rapaz tinha criado o anúncio. Falava da peça publicitária, a sério, como se estivesse discorrendo sobre as consequências da descoberta da penicilina.

Um silêncio de pedra percorreu o auditório.

Deus do céu - devem ter pensado os espectadores. O cúmulo do ridículo acaba de ser batido.

Eu diria à platéia, se tivesse a chance de me materializar na penúltima fileira: sim, tens toda razão, oh, caros circunstantes ! ( eu sabia que um dia teria a chance de chamar outros bípedes de "circunstantes")! O recorde do ridículo foi batido, aqui, inapelavelmente, sem que o autor da façanha ao menos desconfie do feito que acabou de cometer!

A conferência do gênio publicitário seguiu até o fim.

C´est la vie.

A ÚNICA TESTEMUNHA OCULAR REVELA COMO BRIZOLA SAIU DO BRASIL EM 1964!

O depoimento completo aqui:


http://www.geneton.com.br/archives/000306.html

JOVEM, ALISTE-SE NESTA CAMPANHA, ESPALHE A CORRENTE PELA INTERNET, MOBILIZE SEUS VIZINHOS: QUEM SERÁ O AUTOR DO ANÚNCIO "SOMBRANCELHA" ?

A CAMPANHA LANÇADA PELO SOPA DE TAMANCO - PARA TENTAR IDENTIFICAR QUEM FOI O GÊNIO QUE BOLOU O ANÚNCIO DE REFRESCO EM PÓ GULA FRUTS EM QUE A ATRIZ CAROLINA DIECKMANN PRONUNCIA, COM TODA CLAREZA, A PALAVRA "SOMBRANCELHA" - GANHA UM APOIO DE PESO.

NÉLSON VASCONCELOS ADERIU À CORRENTE, NO PRESTIGIOSO GLOBO ON LINE:


http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/nelson/


PODE PARECER IMPLICÂNCIA. NÃO É. O COLETIVO DO SOPA DE TAMANCO CONSIDERA INTOLERÁVEL O FATO DE UM ANÚNCIO - VEICULADO EM HORÁRIO NOBRE - TRAZER TAL ATENTADO AO IDIOMA.

É SIMPLES ASSIM: A PALAVRA "SOMBRANCELHA" NÃO EXISTE NA LÍNGUA PORTUGUESA. É UM ERRO CAVALAR. COMO TAL, NÃO PODERIA SER DITA NUM ANÚNCIO VEICULADO NAS TVS.

PROPAGANDEADO NA TV, O ATENTADO AO IDIOMA CORRE O RISCO DE SE ESPALHAR FEITO ERVA DANINHA.

JÁ NÃO BASTA A IMENSA LEGIÃO DE ARTISTAS, JORNALISTAS (!), APRESENTADORES & ASSEMELHADOS QUE PRONUNCIAM IMPUNEMENTE A EXPRESSÃO "O ÓCULOS" ?

E O QUE DIZER DOS QUE DIZEM "PRA MIM VER" ?

O PIOR É QUE É GENTE QUE, EM TESE, DEVERIA ZELAR MINIMAMENTE PELA LÍNGUA, PORQUE USA MEIOS DE COMUNICAÇÃO.

O CASO DE UM ANÚNCIO É MAIS GRAVE.

PELO SEGUINTE: PARA QUE FOSSE LEVADO AO AR, O ANÚNCIO FOI ENSAIADO, FILMADO, REVISADO, EDITADO E APROVADO !!

NÃO APARECEU UMA SÓ VOZ PARA DIZER: "PAREM AS MÁQUINAS! DIZER "SOMBRANCELHA" É DAR UM CHUTE NO OUVIDO DOS OUTROS!".

NÃO. O ANÚNCIO CHEGOU AO HORÁRIO NOBRE.

A GRANDE MARCHA PELA DISSEMINAÇÃO DA IGNORÂNCIA DEU UM PASSO ADIANTE.

27 de dezembro de 2008

SOPA DE TAMANCO LANÇA MOBILIZAÇÃO NACIONAL: QUEM TERÁ FEITO O ANÚNCIO EM QUE A ATRIZ CAROLINA DIECKMANN DIZ "SOMBRANCELHA" ?

Nãó é a primeira prova de ignorância cometida em anúncio. Não será a última. Mas fica sempre a dúvida: como é que alguém - seja lá quem for - faz um anúncio em que se comete um erro tão estúpido de português ?

Como é que alguém que tenha passado do primeiro ano do ensino fundamental pode produzir e veicular um anúncio que traz, clara e límpida, a palavra "SOMBRANCELHA"?

Pois é o que a atriz Carolina Dieckmann diz, com todas letras, no fim do anúncio.

O Sopa quer saber: quem são os pais da criança ? Quem fez a tal peça ?

O produto anunciado chama-se Gula Fruts. O fabricante ( basta fazer uma busca rápida no Google) é a Gulozitos.

As buscam continuam.

26 de dezembro de 2008

UM ABSURDO EM HORÁRIO NOBRE: ANÚNCIO DE REFRESCO CHAMADO GULA FRUTS FALA EM "SOMBRANCELHA". SOMBRANCELHA! QUEM SERÁ O PAI DA CRIANÇA?

Um atentado aos ouvidos vai ao ar diariamente nas tvs, em horário nobre : o anúncio de um refresco em pó chamado Gula Fruts, com a atriz Carolina Dieckmann.

Os bravos investigadores do Sopa de Tamanco tentaram descobrir quem foi a agência de publicidade responsável pela pérola, mas não há indicação no site da empresa. Lá, informam que o anúncio foi produzido por uma empresa "conceituadíssima".

Deus do Céu, que empresa "conceituadíssima" é essa que produz um anúncio em que uma atriz diz, claramente, com todas as letras, uma palavra que não existe em nenhum dicionário ? A palavra é "SOMBRANCELHA" !!!!

Ninguém, nenhuma alma caridosa se deu ao trabalho de dizer ao gênio autor do texto que o certo é "sobrancelha". Simples assim. Mas os autores da peça publicitária com certeza imaginaram que o certo é "sombrancelha". Afinal, aqueles pelos que ornam os olhos devem produzir sombra....

O absurdo foi gravado, editado, aprovado e, pior, veiculado.

Resultado: nossos ouvidos desprevenidos são obrigados a ouvir, sem aviso prévio, a "SOMBRANCELHA".

Pergunta-se: quanto o autor do texto terá cobrado ?

Crianças que ouvem tal estupidez vão achar que a palavra "sombrancelha" existe. Se não existisse, não estaria num anúncio que deve ter custado uma nota.

Quem procurar no You Tube vai encontrar o atentado.


21 de dezembro de 2008

JÂNIO QUADROS: A REVELAÇÃO FINAL SOBRE A RENÚNCIA

Do site geneton.com.br

http://www.geneton.com.br/archives/000308.html :

A PALAVRA FINAL SOBRE A RENÚNCIA : DEITADO NUMA CAMA DE HOSPITAL, JÂNIO QUADRO REVELA OS MOTIVOS DO GESTO

A mais sincera confissão já feita por Jânio Quadros sobre os reais motivos que o levaram a renunciar à Presidência da Republica no dia 25 de agosto de 1961 somente foi publicada em 1995,em escassas sete páginas de uma calhamaço lancado por uma editora desconhecida de São Paulo em louvor ao ex-presidente.

Organizado por Jânio Quadros Neto e Eduardo Lobo Botelho Gualazzi,o livro ‘’Jânio Quadros : Memorial à Historia do Brasil’’ é, na verdade,um bem nutrido album de recortes sobre o homem. Grande parte das 340 páginas do livro,publicado pela Editora Rideel, é ocupada pela republicação de reportagens originalmente aparecidas em jornais e revistas sobre a figura esquisita de JQ.

A porção laudatória do livro é leitura recomendável apenas a janistas de carteirinha. O ‘’Memorial’’ traz,no entanto,um capítulo importante : a confissão que Jânio, já doente,fez ao neto,num quarto do Hospital Israelita Albert Einstein,no dia 25 de agosto de 1991, no trigésimo aniversário da renúncia.

Jânio morreria no dia 16 de fevereiro de 1992, aos 75 anos de idade. O neto fez segredo sobre o que ouviu. Somente publicou as palavras do avô quatro anos depois. Ao contrário do que fazia diante dos jornalistas - a quem respondia com frases grandiloquentes mas pouco objetivas sobre a renúncia - Jânio Quadros disse ao neto, sem rodeios e sem meias palavras, que renunciou simplesmente porque tinha certeza de que o povo,os militares e os governadores o levariam de volta ao poder. Nâo levaram.

Talvez porque já pressentisse o fim próximo,Janio admite,diante do neto,pela primeira vez,que a renúncia foi ‘’o maior fracasso político da história republicana do Pais,o maior erro que cometi’’.A já vasta bibliografia sobre a renúncia ganhou, assim, um acréscimo fundamental, feito pelo proprio Jânio - a única pessoa que poderia explicar o enigma. Desta vez, a explicação parece clara.

Um detalhe inacreditável - que revela como as redações brasileiras são povoadas por uma incrível quantidade de burocratas que vivem assassinando o jornalismo : a confissão final de Jânio mereceu destaque zero nas páginas da imprensa brasileira,o que é estranho, além de lamentável.

A imprensa - que passou três décadas perguntando a Jânio Quadros por que é que ele renunciou - resolve deixar passar em brancas nuvens a confissão final do ex-presidente sobre a renúncia, acontecimento fundamental na historia recente do Brasil.

Tamanha desatenção parece ser um subproduto típico de uma doença facilmente detectável nas redações - a Síndrome da Frigidez Editorial .Joga-se noticia no lixo como quem se descarta de um copo de papel sujo de café . Leigos na profissao podem estranhar, mas a verdade é que há notícias que precisam enfrentar uma corrida de obstáculos dentro das próprias redações, antes de merecerem a graça suprema de serem publicadas.! Isto não tem absolutamente nada a ver com disponibilidade de espaço, mas com competência, faro jornalístico.

Se a última palavra do um presidente sobre um fato importantíssimo não merece uma linha sequer em jornais e revistas que passaram anos e anos falando sobre a renúncia, então há qualquer coisa de podre no Reino de Gutemberg. Quem paga a conta, obviamente, é o leitor, a quem se sonegam informações.

O caso da confissão de Jânio sobre a renúncia é exemplar : a informação fica restrita aos magros três mil exemplares do livro do neto. E os milhares,milhares e milhares de leitores de jornais e revistas,onde ficam ? A ver navios. É como dizia o velho Paulo Francis: "Nossa imprensa: previsível, empolada, chata. Como é chata, meu Deus!".
Eis trechos do diálogo entre o ex-presidente e o neto,no hospital.As palavras de Jânio não deixam margem de dúvidas sobre a renúncia :

-‘’Quando assumi a presidência, eu não sabia da verdadeira situação político-econômica do País. A minha renúncia era para ter sido uma articulação : nunca imaginei que ela seria de fato aceita e executada. Renunciei à minha candidatura à presidencia, em 1960. A renúncia não foi aceita. Voltei com mais fôlego e força. Meu ato de 25 de agosto de 1961 foi uma estratégia política que não deu certo, uma tentativa de governabilidade. Também foi o maior fracasso político da história republicana do país, o maior erro que cometi(...)Tudo foi muito bem planejado e organizado. Eu mandei João Goulart (N:vice-presidente) em missão oficial à China, no lugar mais longe possível. Assim,ele não estaria no Brasil para assumir ou fazer articulações políticas. Escrevi a carta da renúncia no dia 19 de agosto e entreguei ao ministro da Justica, Oscar Pedroso Horta,no dia 22. Eu acreditava que não haveria ninguém para assumir a presidência. Pensei que os militares,os governadores e,principalmente,o povo nunca aceitariam a minha renúncia e exigiriam que eu ficasse no poder. Jango era,na época,semelhante a Lula : completamente inaceitável para a elite. Achei que era impossével que ele assumisse, porque todos iriam implorar para que eu ficasse(...) Renunciei no dia do soldado porque quis senbilizar os militares e conseguir o apoio das Forças Armadas. Era para ter criado um certo clima político. Imaginei que,em primeiro lugar,o povo iria às ruas, seguido pelos militares. Os dois me chamariam de volta. Fiquei com a faixa presidencial até o dia 26. Achei que voltaria de Santos para Brasília na glória. Ao renunciar, pedi um voto de confianca à minha permanencia no poder. Isso é feito frequentemente pelos primeiros-ministros na Inglaterra.Fui reprovado.O País pagou um preço muito alto. Deu tudo errado’’.

EI-LO



Cordeiro em pele de lobo, isso sim.


20 de dezembro de 2008

CONVITE PARA VER SHOW DA MADONNA !

Gosto de uma música de Madonna: Like a Prayer. Mas, entre gostar de uma música e ver um show completo, existe uma diferença maior do que o fosso constatado pelos cientistas no cérebro de Xuxa.

De qualquer maneira, eu aceitaria de bom grado um convite para ver o show de Madonna do começo ao fim, num camarote vip, desde que, em troca, eu recebesse um cheque em branco de Antônio Ermírio de Moraes para gastar no fim de semana em São Paulo, quatro diárias na suíte presidencial do Macksoud Plaza, quatrocentas toalhas brancas, uma personal trainner, trinta e cinco caixas de Coca-Cola, oitocentos e trinta chocolates Diamante Negro e trezentos mil reais, cash, para despesas imprevistas.

Tive a pachorra de encaminhar as exigências para os promotores do show. Engraçado: eles não responderam até agora. Deve ter acontecido alguma coisa com o carteiro.

Diante da falta de resposta, cancelei a viagem.

Deixo para a próxima. Mas continuo perguntando ao teto: Deus do Céu, aponte uma escassa frase inteligente já pronunciada por esta mulherzinha afetada, antipática, má cantora e compositora de uma música só.

Aos cinquenta anos, veste-se, pateticamente, como se tivesse dezoito. É tão sensual quanto uma maçaneta.

Toda vez que fala exibe aquele ar lastimável de quem comeu doce de côco podre.

Refaço, então, as contas: eu iria, sim, em troca de quinhentos e trinta e cinco mil reais, cash.

Não vai rolar.

A GRANDE MARCHA MUNDIAL DA IMBECILIDADE

É claro, animal : é óbvio que há exceções, raríssimas, mas gente que comete os seguintes pecados faz parte da Grande Conspiração dos Imbecis, uma confraria avassaladora que domina a tudo e a todos no planeta:


1) gente que diz "amo de paixão"

2) gente que manda "um beijo no coração"

3) gente que diz "êita nós"...

3) gente que, ao cometer um erro banal no meio de uma frase, diz "minto" antes de continuar a falar...

4) gente que fala, ri, canta e relincha alto em lugares públicos, especialmente restaurantes

A lista daria para preencher dez enciclopédias britânicas.

Em breve, continua, aqui, no nobre espaço da Sopa de Tamanco.

18 de dezembro de 2008

MADONNA MIA !


Dias de festa por causa de uma cantora. Então comemoro.

Comemoro essa Ella Fitzgerald clicada por Allan Grant em dezembro de 1958. Sim, ainda dá para apreciar a primeira-dama do jazz. Sem esforço e com muito prazer.

Avanço 50 anos. Que atraso. Ligo a tevê, me conecto, alguém aumenta o volume do rádio numa cozinha de Copacabana. Mal se passaram cinco dias, e não consigo mais ouvir a cantilena. É a Madonna. Dos outros.

17 de dezembro de 2008

40 ANOS ESTA NOITE...



Retrato de época numa foto dos anos de chumbo.
Na legenda, lê-se: "agentes secretos acham bastante razoável o espaço do porta-malas do gálaxie".

15 de dezembro de 2008

FURO !!


Só mesmo no Sopa de Tamanco você pode ver o que ninguém viu. Eis a mais famosa cantora pop do mundo flagrada agora há pouco num camarim improvisado no outrora glorioso Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, segundos antes de o figurinista lhe trazer o modelito patético com o qual assombrou meio mundo.

Em tempo: foi por pouco, pouco, muito pouco, pouco mesmo que o furo não apareceu na foto.

Acuada pelo fotógrafo da reportagem do Sopa de Tamanco que irrompeu no camarim quando os beques, ou melhor, os guarda-costas cochilaram, a cantora pop do modelito patético precisou cuidar sozinha da cidadela. "Desencosta da parede", disse ele com jeito, na língua dela. Nada feito. "Só porque é do Sopa acha que vou abrir a retaguarda?!", retrucou, sem pena, a cantora.

Nosso fotógrafo promete nova investida. Quem sabe, ainda neste torneio, ou melhor, turnê, o furo. Neste seu Sopa de Tamanco, é claro.

14 de dezembro de 2008

MADONNA: PAVOROSA NUMA ROUPA PATÉTICA PARA PARECER "SEXY"

Deus do céu! Que cena pavorosa é essa que meus olhos desprotegidos acabam de ver na TV ?

Madonna, aquela cantora mala, metida numa roupa patética para parecer "sexy", requebrava de um lado para outro no palco do Maracanã.

Que falta faz um assessor numa hora dessas !

Fico pensando: não é possível que não haja, na numerosíssima entourage da cantora, uma alma caridosa disposta a dizer a ela que é absolutamente ridículo uma cinquentona fazer trejeitos de adolescente idiota.

Como se não bastasse, a música que ela cantava, no trecho exibido na TV, era chatíssima.

Mas, como há otário para tudo, palmas para ela!

13 de dezembro de 2008

DEVE FICAR ASSIM


Daqui a duas semanas completa-se um mês desde que a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade inaugurada em outubro de 2002 no Calçadão de Copacabana teve os óculos arrancados. Pela sétima vez.

É de se lamentar. Mas não por muito tempo. Na semana em que se inaugurou a estátua de Dorival Caymmi no mesmo logradouro público, o comentário no Posto 6 é de que o problema com a estátua do poeta itabirano será finalmente resolvido pelas autoridades cariocas escoladas em... estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade no Calçadão de Copacabana. Sim, resolvido. E de uma vez por todas.

Como? Muito simples: lentes de contato.

TERÁ SIDO A MÃO ARMADA?



Flagrante de um Auto Union de corrida (16 cilindros, 550 cv) quando era descarregado no porto do Rio para correr o V Grande Prêmio da Cidade, no Circuito da Gávea, em 1937.

Reparem que, antes de baixar ao chão, os pneus já tinham sumido.

11 de dezembro de 2008

O GRANDE CAMPEONATO DA ESTUPIDEZ

Uma vez, numa entrevista, a entrevistadora obesa falava de uma tal de "Nanda".

Quem diabo é "Nanda", oh anta balofa ? Você quer que o pobre coitado do telespectador tenha a obrigação de saber de apelidozinhos de seus amiguinhos ?

Ah, adiante, o telespectador é informado de que se trata da atriz Fernanda Torres.

Em outro programa, a própria Fernanda Torres fala de uma tal de "Conspira".

Por intervenção do entrevistador, o telespectador consegue, afinal, descobrir que se trata de uma referência à Conspiração Filmes.

Em outro programa, a entrevistada fala de "Vlad".

Adiante, as vítimas (aliás, os telespectadores) são levados a supor que se trata do ator Vladimir Brichta.

E o que dizer de anúncios em que a atriz Juliana Paes é chamada de "Ju" ?

Não há qualquer resquício de dúvida: a televisão é, disparado, a maior fábrica de idiotices, estultices, antas, analfabetos e empulhações da história da Humanidade. Em matéria de indigência, não há nada comparável. Jamais haverá.

Que o digam os ouvidos dos telespectadores punidos por sons como "Nanda", "Vlad" e "Ju".

10 de dezembro de 2008

DE NOVO ELLA


Ella foi apresentada a Chick Webb por Charles Linton, que cantava na banda liderada pelo baterista, mas sem talento para o swing. Decidiu-se que uma cantora poderia resolver o problema, e o cantor foi incumbido de procurar uma vocalista que desse conta do recado.

Dias depois, o cantor conhece uma jovem cantora que ganhara o primeiro prêmio num concurso de calouros. Pede que cante algo. Achou a voz dela muito rouca. Mas boa. Perguntou se a jovem tinha outra canção para apresentar. Sim. Logo o cantor que fazia as vezes de caça-talentos interrompeu o número: "Venha, vou apresentá-la ao Chick."

Olha só o bonitão, de namorada nova, brincou Chick ao ver seu cantor com uma garota que estava longe, muito longe do padrão de beleza ou encanto tanto de um como do outro. "Quero que você a ouça cantando", diz Linton.

Chick Webb avança até o cantor, segura-o pela gola e lhe sussurra, como se gritasse: "Você não vai por isto sobre o tablado da minha banda. Não, não, não. Fora!"

O depoimento de Charles Linton está em Ella Fitzgerald: uma biografia da primeira-dama do jazz, de Stuart Nicholson. (Ed. José Olympio, 1997) Na foto, Chick Webb.

9 de dezembro de 2008


A reação do líder de banda Chick Webb quando lhe apresentaram Ella Fitzgerald?
Leiam amanhã aqui no Sopa de Tamanco.

7 de dezembro de 2008

TOMA !



Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, Oscar Niemeyer lembrou ao jornalista Jonathan Glancey o que ouviu de Walter Gropius, depois da visita do papa da Bauhaus à Casa das Canoas (ver post abaixo):

"Ele disse que era bonita, mas que não podia ser produzida em massa. Como se eu tivesse querido tal coisa! Que idiota."

5 de dezembro de 2008

1 X 1 = 1

Casa das Canoas / Oscar Niemeyer

COMBINADO: DIVIDA-SE A BELEZA


Walter Gropius


Oscar Niemeyer conta qual foi a reação do colega Walter Gropius depois de conhecer a Casa das Canoas, que aparece no post acima. Está no livro de Marcos Sá Corrêa citado posts abaixo. Fala, Oscar.

Ele veio, olhou bem e me disse que era bonita, mas pecava por não ser um projeto "multiplicável". Eu faço uma casa para mim, do tamanho da minha família, moldada ao terreno de São Conrado, aberta para a mata da Floresta da Tijuca, filtrando o sol do Rio de Janeiro, e Gropius queria que fosse multiplicável. Só para não sair sem ter falado uma besteira.

DOIS, UM PERNAMBUCO






A LUZ EM JOAQUIM CARDOZO
João Cabral de Melo Neto


Escrever de Joaquim Cardozo
Só pode quem conhece
Aquela luz Velásquez
De onde nasceu e de que escreve.

A luz das várzeas da Várzea
Onde nasceu, redonda,
Vem até o ex-Cais de Santa Rita
Que viveu: luz redoma,

Luz espaço, luz que se veste,
Leve como uma rede,
E clara, até quando preside
O cemitério e a sede.
(Retrato de Joaquim Cardozo por Di Cavalcanti)

... SUPERFÍCIES, TÊNIS, UM COPO DE ÁGUA.





É Oscar Niemeyer quem conta, em página de memórias citada por Marcos Sá Corrêa no perfil que fez do arquiteto:


O estado de saúde se agravava, os doentes do quarto vizinho e até os que eventualmente o procuravam começaram a irritá-lo. E a volta para a Casa de Saúde se tornou cada vez mais difícil. Lembro-me da noite em que se deitou no chão, recusando-se a entrar. Vieram os médicos e Cardozo dizia:
– Vou me afogar.

Delicado, um dos médicos ponderou:

– Doutor Cardozo, aqui não tem água.

E Cardozo, que não perdia ocasião de esclarecer um problema técnico, esqueceu a briga, comentando:

– Cava que encontra.


(in Marcos Sá Corrêa. Oscar Niemeyer. Rio de Janeiro: Ed. Relume Dumará / Prefeitura, 1996.)




4 de dezembro de 2008

O ENGENHEIRO SONHA COISAS CLARAS...


Encontraste algum dia
Sobre a terra
O fundo do mar
O tempo marinho e calmo?


Década de 7o. Muito, muito desgostoso, sozinho, muito só desde que, por incompetência alheia, um pavilhão de concreto calculado por ele desabara em Belo Horizonte, matando mais de 60 operários, Joaquim Cardozo embarcou no Recife para estar com Oscar Niemeyer no Rio.

O amigo arquiteto providenciou hotel para o amigo engenheiro, poeta responsável pelo cálculo estrutural da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, do Palácio da Alvorada e da Catedral de Brasília. Debruçado sobre o mar de Copacabana, Joaquim passava os dias no escritório do velho companheiro. À noite, Oscar o acompanhava até o hotel. Iam pela calçada. Jantavam. Trocavam impressões, idéias, recordações...

Não tocavam no assunto, mas, calados, lembravam "com íntima revolta" o acidente que desgraçara a vida do pernambucano e virara "objeto de exploração tão sórdida", como conta Niemeyer.

A rotina entre as pranchetas que os visionários diriam em balanço sobre as areias do Posto 6 e o quarto de hotel ali perto teve fim quando Joaquim precisou ser internado numa clínica do bairro de Botafogo. O engenheiro calculista que poetava em mandarim já não cabia na hospedaria. Mas tampouco haveria espaço dentro dele para um setor de psiquiatria.


Então, há 30 anos, um mês e um nascer do sol, morria no Recife o poeta nascido da "luz Velásquez", engenheiro que inspirou num conterrâneo inimigo da inspiração os versos em epígrafe.

3 de dezembro de 2008

MARIO QUINTANA; "VINDE, CORVOS, CHACAIS, LADRÕES DA ESTRADA!"

DO SITE www.geneton.com.br:


"O PROLETÁRIO É UM SUJEITO EXPLORADO FINANCEIRAMENTE PELOS PATRÕES E LITERARIAMENTE PELOS POETAS ENGAJADOS"

CINCO VERSOS DE MARIO QUINTANA (Alegrete, RS, 1906):

1. “Ai de mim/Ai de ti, ó velho mar profundo/Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios”.

2. “A vida é um incêndio/nela dançamos, salamandras mágicas/Que importa restarem cinzas/se a chama foi bela e alta?/Em meio aos torós que desabam/cantemos a canção das chamas!/Cantemos a canção da vida/na própria luz consumida...”

3. “Um poema como um gole d’água bebido no escuro/Como um pobre animal palpitando ferido/Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na floresta noturna/Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição de poema/Triste/Solitário/Único/Ferido de mortal beleza”

4. “Da primeira vez em que me assassinaram/perdi um jeito de sorrir que eu tinha/Depois, de cada vez que me mataram, foram levando qualquer coisa minha...”

5. “Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!/Ah! Desta mão, avaramente adunca,/Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!”

E VINTE E TRÊS RESPOSTAS:

Qual deve ser o primeiro compromisso da agenda da vida de um poeta?

QUINTANA: "O primeiro compromisso deve ser: não parar de poetar. Não parar de viver intensamente"

O senhor diz que gosta de fazer projetos a longo prazo, para “desafiar o diabo”. Que último desafio o senhor lançou?

QUINTANA: "O último desafio foi uma viagem – gorada – a Paris. O próximo, já em execução, é aprender a falar inglês. Eu era apenas tradutor de francês da Editora Globo. Aprendi, sozinho, a língua inglesa numa gramática, para traduzir. Mas apenas lia o que estava escrito, sem saber a pronúncia. Agora, estou lidando com um curso de inglês da Inglaterra por meio de fitas cassete. O primeiro tradutor de Virginia Woolf no Brasil fui eu. A tradução foi bem recebida pela crítica".

O escritor Erico Verissimo dizia que “Quintana é um anjo que se disfarçou de homem”. O senhor tem algum reparo a fazer à observação?

QUINTANA: "Tenho. Sempre desejei ser exatamente o contrário: uma espécie de diabo"

Qual a grande compensação que a poesia dá a quem a escreve?

QUINTANA: "Minha grande compensação é ter, às vezes, conseguido pegar a poesia nuínha em flor. Mas é difícil! (ri)"

Críticos já notaram que o senhor tem uma preferência especial pelas reticências. É verdade que prefere as reticências aos pontos finais?

QUINTANA: "Considero que as reticências são a maior conquista do pensamento ocidental, porque evitam as afirmativas inapeláveis e sugerem o que os leitores devem pensar por conta própria, após a leitura do autor"

O senhor diz que, ao escrever, “pergunta mais do que responde”. Qual a grande pergunta que o senhor não conseguiu ver respondida até hoje, aos oitenta e dois anos?

QUINTANA: "O essencial é a gente fazer perguntas. As respostas pouco importam"

Se a poesia, segundo suas palavras, “é uma loucura lúcida”, todo bom poeta deve ser necessariamente louco, ainda que lúcido?

QUINTANA: "Creio que é na Bíblia que foi escrito que todos nós temos um grão de loucura. O poeta deve ter esse grão de loucura, mas não necessariamente estar num grau de loucura"

O senhor já se confessou simpático à restauração da monarquia no Brasil. A notícia de que será promovido no início dos anos noventa um plebiscito para decidir se o Brasil deve ser monárquico ou republicano anima-o? Que cargo gostaria de ocupar no Brasil governado por um Rei?

QUINTANA: "É claro que nenhum! Eu não desejaria ser o Poeta da Coroa. A melhor receita para fazer um mau poema é fazê-lo de encomenda"

Além de poeta, o senhor é tradutor de obras clássicas, como vários volumes de Marcel Proust. Que semelhança pode existir entre o trabalho de tradução e o ofício da criação poética?

QUINTANA: "Há sempre uma diferença entre tradução literal e tradução literária. Creio que a tradução de um autor é, nada mais, nada menos, a estréia desse autor na literatura da língua para a qual ele foi traduzido. Daí, a responsabilidade enorme de traduzir um Proust, um Voltaire, gente assim"

O senhor já chegou a trabalhar simultaneamente na preparação de cinco livros. Em algum momento da vida se sentiu tentado a deixar de escrever?

QUINTANA: "Sempre estou escrevendo, em prosa e em verso.Venho trabalhando em quatro livros.Cinco é demais! Nunca pensei em deixar de escrever, porque é a única coisa que sei fazer na vida".

Qual o grande medo do poeta Mario Quintana hoje?

QUINTANA: "Tenho medo de dizer"

O senhor, segundo notou o autor de um artigo publicado pela revista ISTOÉ, "nada tem: nem casa, nem mulher, nem dinheiro, nem família". Tanto desapego foi escolha pessoal ou aconteceu à revelia do que o senhor desejou ?

QUINTANA: "Catastrófico o autor, para mim desconhecido, dessa coisa publicada na ISTOÉ. O certo é que elas não tiveram tempo...E agora,no fim da picada, acho preferível a solidão sozinho à solidão a dois. Quero a solidão sozinho!"
(Enclausurado num quarto de hotel em Porto Alegre, Mario Quintana tinha uma mania: escrever a mão textos que, só depois, eram datilografados pela secretária Mara Cilaine, guardiã do poeta)

O senhor já declarou que "o proletário é um sujeito explorado financeiramente pelos patrões e literariamente pelos poetas engajados". Em algum momento, o senhor acreditou que a poesia poderia mudar o mundo ?

QUINTANA: "Para mudar o mundo, caberia ao poeta candidatar-se a vereador,a deputado ou a outro cargo assim- e não fazer poemas que as classes necessitadas não têm tempo de ler. Ou não sabem ler.É verdade que Castro Alves influiu na abolição da escravatura. Mas acontece que Castro Alves era genial. Já nós temos apenas algum talento...."

O senhor é autor de uma sugestão original: a nação lucraria se pudesse escolher livremente os ministros - e não apenas o presidente. De onde nasceu essa constatação ?

QUINTANA: "Não me lembro de ter feito tal sugestão. Mas agora gostei! O povo poderia influir mais diretamente no Executivo - que não ficaria só com o presidente e seus amiguinhos..."

O senhor escreveu que a poesia é a "invenção da verdade". Conseguiu inventar todas as verdades que queria através da poesia ?

QUINTANA: O que meu cérebro lógico pensa não é exatamente o que pensa a parte não lógica do cérebro. Além da mera geometria euclidiana, existe a geometria não-euclidiana. Isso parece meio confuso, mas me faz lembrar uma verdade que escrevi um dia: a poesia não se entrega a quem sabe defini-la".

Aos oitenta e dois anos, o senhor é otimista ou pessimista diante do destino do homem neste fim de século?

QUINTANA: "Sou otimista. Há mais liberdade de expressão e mais comunicação. Não há, como nos meus tempos de menino, aquela proibitiva divisão entre as faixas etárias"

Num livro lançado há exatamente quarenta anos, Sapato Florido, o senhor escreveu que “os verdadeiros poetas não lêem os outros poetas. Os verdadeiros poetas lêem os pequenos anúncios dos jornais”. Qual foi, então, o melhor anúncio que o senhor já leu?

QUITANA: "Não sei se foi o melhor, mas o mais divertido foi este: “Alugam-se duas salas para mulheres bem-arejadas”. Ler os pequenos anúncios, em todo caso, é pôr-se em contato com as necessidades do povo"

Saber que “o vôo do poema não pode parar”, como o senhor diz em “O Vento e a Canção”, é um consolo para quem escreve?

QUINTANA: "Para quem escreve, saber que o vôo do poema não pode parar é sinal de que a vida continua deslizando, apesar dos solavancos"

O poema “No Meio do Caminho”, escrito por Carlos Drummond de Andrade no final dos anos vinte, foi ridicularizado e bastante criticado quando surgiu. O senhor, no entanto, incluiu o poema entre os que gostaria de ter escrito. De que maneira o senhor reagiria às críticas que foram feitas ao poema?

QUINTANA: "Quando alguém pergunta a um autor o que é que ele quis dizer, um dos dois é burro..."

Se "os caminhos estão cheios de tentações", qual a grande tentação do poeta Mario Quintana hoje ?

QUINTANA: "Os caminhos continuam cheios de tentações. Mas.....cabem,aqui, reticências"
Os jovens poetas sempre esperam ensinamentos dos mais experientes. Se um poeta de vinte anos pedisse um conselho a Mário Quintana, que resposta o senhor daria a ele ?

QUINTANA: "Que ele não exigisse conselho de ninguém - e seguisse o próprio nariz"Quem - ou o quê - atravanca o caminho do senhor hoje ?

QUINTANA :"Ah, a popularidade!"

E sobre a Academia Brasileira de Letras ?(N: Quintana foi derrotado nas três vezes em que tentou entrar para a Academia). O senhor não quer dizer nada ?
QUINTANA: "Não. Nem para dizer que não pretendo falar"

(1987)

2 de dezembro de 2008

O ENGENHEIRO SONHA COISAS CLARAS...



“O que mais me marcou na vida foi alcançar a compreensão de ter vindo de uma sombra, e de estar agora me dirigindo para uma outra sombra que suponho não ser a mesma de onde vim.”

Joaquim Cardozo, em entrevista ao Jornal do Commercio do Recife em julho de 1973

24 de novembro de 2008

ANÚNCIO FÚNEBRE : OS JORNALISTAS ESTÃO ENTERRANDO O JORNALISMO

Texto de Geneton Moraes Neto, no site http://www.geneton.com.br/ :


Começa a chover. Não me ocorre outra idéia para me proteger do aguaceiro: paro na banca para comprar um jornal. Em época de "crise econômica", eis um belo investimento, com retorno imediato: além de me brindar com notícias interessantes, o jornal, quando dobrado e erguido sobre a cabeça, cumpre garbosamente a função de guarda-chuva.

O jornal é de São Paulo.Poderia - perfeitamente - ser do Rio de Janeiro ou de qualquer outro estado brasileiro.Eu disse "notícias interessantes" ? Em nome da verdade,retiro o que disse.

Pelo seguinte: não sou nenhum fanático por informação, não passo quatorze horas por dia conectado, não sou desses jornalistas que, à falta do que fazer na vida, acham que não existe nada sob o sol além do jornalismo. Em suma: considero-me apenas um consumidor mediano de notícias. Ainda assim, eu já sabia de noventa e cinco por cento do que aquele jornal tentava me dizer na primeira página.

O que o jornal me dizia, nos títulos ? Que o São Paulo "abre cinco pontos sobre o Grêmio". Que novidade! Qualquer criança de dois anos que tivesse passado diante de um aparelho de TV na véspera já sabia. Nem preciso falar da Internet. "Chuvas em Santa Catarina matam 20". Que novidade! "Obama divulga nomes de cargos-chave". Que novidade! "EUA podem injetar até US$ 100 bi no Citigroup". Que novidade!

Não é exagero: eu já tinha recebido todas essas informações na véspera.

Tive a tentação de voltar à banca, para pedir meus dois reais e cinquenta de volta. Mas, não: resolvi dar um crédito de confiança ao jornal. Quem sabe, como guarda-chuva ele teria uma atuação melhor. Teve.

De tudo o que estava nos títulos da primeira página do jornal, só uma informação era "novidade" para mim: "Brasil será o único país do mundo que não eliminou hanseníase". Conclusão: o jornal estava me oferecendo pouco, muito pouco, pouquíssimo.

Tenho certeza absoluta de que milhares de leitores, quando abrem os jornais de manhã, são invadidos pela mesmíssimo sentimento: em nome de São Gutemberg, para quem estes jornalistas acham que estão escrevendo ? Em que planeta os editores de primeira página vivem ? Por acaso eles pensam que os leitores são marcianos recém-desembarcados no planeta ? Ninguém avisou a esses jornalistas que a TV e os milhões de sites de notícias já divulgaram, desde a véspera, as mesmíssimas informações que eles agora repetem feito papagaios no nobilíssimo espaço da primeira página ?

Os autores dessas obras-primas ( primeiras páginas que não trazem uma única novidade para o leitor médio!) são, com certeza, jornalistas que temem pelo futuro do jornal impresso.
É triste dizer, mas eles estão cobertos de razão: feitos desse jeito, os jornais impressos estão, sim, caminhando celeremente para o mausoléu. Não resistirão.

Os coveiros da imprensa estão trabalhando freneticamente: são aqueles profissionais que aplicam cem por cento de suas energias para conceber produtos burocráticos, óbvios, chatos, soporíferos e repetitivos.

Em suma: os jornalistas estão matando o jornalismo.

Quem já passou quinze segundos numa redação é perfeitamente capaz de identificar os coveiros do jornalismo: são burocratas entediados e pretensiosos que vivem erguendo barreiras para impedir que histórias interessantes cheguem ao conhecimento do público. Ou então queimam neurônios tentando descobrir qual é a maneira menos atraente, mais fria e mais burocrática de transmitir ao público algo que, na essência, pode ser espetacular e surpreendente: a Grande Marcha dos Fatos.


Qualquer criança desdentada sabe que não existe nada tão fácil na profissão quanto "derrubar" uma matéria. Há sempre um idiota de plantão para dizer : "ah, não, o jornal X já deu uma nota sobre esse assunto"; "ah, não, o jornal Y publicou há trinta anos algo parecido" e assim por diante. O resultado desse exercício de trucidamento jornalístico é o que se vê: uma imprensa chata, chata, chata, chata. É raríssimo aparecer um salvador de pátria que pergunte: por que jogar notícias no lixo, oh paspalhos ? Por que é que vocês não procuram uma maneira interessante e original de contar - e oferecer ao publico - uma história ? Haverá sempre uma saída!

A regra vale para jornal impresso, revista, rádio, TV, internet, o escambau.

Mas, não. Contam-se nos dedos da mão de um mutilado de guerra os jornalistas que devotam o melhor de suas energias para fazer um jornalismo vívido e interessante. Já os burocratas e assassinos, numerosíssimos, continuam golpeando o Jornalismo aos poucos. Vão matá-lo, cedo ou tarde, é claro.

Não há organismo que resista à repetição dos botes dos abutres ( um dia, quando estiver prostrado à beira de um pedaço de mar verde da porção nordeste do Brasil, farei - de memória - uma lista dos crimes que já vi serem cometidos, impunemente, nas redações. Se tiver paciência para juntar sujeito e predicado, prometo que farei um post. Almas ingênuas podem acreditar que absurdos não acontecem com frequência nas redações. Mas, em verdade, vos digo: acontecem, diariamente. O pior, o trágico, o cômico, o indefensável é que os assassinos do Jornalismo são gratificados com férias, décimo-terceiro, plano de saúde, aposentadoria, seguro de vida e vale-alimentação. Detalhe: lá no fundo, devem achar que ganham pouco....Quá-quá-quá).


Um detalhe inacreditável: em qualquer roda de conversa numa redação, em qualquer congresso ( zzzzzzzzzzz) de Jornalismo, é possível ouvir que há saídas simplíssimas. Bastaria tomar - por exemplo - providências estritamente "técnicas": em vez de repetir papagaiamente(*) nos títulos aquilo que a TV e a internet já cansaram de divulgar, por que é que os jornais não destacam na primeira página a informação inédita, o ângulo pouco explorado, o detalhe capaz de prender a atenção do coitado do leitor na banca ? Pode parecer o óbvio dos óbvios, mas nenhum jornal faz. Qualquer lesma semi-alfabetizada sabe, mas nenhum jornal faz. Se fizessem este esforço, os jornais poderiam, quem sabe, atiçar a curiosidade do leitor indefeso que entra numa banca em busca de uma leitura atraente. Coitado. Não encontrará. É mais fácil encontrar um neurônio em atividade no cérebro de Gretchen.

Fiz um teste que poderia ser aplicado a qualquer estagiário de jornalismo: tentar achar, no exemplar que tenho em mãos, informações que rendam títulos menos burocráticos e mais atraentes do que os que o jornal trouxe na primeira página. Em quinze segundos, pude constatar que havia,sim, no texto das matérias, informações mais interessantes do que as que foram destacadas nos títulos óbvios. Um exemplo, entre tantos: a chamada do futebol na primeira página dizia "São Paulo abre 5 pontos sobre o Grêmio". Por que não algo como "TREINADOR PROÍBE COMEMORAÇÃO ANTECIPADA NO SÃO PAULO" ou "JOGADORES DO SÃO PAULO PROBIDOS DE IR A PROGRAMAS DE TV"? A matéria sobre as enchentes dizia que, depois do maior temporal dos últimos dez anos, Santa Catarina enfrentava racionamento de água potável - um duplo castigo. E assim por diante. Daria para fazer dez chamadas diferentes. Mas.....o jornal repete na manchete o que a TV já tinha dito.

Quanto ao futebol: com toda certeza, as informações que ficaram escondidas no texto eram mais atraentes do que a mera contagem de pontos que o jornal estampou no título da primeira página! Afinal, cem por cento dos torcedores do São Paulo já sabiam, desde a véspera, que o time disparara na liderança. Não é exagero dizer: cem por cento sabiam. Mas, a não ser os fanáticos por resenhas esportivas, poucos sabiam que o treinador tinha proibido os jogadores de participarem de programas de TV, para evitar comemorações antecipadas. Por que, então, esconder o detalhe mais interessante ? É o que os editores fazem: tratam de sepultar a informação mais atraente em algum parágrafo remoto, lá dentro do jornal. Depois, querem que o leitor saia da banca satisfeito por ter pago para ler o que já sabia....

Estão loucos.

Resumo da ópera: os assassinos do Jornalismo, comprovadamente, são os jornalistas. É uma gentalha pretensiosa porque acha que pode decidir, impunemente, o que é que o leitor deve saber. Coitados. O que os abutres fazem, na maior parte do tempo, em todas as redações, sem exceção, é simplesmente tornar chata e burocrática uma profissão que, em tese, tinha tudo para ser vibrante e atraente.

Mas nem tudo há de se perder. Os jornais podem, perfeitamente, ser usados como guarda-chuva. Fiz o teste. O resultado foi bom: cheguei tecnicamente enxuto ao destino.

(*)Papagaiamente: neologismo que acabo de criar, iluminado por uma inspiração animalesca.

31 de outubro de 2008

O PIT BULL É DÓCIL!!!!!!!!!!

O Sopa de Tamanco pede licença aos caríssimos (e escassos ) leitores para reproduzir, aqui, aquela que é, disparado, a declaração do ano.

Quem frequentou sites jornalísticos nos últimos dias deve ter tomado conhecimento de um escândalo de décima quinta categoria, ocorrido numa boate da zona sul do Rio :

um sub-ator de décima oitava categoria, conhecido dos leitores de revistas de fofoca por se meter em brigas e barracarias várias, tentou agredir a noiva, uma modelo antipaticíssima e arrogante. Uma camareira se meteu entre os dois. O valentão jogou longe a pobre coitada.

O barraqueiro já tinha ameaçado agredir o apresentador um programa de entrevistas da MTV, mas foi devidamente enxotado do estúdio, numa cena que virou sucesso no You Tube.

Pois bem: o jornal "O Dia" desta sexta-feira traz uma declaração do mãe do Pit Bull.

O que disse ela ?

"Meu filho é dócil".

Mãe, como se sabe, diz qualquer absurdo em defesa do filho.

Mas esta declaração merece entrar numa antologia.

O menininho, aquele anjinho chamado Dado Dolabella, é uma doçura. Palavra da mãe!

Quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá.

Termina aqui a incursão do Sopa de Tamanco no submundo das pseudo-celebridades.

A partir de agora, os refletores do site voltam-se para os assuntos realmente importantes, como, por exemplo, o sorriso enigmático de Scarlet Johansson.

MAS... TEM MARCA DE BATOM?

Na semana em que editorias de esporte desperdiçam horas preciosas com uma cueca, vale a pena lembrar uma época em que o negócio dos pilotos era ganhar tempo, ainda que para isso precisassem correr riscos. Destemidos, eles tinham, no entanto, um grande medo, hoje meio sumido: o do ridículo.
Abaixo, um retrato dessa época.




Noite de sábado. À mesa de um restaurante carioca na Avenida Atlântica, com as mãos espalmadas para baixo, ele desenha no ar, com um movimento ondulado e firme, o relevo de uma região paulistana que marcou sua vida. E explica como, toda madrugada, baixava sobre essa região localizada entre duas represas uma neblina densa, muito densa. Ele então fala da pista de corrida que deu fama ao lugar. Quem o ouve viaja no tempo e no espaço: autódromo de Interlagos, final da década de 50. E presta atenção ao que ele vai começar a contar. Trata-se de saber como ele conseguia abrir caminhos tão velozes através da cerração que tapava a vista de todos os pilotos, menos a dele. Bird Clemente: eis o nome do comandante daqueles vôos noturnos e quase cegos.

Ídolo de campeões como Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, Bird marcou época no automobilismo brasileiro. Veloz, arrojado, habilidoso, dedicado, talentoso, audaz... A crônica esportiva enfileirava adjetivos para fazer jus ao volante campeão, enquanto ele deixava atrás de si filas de carros, alguns até mais potentes do que seu DKW ou sua berlineta Interlagos. “Berlinette”, como Bird prefere chamar.

Bird Clemente prepara para 2008 um livro. É garantia de boas e bem contadas histórias, por quem as viveu e construiu. Mas nosso piloto não é só passado. Ainda ligado ao automobilismo e atento, ele acompanha, por exemplo, o desenvolvimento tecnológico na Fórmula 1. Mas lamenta o fato de muitos dos pilotos dessa categoria terem se transformado em meros “operadores de instrumentos”. “Hoje, muitos se escondem atrás do equipamento”, diz. E critica a ausência de risco nos autódromos muito travados, a falta de emoção. “Ninguém vai a uma tourada para ver o toureiro enfrentar um touro sem chifre”, conclui.

De volta à beira-mar. Muitos causos, dois chopes e um espaguete à bolonhesa depois, Bird deixa o restaurante Fiorentina. Já passa da meia-noite; logo mais, ele será homenageado no Alto da Boa Vista pelos 70 anos de idade que completa em 23 de dezembro. Precisa descansar: menos de 12 horas atrás, encarou a Via Dutra em direção ao Rio. Mas o papo ainda continua, enquanto Bird caminha pelas calçadas do Leme até o carro estacionado junto à praia. Ele fala de motores e saudades, camaradagem e truques, pilotos e pistas.

Bird Clemente entra no carro, mas é de carona que ele vai até o hotel, no Posto 6. Nada de punta-taccos ou derrapagens controladas – os power slides em que era mestre. Segue na frente. E, na madrugada que avança, Copacabana parece cobrir-se de uma neblina densa, muito densa. Como naquele autódromo paulistano.

(Na foto, o volante Bird Clemente toca um Bino Mark I no autódromo de Jacarepaguá no final da década de 60.)

27 de outubro de 2008

SHIRLE, A DONA DA VOZ

Depois não digam que não avisei: há uma grande voz na praça, pronta a explodir. Nome: Shirle de Moraes. É gaúcha. Canta belíssimamente bem.

"San Vicente" é um "clássico" da dupla Milton Nascimento-Fernando Brandt. Quando já se achava que, tanto tempo depois, ninguém seria capaz de cantar "San Vicente" com tanta beleza, tanta força e tanto talento, eis que Shirle aparece para dizer que não é bem assim. É possível, sim, recriar "San Vicente" com uma interpretação arrebatadora.

Como se fosse pouco, a dona da voz é linda.

Que os locutores de todos os estádios tratem de gritar: é gol de Shirle !

Acorda, torcida brasileira: um novo, grande e belo nome acaba de entrar em campo!





PS: A voz de Shirle pôde ser ouvida na reportagem sobre os médicos que fizeram, quase quarenta anos depois,a festa de formatura que tinha sido proibida pelo regime militar:


http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL837728-15605,00-FORMATURA+DEMOROU+ANOS+PARA+ACONTECER.html

26 de setembro de 2008

EMBATE CLÁSSICO NA TV

— Nesse momento, os dois contendores adentram a arena. À direita de sua tela, Aristófanes, vestindo sua habitual pele branca com pêlos claros. E, à esquerda, Virgílio, com sua pele mais escura, de pêlos negros. Alguma informação, Tucídides?
— Bom dia, Tito Lívio, eu estou aqui com o veterano Aristófanes, que tenta manter a coroa de louros. Ari, o que você espera da luta de hoje?
— Só digo o seguinte: vou bater tanto que nem com toda a maiêutica Sócrates vai conseguir tirar os dentes de dentro dos pulmões.
— Bom, bem… Mas… Seu contendor é Virgílio…
— Tanto faz. Adversário é que nem discurso de Cléon: tudo igual.
— Virgílio se diz bem preparado e garante que entrará em Roma em triunfo.
— Retórica barata. Vou fazê-lo cair das nuvens. De tanto apanhar, vai sair daqui se sentindo uma rã. Vou esmagá-lo como uma vespa. Nunca mais vai encontrar a paz. Quando vir seu estado, sua mulher vai fazer uma greve de sexo. Em suma, vão acabar dizendo que ele é mais efeminado que Eurípides.

(Mais, aqui)

Julian Gough

Novelists need a range of modern, enlightened patrons. A bunch of Borgias. We need a system (online, worldwide) to match patrons and artists, setting out mutual obligations, allowing different models to be tried. The university system is doing her best, trying to be a nourishing mother (the original meaning of alma mater), but she's smothering her most beloved children.

(Mais, aqui)

DOIS PERSONAGENS EM BUSCA DE SE LIVRAR DE UM AUTOR

Muito se glosa (com “l”, que é quando se glosa mais glostoso) a questão…
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Muito se glosa — dizia eu, antes de ser interrompido pelo idiota que escreve os parênteses deste blog e que, tão-logo o encontre na região de minha psique onde se oculta há mais de trinta anos, extirpá-lo-ei com mesóclise, Id e tudo — a questão do…

Perdão. Exaltei-me. Muito se glosa, repito (se repetir mais uma vez, eu volto), deixando no parágrafo anterior o segundo imbecil da variada fauna de pascácios que em minh’alma habita, adepto do travessão, e que igualmente me impede de prosseguir com o texto, o que me…
.
Bom, esqueçam. Dizia que muito se glosa (eu avisei! O sujeito usa um recurso literário pobre como esse do monólogo interior, que impregna horrivelmente nossa baixa modernidade e ainda tem coragem de chamar alguém de idiota! E outra: fique sabendo que a azêmola, no caso, inserida em minha mente, é você, e não o contrário)…

(Mais, aqui)

23 de setembro de 2008

A ESTUPIDEZ TAMBÉM É UMA FORMA DE ARTE

Nos momentos em que, saindo de seu natural, um espírito superior é obrigado a deparar com a canalha humana e ouvir suas singelas parvoíces — por exemplo, em filas de cinema —, razões fisiológicas ou psíquicas de momento podem determinar três reações, basicamente: enfado, compaixão ou asco.

Quando, porém, a alma refinada caça um pascácio em púlpito iluminado, a relinchar como potro recém-amansado, já de óculos e diploma da USP sob um dos cascos, evento inteiramente diverso ocorre: o júbilo mais perfeito, o ápice da ventura moral — em suma, uma profunda e, como tal, gratificante experiência estética.

Gozo esplendoroso do tipo me ocorreu ao ler recentemente, naquele panfleto socialista americano, The New York Times, um artigo sobre a redescoberta e imediato reenterro de Machado de Assis, que terá lixo em película exposto em sua homenagem na maior metrópole chicana do mundo.

Apesar de escrevinhado em proto-inglês de estivador jamaicano, o artigo tem a qualidade de alinhar elogios de Harold Bloom, Susan Sontag (mulher, mas lia), Philip Roth e algumas outras figuras, maiores, menores e até ínfimas, como o pseudopoeta Allen Ginsberg, ao escritor brasileiro. Opinião consensual: trata-se de um gênio. Para alguns, o maior da América Latina, para outros comparável a Kafka etc. Enfim, o óbvio para qualquer um que não seja brasileiro.

Já um pouco enojado, meditava sobre as diferenças entre seres culturais e amebas: a Espanha envencilhou Cervantes e iniciou uma tradição literária, a Alemanha fez o mesmo com Goethe, Portugal com Camões, Inglaterra com Shakespeare. O Brasil aferrou-se a Joaquim Maria e também encetou uma tradição literária: com José de Alencar.

Pensando nisso, enfim, preparava-me para cerrar a página quando, bocejando, encontro a pérola, o velocino de ouro, a cabeça de Medusa, o parágrafo que desencadeou em mim as infindáveis sensações de arroubo descritas no primeiro parágrafo deste texto, como se estivera diante dos vitrais de Chartres, pouco antes do crepúsculo, degustando um bom Chablis:

Enthusiasts in the United States and Britain “are making Machado appear less and less like Machado,” the critic and author Antônio Gonçalves Filho argued last month at a symposium in São Paulo. “Actually, they are making the writer white, like Michael Jackson. All of a sudden, he’s become ‘universal.’ ”

Que argumentar? Há dessas estultices tão bem-acabadas, tão compactas, incisivas e poderosas, tão reveladoras do imperfeito maquinismo intelectual de quem a emitiu e do baixo estrato mental a que se filia seu autor, que nos provocam uma exultação sublime, um prolongado prazer, uma inextinguível alegria, como se tivéssemos acabado de ler um punhado de versos de Aristófanes ou Shakespeare, e nos tornam durante alguns minutos absolutamente incapazes de nos mover ou falar.

Salvei o artigo no computador e desde então o tenho relido, sempre desfrutando do mesmo regalo, com aquele sorriso de quem, ao levar o filho ao zoológico, de repente, num insight, ao olhar para a jaula dos macacos e vê-los atirando fezes nos passantes, ergue a coluna e caminha mais firme, sentindo-se feliz por, apesar de tudo, ser humano.

22 de setembro de 2008

SOGRA

A Igreja precisa manter a coerência. Ora, se o ato de falar ininterruptamente, aos berros, uma série de frases sem sentido a levou a adotar o Pentecostes como dia santo, nada mais justo que minha sogra seja canonizada.

Minha sogra fala tanto que quando vai a reuniões com as amigas carrega um Aurélio consigo, para o caso de faltarem palavras.
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(Mais, aqui)

DIFICULDADES DA VIDA MODERNA

— Nessas horas é que era bom ser Jesus.
— Que foi que cê disse?
— Jesus ou o Gorpo, do He-Man. Qualquer criatura dessas que têm o poder de fazer as coisas levitarem.
— Até onde sei, a única coisa que Jesus tem o poder de fazer levitar é o volume do som da igreja aí da frente. Você tá dizendo isso porque tá com preguiça de trocar o galão de água, né?
— Galão? Sei muito bem o que é um galão. Minha tataravó era inglesa, pro seu governo. Aí deve ter no mínimo cem litros. E o pior é que toda vez que olho pra ele, aumenta mais um.
— O que quer dizer que a gente vai ter que construir uma arca já, já, porque você tá a tarde toda olhando pra esse galão de água. Mais um pouco e ele ruboriza.

(Mais, aqui)

20 de setembro de 2008

ADMITO: TOM CARNEIRO É UM GÊNIO

Devo admitir, a muito custo, dada nossa consabida alfétena, que o Sr. Tom Carneiro vem desencerrando, com suas notícias acerca de artistas pop e comentários sobre TV, genialidade típica de um Samuel Johnson.
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Bem, é verdade que ele não tem a intelecção de Johnson. Tampouco apresenta a sagácia refinada do pensador. Eu sei, muitas vezes nem mesmo apresenta veios de raciocínio. E, bom, há rizópodes com capacidade analítica maior que a sua, claro. Sem falar que seu estilo é praticamente ilegível e sua originalidade, infinitesimal.
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No entanto, apesar disso tudo, conta com algo importante e distintivo a seu favor: a erudição. Certo, não tem uma erudição suxa ou vasta. Talvez não se possa mesmo classificar o que tem como erudição. Mas, pelo menos, e isso é o que interessa, pelo menos ele... ele... pelo menos...
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É, pensando bem, ao colacionar os dois, concluo que o Sr. Tom Carneiro não tem nada de Samuel Johnson mesmo.

A VOLTA DO BOÊMIO - V



"O escândalo começa quando a polícia lhe prepara um fim."
Karl Kraus


(Tradução deste escrevinhador)

19 de setembro de 2008

CAMPANHA CONTRA O ASSALTO: O PREÇO DOS SHOWS DE MADONNA

Bem que o Sopa de Tamanco tinha prevenido: um bando de otários reunidos em um só lugar forma o quê? A platéia de um show de Madonna!

Hoje, os jornais trazem a informação de que os ingressos para o show da mala aqui no Brasil custam muitíssimo mais do que para as apresentações no Chile e na Argentina.

Ou seja: além de tudo, é um assalto a mão desarmada.

O inacreditável é ver que tantos, por livre e espontânea vontade, estão prontos para fazer o papel de otários.

Ainda dá tempo: se não comprou, não compre ingresso para esta farsa.

Os preços estão, obviamente, superfaturados ( basta ler a coluna de Arthur Dapieve na última página do Segundo Caderno da edição do Globo desta sexta-feira).

A VOLTA DO BARÃO



“Quando vires um gigante, verifica a posição do sol e presta atenção se não é a sombra de um anão.”
Novalis



(Tradução deste escrevinhador)

A VOLTA DO BOÊMIO - IV



"Quando o sol da cultura está no ponto mais baixo, até anões lançam sombras grandes."
Karl Kraus


(Tradução deste escrevinhador.)

17 de setembro de 2008

A VOLTA DO BOÊMIO - III



"Um pára-raios numa torre de igreja é o mais veemente voto de desconfiança que se possa imaginar contra o bom Deus."
Karl Kraus

(Tradução deste escrevinhador)

O ARTISTA E SEU MODELO


Pensativo, Tom Carneiro descansa junto a seu modelo, em retrato feito por Auguste Rodin.

O MURO FALA



E pensar que a foto da intelectual acima é de Tom Carneiro...

O QUE O VETERINÁRIO ESTARIA FAZENDO COM UMA CARGA DE PROPOFOL NAS IMEDIAÇÕES DA CASA DO SR. NICOMAR LAEL ?

O propofol (ah, nome feio desgraçado) é um sedativo também usado para acalmar cães histéricos.

Um veterinário especializado em administrar propofol foi visto esta semana nas proximidades da residência do sr. Nicomar Lael.

Por uma extraordinária coincidência, desde então o sr. Nicomar desapareceu das páginas do Sopa de Tamanco.

Deveras curioso.

A FALTA QUE ELE FAZ: JOEL SILVEIRA ( OU: O QUE UM REPÓRTER PODE FAZER DE ÚTIL NA VIDA, ALÉM DE TENTAR JOGAR ÁGUA NA GRANDE FOGUEIRA DO ESQUECIMENTO ?)

Que falta faz o mestre Joel Silveira.

Faz um ano e um mês que ele morreu. Guardo como se fosse um tesouro a herança de nossa convivência: eu era o discípulo tentando aprender com o mestre.

Uma das falhas da personalidade de um repórter é agir como repórter até diante de amigos. Que coisa! Confesso: é o que fiz com Joel Silveira. Éramos amigos. Mas, ali, eu era, também, um repórter diante de um personagem. Não poderia voltar para casa de mãos vazias. Não voltei. Ao longo desses anos todos, gravei conversas que tive com ele, na sala do apartamento de um sexto andar da rua Francisco Sá, em Copacabana.

Modéstia à parte, a causa era nobre: eu não queria que as coisas que ouvia de Joel ficassem somente comigo. Era preciso repartir, espalhar,compartilhar aqueles ensinamentos, críticas, boutades, lembranças e confissões de um grande repórter que, com todo merecimento, ocupa uma vaga no esfarrapado Panteão do Jornalismo Brasileiro. Joel foi um dos grandes pioneiros no uso de técnicas literárias em textos jornalísticos.

Preservo, com todo cuidado, a pequena coleção de fitas. Pergunto: que outra coisa de útil pode fazer um repórter, além de sair coletando da maneira mais cuidadosa possível as lembranças alheias, para dividí-las com os leitores ? Nada. A essência do jornalismo é esta.

Sem pretensões descabidas, sem megalomanias risíveis, sem exibicionismo vulgar: o repórter pode, sim, ser útil ao funcionar como o pequeno guardião de histórias e memórias que - de outra maneira - estariam inevitavelmente condenadas a desaparecer na poeira da estrada, destino inescapável de tudo e de todos. Em seus melhores momentos, o repórter atua como se fosse um bombeiro ingênuo: tenta fazer com que a Grande Fogueira do Esquecimento não devore tudo. É uma batalha inglória, mas, como nas piores e mais piegas histórias edificantes, ele descobrirá que, feitas as contas, o esforço "vale a pena", sim. A alternativa é terrível: cruzar os braços e não fazer nada. Chamuscado, ele sairá do prédio em chamas com alguma coisa nas mãos: quem sabe, uma velha fita cassete, um bloco de anotações. A função do repórter é, portanto, a de oferecer ao distinto leitor uma coleção de "salvados do incêndio".

(Assim, não me arrependo nem um pouco de ter importunado Carlos Drummond de Andrade em agosto de 1987 sem imaginar que ele vivia uma dor indizível: a filha, Maria Julieta, estava à beira da morte, na cama de um hospital. Drummond cedeu à minha insistência. Deu-me uma longa entrevista. Dias depois, a filha morreu. Em duas semanas, o próprio Drummond estava morto. A entrevista terminou virando uma espécie de testamento do maior poeta brasileiro. Importunei o poeta, sim, mas cometi uma "boa ação": produzi um documento sobre ele. Ah, o belo desafio de transformar lembranças em matéria "palpável": as palavras impressas....As declarações que arranquei do poeta arredio ocupam setenta páginas do livro "Dossiê Drummond", republicado há pouco tempo pela Editora Globo, em edição "revista e atualizada". Bem ou mal, as declarações que o poeta quis fazer apenas duas semanas antes de morrer não se perderam no ar: ganharam vida, ficaram guardadas em bibliotecas, vão ajudar um ou outro leitor a compreender o personagem Drummond. Missão cumprida, portanto. Um dia, o "Dossiê Drummond" haverá de cumprir o destino final de tantos e tantos livros: escondido lá no fundo de uma prateleira de um sebo empoeirado, cairá nas mãos de um leitor anônimo. Como se fosse um escanfandrista em busca de ostras perdidas no fundo do oceano, o leitor curioso desembolsará um punhado de reais por aquele feixe de lembranças impressas. O destino do livro terá se cumprido, na íntegra).

Paro por aqui. Ouço o ruído inconfundível das patas de uma fera roçando na porta dos fundos: é o Cão da Subliteratura querendo entrar. Já o conheço de outros carnavais, é claro. Bato em retirada antes que ele se instale na sala.

Mas deixo uma promessa por escrito.

Prometidíssimo: cedo ou tarde, vou reunir em livro as gravações que fiz com Joel. Podem ser úteis à troupe minoritária dos que se interessam de verdade por jornalismo. Joel foi pioneiro no uso de técnicas literárias no texto jornalístico.

Já tínhamos até escolhido um título: "Diálogos com o Último Dinossauro".

Há um ano, a gente falava da visita indesejada que bateu à porta do apartamento de Joel Silveira:


A VIDA IMITA O POEMA NA MORTE DE JOEL SILVEIRA: O AGENTE FUNERÁRIO CHEGOU NA HORA. E A PLACA DO CARRO ERA LFR 1236

Faz pouco tempo, descobri um belo poema de Lawrence Ferlinghetti. O poeta diz, com outras palavras, que o mundo é um belo lugar, mas um dia, cedo ou tarde, ele virá : o agente funerário sorridente.
E o agente veio. Acabo de sair da casa de Joel Silveira. Não quis ver a saída do corpo. A Santa Casa de Misericórdia avisou que o agente chegaria às duas horas. Pensei comigo: "Com a pontualidade brasileira, ele vai chegar lá para as quatro da tarde". Engano. Nem uma hora e cinquenta e nove minutos nem duas horas e um : eram duas em ponto quando o agente apertou a campainha, no apartamento de Joel Silveira, no sexto andar de um prédio da rua Francisco Sá, em Copacabana. O agente encenava, sem suspeitar, o poema de Lawrence Ferlinghetti. Era como se dissesse: tudo pode atrasar no Brasil, mas a morte, quando vem, chega exatamente na hora, sem tolerância. Nem um segundo de atraso.

Desci do sexto andar. Lá embaixo, tive o gesto inútil de observar a placa da Kombi branca da Santa Casa de Misericórdia: LFR 1236. A Kombi trazia, nas laterais, o nome da Santa Casa e o telefone: 0800 257 007.

Joel tinha inveja de um personagem de Vitor Hugo que, minutos antes de ser guilhotinado, dizia, resignado, que estava pronto para a execução,mas "gostaria de ver o resto". Ou seja: o personagem gostaria de descrever a própria morte. Que palavras Joel usaria ?

Quanto a nós, discípulos e aprendizes, já não há o que fazer, além de anotar a placa da Kombi : LFR 1236, três letras e quatro números amargamente inúteis.


PEQUENA EXPEDIÇÃO RUMO AO MEU MURO DAS LAMENTAÇÕES : UMA DÚVIDA SOBRE MODELOS, ATRIZES E ESCRITORES E INTELECTUAIS

Intelectual francês com cachecol no pescoço e caspa no ombro adora escrever artigos intermináveis sobre o sexo dos anjos. Ao fim de duzentas e oitenta páginas, o leitor comtempla o teto e pergunta aos astros: "o que é esta anta quer dizer, afinal?" ( O Sopa de Tamanco publicou, há algum tempo, um artigo do nosso confrade GMN sobre imposturas intelectuais cometidas às margens do Sena).

Mas há um tema que bem que mereceria um desses estudos ridículos de semiólogos franceses:
as poses feitas diante das lentes de fotógrafos.

Há décadas acelento duas dúvidas.

Primeira: quando querem parecer sensuais, mulheres - em geral, atrizes, cantoras ou aspirantes - fazem a seguinte pose nas fotos: sentadas, escostam um joelho no outro e estendem os pés em direções opostas. Invariavelmente, inclinam o tronco para frente. Há centenas de fotos assim, em ensaios e reportagens. A dúvida: quem disse que esse desarranjo de joelhos e pés é remotamente sexy ?

Segunda: quando querem parecer sabidos, escritores - ou intelectuais de outras extrações - fazem a seguinte pose nas fotos: fecham uma das mãos, como se fossem esmurrar alguém. Em seguida, pousam o queixo sobre a mão fechada. Há centenas de fotos assim, em orelhas de livros, entrevistas, reportagens. A dúvida: quem disse que esse desarranjo de punhos e queixos é indicativo de brilho literário ?

São apenas dúvidas, perguntas que pronuncio em voz baixa, quase inaudível, diante do meu Muro das Lamentações particular, nas visitas que faço a ele, no final das tardes.

A resposta, como sempre, é um silêncio pétreo. Porque muros não falam. Mas ouvem.

A VOLTA DO BOÊMIO - II


"Meu único e verdadeiro êxito consiste em ter tornado o mundo, no qual estou por natureza impedido de entrar, bem mais incerto."
Karl Kraus
(Tradução deste escrevinhador)

DICIONÁRIO




Nem masc. nem fem. nem de nenhum outro sexo,
tem também o ósculo, beijo que só se dá no léxico.

SUBPENSAMENTOS

Sou um ouvinte cíclico e obsessivo de música. Certa vez, passei seis meses escutando unicamente Tchaikovsky. Parei um dia quando percebi que estava indo da cozinha à sala na ponta dos pés.

***

Não acredito na Onipresença divina, mas não sou radical. Creio, por exemplo, na Onipresença daqueles conjuntos de flautistas andinos de praça pública.

***

A questão da corrupção brasileira, além de econômica e social, é também psicanalítica. Primeiro, os corruptos fodem despudoradamente o país. Depois, mandam o dinheiro para as Ilhas Virgens.

(Mais, aqui)

O DICIONÁRIO DO POBRE-DIABO

Óculo s.m. Mesmo que olho mágico. Pequeno dispositivo circular, equipado com lente, que se embute nas portas para que não se consiga ver de dentro o quem está lá fora. Uso: “Quem é? Hein? É você Marilda? Aproxima mais... Não, pra esquerda... Agora volta um pouco... Foi muito...”

O DICIONÁRIO DO POBRE-DIABO

Óculos s.m. Artefato provido de lentes e usado, em geral, para auxiliar a leitura por parte de analfabetos com problemas de visão e carência de neurônios. Uso: “Coloquei meus óculos para ler um livro genial, brilhante e profundo de Marcelino Freire”.
Loc. Óculos de sol: óculos de lentes escuras que servem de proteção contra os raios solares e é comumente utilizado à noite para demonstrar o quanto o indivíduo é idiota. Uso: “Fui de óculos escuros ao show da Madonna”.

16 de setembro de 2008

IN MEMORIAM DE MIM MESMO

Meus dezessete anos. Ah, meus dezessete anos. Criatividade a mil, energia a toda. Passava noites em claro escrevendo textos que eram, para mim, originalíssimos. Eu delirava imaginando livros: primeiro uma coletânea de contos, depois um romance. Ponto alto desta época: o sol nascendo na Serra do Mar enquanto eu terminava a impressão caseira de um livro intitulado, melancolicamente, In Memoriam.

Minhas ambições literárias atuais se alimentam destas lembranças. Fico me imaginando novamente com aquela energia, vontade e determinação. Olho para a janela e ainda é noite lá fora. Não escrevi nada. Não são nem dez horas e eu estou cansado. Será mais um dia de adiamento.

Criatividade sem produção não é nada. E, no entanto, isso é tudo o que tenho neste momento: vários arquivos com sinopses de livros de ficção e não-ficção que quero escrever. Mas não escrevo. E o rol de desculpas é vasto: falta de tempo, barulho excessivo, medo e, por fim, incapacidade.

É por estas e outras que, hoje em dia, admiro os escritores – qualquer um. Até mesmo os piores. Porque eles tiveram (têm) algo que me falta: coragem. Aquela mesma coragem que eu tinha aos dezessete anos, ao escrever meia-dúzia de lugares-comuns e chamá-los, orgulhosamente, de obras-primas.

(Tirado daqui)

O CHÁVEZ DO ÁRTICO

Li hoje uma comparação interessante: Sarah Palin, a candidata à vice-presidente dos Estados Unidos, seria uma espécie de Chávez do Ártico.

A comparação vem em boa hora. Há tempos estou querendo dizer que uma pessoa que sequer cogite proibir livros em bibliotecas não pode nem se dizer nem ser considerada de direita. Simplesmente porque uma pessoa destas não preza o valor mais precioso do mundo: a liberdade que, em teoria, diferencia direita e esquerda.

O que me leva a mais uma constatação triste: não existe, como acreditam os inocentes, uma polarização na política norte-americana (não vale a pena nem falar do Brasil…). Não existe esquerda e direita. O que existe são formas diferentes (mas não antagônicas) de controle. De um lado, o controle das minorias, do politicamente correto, dos impostos, da distribuição à força de renda; de outro, o controle do fundamentalismo religioso, da paranóia e do nacionalismo extremado.

(Tirado daqui)

A VOLTA DO BOÊMIO - I


"No trato com o idioma, o escritor se vê diante da tarefa de transformar uma meretriz comum numa virgem."
Karl Kraus

(Tradução deste escrevinhador)

QUEM É O GÊNIO QUE ESCREVE OS ANÚNCIOS DA CERVEJA SKOL ? UM PROFESSOR DE PORTUGUÊS PARA ELE, URGENTE!

Se ninguém se der ao trabalho de apontar as demonstrações públicas de ignorância, o que será da Última Flor do Lácio ?

Quem será o genial redator encarregado dos textos dos anúncios da cerveja Skol exibidos na TV?

A última imagem do anúncio é um letreiro que avisa:

"Se for dirigir não beba"

A não ser que tenham revogado as mais elementares regras de pontuação, há uma vírgula obrigatória entre o "dirigir" e o "beba".

Se for dirigir, vírgula, não beba"

Mas os grandes gênios da publicidade fazem questão absoluta de escrever errado ( ver outros posts sobre anúncios que trazem, por exemplo, a palavra "antibraço" (!) e a expressão "encarar de frente").

Aposto minha mão direita como os criadores deste anúncio estão neste exato momento fazendo palestras para estudantes ingênuos, com a pose característica: a de reis da cocada preta.

Ah, Nossa Senhora das Vírgulas e dos Verbos, por que será que o estoque de imposturas parece interminável ?

VISITA À CHATOLÂNDIA - 1


Crianças sonham em ir à Disneylândia. Vou fazer uma confissão: sonhei que estava num imenso parque chamado Chatolândia.

Que coisa...

Logo na entrada, numa espécie de palanque, um coral emite trinados de variados decibéis, para dar as boas-vindas aos visitantes. Aproximo-me do palco: lá estão Oswaldo Montenegro, Elba Ramalho, aquelas mulheres que só cantam músicas de Chico Buarque, uns rappers paulistas, um grupo de seresta cantando Peixe Vivo, Marcelo Camelo, Carlinhos Brown, os Engenheiros do Hawai, cantoras gordas de bossa-nova fazendo "ba-da-ba-da-ba-da-baiá-ba-da-ba-da-baiá", um repórter de televisão pronunciando trocadilhos em série, uns índios encenando a dança da chuva em torno de uma fogueira cenográfica, um conjunto de forró repetindo os versos de Asa Branca, um publicitário se elogiando diante de um espelho, um aparelho de TV exibindo comerciais da NET, um locutor lendo com voz empostada artigos do caderno "Mais" (Folha de S.Paulo), atores e atrizes querendo parecer engracadinhos em anúncios de companhias telefônicas, um ecologista discursando sobre "sustentabilidade". Misturados, os sons formam uma trilha indescritível.

Imobilizadas pelos pais para não fugirem das cadeiras em desabalada carreira, crianças choram na platéia. O espetáculo, como se dizia antigamente, é "dantesco". Mas vou em frente. Um imenso painel, à moda dos dazibaos chineses, exibe as certidões de nascimemto dos personagens que habitam o palco. Todos, absolutamente todos, têm os mesmos nomes: "Chatolino da Silva Xavier" e "Chatolina da Silva Xavier". Imagino-me num filme barato de terror: todos os personagens que me rodeiam se chamam ou Chatolino ou Chatolina.Como poderei distinguir uns dos outros ? A quem poderei pedir socorro para sair daquele labirinto ?


Penso: deve ter havido algum engano. Não estarei no inferno, por acaso ?
Como se tivesse ouvido meus pensamentos, uma atendente com sotaque paulista me saúda: "Boa tarde! O senhor acaba de entrar na Chatolândia! Nós estaremos disponibilizando um guia. Assim, o senhor estará aproveitando ao máximo a visita! ".

Acordo coberto de suor, com o coração aos pulos.

O pior: um minuto depois que voltei a dormir, o pesadelo recomeçou. Quando, afinal, acordei, já manhã alta, tive o cuidado de anotar o que vi na excursão à Chatolândia.

Em breve, contarei, aqui, neste Batcanal.

A PORTA

Olho para a nova porta da sala : tenho a clara impressão de que já a conhecia de algum lugar. A porta: aquela superfície plana, monótona, sem nuances.


Ah, já sei! Tudo não passou de uma pequena confusão: confundi a coitada da porta com aquele ator que faz papel de jornalista da novela das oito, Carmo alguma coisa.

Acontece...

15 de setembro de 2008

A PIOR FORMA DE TORTURA: TER UM PROFESSOR (A) DE PIANO COMO VIZINHO!

Confirmadíssimo: quem, por um terrível azar geográfico, termina morando ao lado de um professor (ou professora) de piano, jamais, jamais, jamais conseguirá ficar cem por cento contra a pena de morte.

É claro que a pena de morte é uma demonstração de barbárie, rechaçada pela maioria das nações ditas civilizadas.

Mas....é assim que séculos e séculos de civilização vão para o ralo:

basta que duas mãos invisíveis passem horas e horas e horas extraindo do teclado do piano aquela música que diz "Rio de Janeiro, gosto de você....", com floreios, variações, repetições infinitas. Não há quem resista!

É um fenômeno físico, uma questão de ação e reação: começo a admitir a possibilidade de que a pena de morte poderia, sim, ser aplicada em benefício da humanidade, não contra os professores (as), mas contra os pianos usados nas aulas!

Sem os pianos utilizados como mísseis sonoros para atormentar os vizinhos, os professores poderiam se dedicar a tarefas menos incômodas, como, por exemplo, latir baixinho.

Depois de ver meus tímpanos fatigados serem atacados durante horas a fio pela tormenta sonora, começo a delirar, febril:

vejo, claramente, uma força tarefa multinacional invadindo o prédio pelo elevador social, pela garagem, pelas portarias. Não, as falanges não planejam atacar ninguém. Querem apenas fazer um grande favor à humanidade: destruir com rajadas certeiras a fonte de todo infortúnio, o grande emissor de sons insuportáveis, o arauto de todas as repetições, sim, ele, o desgraçado do piano que, neste exato momento, agora, seis e meia da tarde de uma segunda-feira, ataca com variações da Marselhesa.

Ressuscitai, revolucionários da Bastilha! Vinde,urgente, em socorro de nossos tímpanos dilacerados!

ALSO SPRACH...

Wie bitte ?!
(Na foto, Friedrich Nietzsche em Jena)



TENHAM UMA ÓTIMA SEMANA



Em algum lugar no meio da perturbação nervosa, fiquei bastante deprimido. A depressão permaneceu comigo por mais de um ano; ela era como um animal, uma coisa bem definida, espacialmente localizável. Eu acordava, abria os olhos, escutava – será que ela está por aqui ou não? Nenhum sinal dela. Talvez esteja dormindo. Talvez me deixe em paz hoje. Com cuidado, com muito cuidado, me levanto da cama. Tudo quieto. Vou à cozinha, começo a tomar o café da manhã. Nenhum som. TV – Bom dia América, David Não-sei-de-quê, um sujeito que não suporto. Como e vejo os entrevistados. Devagar a comida enche o meu estômago e me dá força. Agora uma ida rápida ao banheiro, e a saidinha para minha caminhada matinal – e aí está ela, minha fiel depressão. “Pensou que poderia sair sem mim?”

(Killing time: the autobiography of Paul Feyerabend)
(Em tradução escrava, pelo escrevinhador.)

AMOR E ÉTICA À BRASILEIRA

- Você? Sua canalha! O que é que você tá fazendo aqui?
- Simples, Adelson. Andei analisando o cenário político nacional durante um bom tempo e acho que eu mereço uma segunda chance.
- Uma oitava chance, você quer dizer. Porque, até onde eu sei, você me traiu sete vezes enquanto estivemos casados!
- Sete e meia, Adelson, considerando que também saí com Montanha, o Famoso Anão Tirolês.
- Não acredito! Você me traiu com aquele anão! O anão trabalha em circo, Ofélia! Como é que você pode ter feito isso?
- Com alguns tijolos pra dar o calço, Adelson. Mas a questão não é essa. O fato é que vivemos o Estado democrático de Direito e…

(Mais, aqui)

REVISTAS SEMANAIS

- Cara, eu não acredito!
- Que foi?
- Dá só uma lida aqui nessa matéria da Veja.
- Não posso.
- Como assim? Tá sem óculos?
- Pior. Tô com cérebro.


(Mais, aqui)

BOLÍVIA?

Leio por acaso um desses papéis escritos em língua bárbara a que, a falta de outro nome ou por incerta alfabetização, costumou-se alcunhar jornais. Encetando ingente esforço, contenho o asco e me informo sobre a catastrófica situação política boliviana. Terminado o relincho do jornalista (desculpem o reles uso do vocábulo “relincho”, que não sei se é acurado, pois ao contrário do que ocorre em relação a pássaros e ovinos, por exemplo, ignoro a voz desse tipo de animal), faço uma prece ao deus dos aristocratas para que o conflito civil naquele país termine da melhor forma possível. Ou seja, com a completa extinção da Bolívia.

NEURÓTICA

Desvelando alma própria de fêmeas, mais uma vez Tom insiste para que volte a batê-lo. Acederia ao pedido com prazer, Tom, mas minha mulher já está com ciúmes. E, ao contrário de você, ela não é neurótica, ou seja, não tenta reagir às bofetadas. De modo que lhe aconselho a prática do coito passivo para aplacar seu irrefreável anelo. Quanto a principiar o desenvolvimento de raciocínios a minha altura, proponho a entrada numa dessas igrejas de pobre, neopentecostais, único sítio de meu conhecimento onde se pratica a taumaturgia.

14 de setembro de 2008

O CAMINHO DAS PEDRAS: QUER TER (DE GRAÇA!) UMA AULA DE JORNALISMO COM O REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE ? NOME DA FERA: CARL BERNSTEIN

É só clicar aqui:

http://www.geneton.com.br/archives/000275.html


Obrigado, Bill Gates!

SUDERJ INFORMA: O TIME DO PAI (PEQUENOS ANIMAIS INVERTEBRADOS) GANHA DE UM MILHÃO A ZERO DO SR. NICOMAR LAEL!

O Corpo de Bombeiros, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a equipe médica do Hospital das Clínicas finalmente deram por encerradas as buscas.

Não, não foi possível localizar nenhum neurônio no cérebro do sr. Nicomar Lael.

Nada, nada, nada - nem o mais leve vestígio.

Registre-se que pequenos animais invertebrados podem ter até um milhão de neurônios no cérebro.

Ou seja: o time do PAI ( Pequenos Animais Invertebrados) ganharia de goleada um campeonato de sapiência disputado contra o sr. Nicomar Lael.

O placar seria de um milhão a zero.

RESULTADO DO GRANDE CONCURSO LITERÁRIO SOPA DE TAMANCO


O sr. Nicomar Lael escreve tão bem....

Nem parece que é um labrador sarnento.